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Segundo a imprensa desportiva, o Benfica terá já vendido os direitos económicos de André Gomes, por 15 milhões de euros.

No entanto, essa venda terá sido feita ao empresário Jorge Mendes, e não a nenhum clube específico, ficando agora a responsabilidade de encontrar um novo clube nas mãos do empresário.

Fala-se no Mónaco, no Liverpool, no Manchester City, mas ainda não é certo que o jogador saia para um desses clubes, e que o faça ainda em Janeiro.

 

Mas, será que esta venda fez sentido para o Benfica?

Nesta questão, há um claro dilema entre o curto prazo e o médio prazo.

Tratando-se de um jogador que não é titular e joga pouco na equipa principal, não há prejuízo desportivo com a sua saída já.

O Benfica não fica mais fraco sem ele, como ficou sem Matic. 

E o benefício financeiro é evidente: são 15 milhões de euros por um jogador formado no clube, que custou muito pouco em salários até agora.

Portanto, a curto prazo, a venda faz sentido, pois entra dinheiro e não há perda de qualidade da equipa.

 

Porém, se pensarmos no médio prazo, a 3 anos, fará sentido vender um jogador que poderia ser titular do Benfica e valorizar-se muito?

Com a idade e o talento que tem, André Gomes poderia ser titular no próximo ano, e fazer mais uma ou duas épocas na Luz.

Se tudo corresse bem, daqui a 2 ou 3 anos, poderia valer cerca de 25 milhões de euros, ou mesmo mais.

Os salários que o Benfica lhe teria de pagar teriam de ser deduzidos a esse valor de venda, mas talvez valesse a pena.

 

É este o ponto central, o dilema mais importante da formação.

Os jogadores devem vender-se jovens, aos 20,21, ou devem jogar 3 anos no clube, e só ser vendidos aos 24,25 anos?

Há um problema de risco, pois ninguém sabe se as coisas vão correr bem, e se daqui a 2 ou 3 anos um jogador vai mesmo valorizar tanto.

Podem existir lesões, divergências com os treinadores, desmotivação, e não é certo que tudo corra bem.

Mas, mesmo assim, não valerá a pena correr o risco e manter os jogadores talentosos que foram formados no clube mais tempo, retirando com isso resultados desportivos e financeiros?

Pela minha parte, tenho pena que o Benfica venda tão cedo jogadores. Como tenho pena que Bruma ou Ilori tenham saído do Sporting.

Compreendo perfeitamente as necessidades financeiras dos clubes, bem como os desejos de jogadores e empresários, mas a verdade é que me parece cedo demais.

 

Quando olhamos para o que aconteceu a muitos jogadores portugueses que saíram cedo demais, vemos que a norma é eles não terem triunfado à primeira.

Hugo Viana, Simão, Quaresma, Manuel Fernandes, Bruma, Ilori, e muitos outros, foram vendidos muito jovens, e não conseguiram firmar-se nos clubes, acabando depois por regredir na carreira.

Cristiano Ronaldo e Nani são as boas excepções, mas talvez fosse melhor os jogadores ficarem mais algum tempo nos clubes, ajudando-os a ganhar títulos, e só depois serem vendidos.

O meu receio é que André Gomes seja mais um a entrar para a lista dos que não triunfam lá fora à primeira, e tenho pena, pois gostava que ele fosse titular do Benfica nos próximos anos.

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publicado às 11:01

Quase todos os meses, faço aqui uma avaliação dos treinadores e das equipas, usando para isso o indicador da percentagem de vitórias.

A percentagem de vitórias obtém-se dando a cada empate metade dos pontos de uma vitória.

Nas percentagens de vitórias, os empates valem 1 ponto, e as vitórias valem 2 pontos.

A soma dos pontos deve depois ser dividida pelo total máximo de pontos que se podia obter nos jogos já disputados.

Se um clube tem 10 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, ficará com 20 pontos pelas vitórias mais 3 pelos empates, ou seja 23 pontos.

Dividindo por 23 por 30 pontos (15 jogos vezes 2 pontos), teremos uma percentagem de vitórias de 76,6%. 

 

Como está o Benfica no final do mês de Janeiro?

O clube já disputou 28 jogos, tendo obtido 21 vitórias, 4 empates e 3 derrotas.

Assim, soma um total de 46 pontos em 56 possíveis, o que dá uma percentagem de vitórias de 82,1%.

O Benfica melhorou muito em relação ao início da época, e mesmo em relação ao início de Janeiro, quando tinha 79,1% de percentagem de vitórias.

A equipa de Jesus está pois no bom caminho, à frente do campeonato e em quatro frentes ainda.

 

Quanto ao FC Porto, disputou até agora 29 jogos, pois venceu a Supertaça.

Tem 18 vitórias, 6 empates e 5 derrotas em todas as competições.

Somou 42 pontos em 58 possíveis, o que dá uma percentagem de vitórias de 72,4%. 

Apesar de estar bem abaixo do Benfica, o FC Porto melhorou ligeiramente em Janeiro, pois no início do mês estava nos 72%.

Continua também em quatro frentes, mas está em terceiro no campeonato.

Resta saber se seguirá na Taça da Liga, ou se o atraso no início do jogo contra o Marítimo tem consequências mais graves.

 

Por fim, o Sporting, de Leonardo Jardim.

O clube disputou apenas 21 jogos, pois não está nas competições europeias.

Além disso, já foi eliminado da Taça de Portugal e da Taça da Liga, pelo menos para já.

Obteve 14 vitórias, 5 empates e sofreu apenas 2 derrotas.

Somou 33 pontos em 42 possíveis, o que dá uma percentagem de vitórias de 78,5%.

O Sporting também melhorou desde o início de Janeiro, quando tinha uma percentagem de vitórias de 76,4%.

 

Em conclusão, podemos dizer que Janeiro foi um mês bom para os três clubes, mas bastante melhor para o Benfica do que para Sporting e FC Porto.

A verdade é que os três clubes estão fortes, o que faz prever uma continuação de época com muita luta.

Há anos que não se via uma época tão equilibrada.

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publicado às 09:49

A demissão de Sandro Rossel da presidência do Barcelona pode vir a mudar significativamente o mercado de transferências de jogadores de futebol.

Logo que Neymar chegou ao clube da Catalunha, muitos estranharam o baixo valor oficial da compra, cerca de 56 milhões de euros.

Neymar é um enorme talento, e não parecia possível que Bale valesse 90 milhões e o brasileiro apenas 56.

Nas semanas seguintes, a especulação manteve-se, e começaram a surgir notícias de que o salário oficial do jogador não era o divulgado.

A imprensa tinha dito que ele iria ganhar 7 milhões por ano, mas depois descobriu-se que existia um contrato paralelo, com uma empresa do pai do jogador e do próprio, de mais 8 milhões por ano, o que elevava o salário real para os 15 milhões.

A especulação continuou, e Rossel não a conseguiu travar.

A notícia seguinte foi ainda mais grave: o Santos recebera pouco, havia mais algumas comissões, mas a verdadeira bomba surgiu quando se soube que o Barcelona teria pago um valor extra de 35 milhões de euros à empresa de pai e filho, o que fazia o custo total da transferência subir para os tais 90 milhões.

O problema foi que isso não foi declarado no Transfer Matching System da FIFA, e terá mesmo obrigado Rossel a assinar contratos falsos, com valores fictícios e coisas assim.

Mal um sócio do Barcelona colocou a questão em tribunal, percebeu-se que Rossel estava em apuros, e ontem tomou voluntariamente a decisão de se demitir, passando a pasta ao seu actual vice.

Se Rossel cometeu ou não um crime, se verá no processo que se irá seguir, mas do ponto de vista desportivo, o caso é mais um que cheira a esturro, e que demonstra que os negócios de transferências têm de ser mais transparentes, para que não existam alçapões escondidos por onde circula muito dinheiro duvidoso.

Aliás, a FIFA já ontem declarou que pondera introduzir novas regras nas transferências, obrigando todo o dinheiro de qualquer negócio a ser depositado primeiro numa instituição bancária, para melhor ser controlado.

É uma das muitas hipóteses que se podem discutir, tal como a intervenção de empresas de terceiros, que não sejam clubes, nestes negócios.

As chamadas TPO (Third Parties Others), que são empresas cujos titulares muitas vezes não são conhecidos, intervêm muito, sobretudo na América Latina e na Europa do Sul, e a FIFA já avisou que provavelmente as vai proibir.

É evidente que, casos como o de Neymar, não dão saúde nenhuma ao fabuloso mercado de transferências, mas também é preciso ter cuidado para não matar o negócio.

Transparência precisa-se, mas com bom senso, pois o futebol não seria o mesmo sem as fabulosas transações que se conseguem fazer.  

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publicado às 09:51

Saiu ontem o relatório da Deloitte que lista os maiores clubes do mundo em termos de receitas geradas e, como já se esperava, o clube português que mais receitas gera, o Benfica, caiu do 22º para o 26º lugar.

É importante dizer que, neste relatório da Deloitte, só são consideradas as receitas de bilheteira, as receitas televisivas e as receitas comerciais (sponsors, merchandising, corporate, etc) não sendo por isso incluídas as receitas com transferências de jogadores.

O Benfica, mas especialmente o FC Porto, são muito fortes nesta receita, mas isso não é contabilizado neste relatório, o que leva os clubes portugueses a terem dificuldade de competir com os clubes das ligas mais fortes (ingleses, alemães, espanhóis, italianos e franceses), bem como com os clubes turcos e mesmo brasileiros (o Corinthians ultrapassou este ano o Benfica).

 

No topo da lista, continuam Real Madrid e Barcelona, que geram receitas de 518,9 e 482,6 milhões de euros, suportadas sobretudo nos fantásticos direitos televisivos e nos patrocínios que geram.

Em terceiro lugar, vem o Bayern de Munich, que destronou o Manchester United da terceira posição. Depois de uma fantástica época desportiva, os alemães chegam aos 431,2 milhões de euros, enquanto o clube inglês se fica pelos 423,8 milhões.

Em quinto lugar, em grande ascensão, aparece o Paris Saint Germain, onde os milionários do Qatar têm investido muito e gerado fantásticas receitas, que chegam aos 398,8 milhões de euros.

De seguida, um clube inglês que está em alta, e dois clubes ingleses que perderam posições. O Manchester City, sobe para 6º lugar, com 316,2 milhões; o Chelsea cai para sétimo com 303,4 milhões; e o Arsenal tomba para oitavo, com 284,3 milhões de euros.

Em nono e décimo aparecem os dois primeiros clubes italianos: a Juventus, com 272,4 milhões, e o AC Milan, com 263,5 milhões.

 

Depois dos dez primeiros aparecem Dortmund, Liverpool, Shalke, Tottenham, e Inter, sendo que este último caiu 4 posições no ranking!

Depois, a surpresa: o 16º classificado é o Galatasaray, que ano passado estava em 29º! Os clubes turcos são os que mais sobem este ano, pois o Fenerbahçe também trepa até ao 18 lugar.

No meio dos turcos está o Hamburgo, que também sobe, e logo atrás estão a Roma e o Atlético de Madrid, que fecham o top 20.

Quem saiu dos 20 mais foram o Nápoles, o Newcastle, o Marselha e o Lyon, que caíram todos muito nas suas receitas.

 

E, para o ano, a Deloitte avisa que os ingleses vão subir muito, pois há novos contratos televisivos na Premier League.

É muito provável que, mesmo com a Benfica TV, o clube da Luz não consiga acompanhar a pedalada, e saia fora dos 30 primeiros. 

Portugal é um país muito mais pequeno que os outros, e ainda por cima com a crise económica que por cá vai, e com a penúria que os nossos clubes ganham em direitos televisivos, temos poucas hipóteses.

Exportar jogadores é uma fatalidade para os nossos clubes.

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publicado às 15:28

Ninguém dúvida do fantástico valor desportivo e económico de Cristiano Ronaldo.

Ontem, merecidamente, o presidente da República condecorou aquele que é o português mais mediático de sempre, o mais conhecido, e um dos que mais feitos conquistou.

Além disso, é também o português mais valioso do mundo, individualmente.

Há portugueses cuja fortuna é maior, como Amorim e outros, mas são proprietários de grandes empresas, não pessoas.

O nome Cristiano Ronaldo é aquele que mais ganhos gera em Portugal.

 

Há quem diga que ele vale 50 milhões de euros, há quem diga que vale mais, outros um pouco menos do que isso.

O valor total importa pouco, aquilo que sabemos é que é muito.

Cristiano é neste momento o segundo jogador mais valioso do mundo, com um valor de mercado que ronda os 100 milhões de euros.

Aufere o mais elevado salário pago a um jogador de futebol, 17 milhões de euros por ano.

Além disso, tem contratos individuais de imagem com várias marcas.

A Nike calça-o, por um valor que se aproxima dos 7 milhões de euros por ano.

Segue-se a Herbalife, num contrato com valores nunca revelados; e o BES, que expandiu muito a sua conta CR7 e os seus balcões em Espanha à conta de Ronaldo, captando em 2012 mais de 5 mil milhões de euros em depósitos.

Há ainda a Linic, e mais uns quantos patrocinadores individuais; aos quais há que somar as marcas relacionados com o Real Madrid (Emirates, bwin, Audi, Adidas, etc); as relacionadas com a Liga Espanhola (BBVA, Mahou, etc) e as relacionadas com a Seleção Nacional de Portugal (Tmn, Galp, Continente, Sagres, etc).

Para calcular o valor de Cristiano, temos ainda de incluir o seu valor mediático individual, com as páginas do Faceboo e do Twitter, com milhões de fãs, a valerem imenso.

Se tudo isto ultrapassa ou não os 50 milhões de euros anuais, é difícil de dizer, pois muitos destes contratos de patrocínio e páginas mediáticas não têm um valor contante, mas variável, dependendo do rendimento desportivo do jogador.

Mas, é provável que esse valor ande perto da realidade.

 

A única área que ainda não parece bem gerida na carreira de Ronaldo é a marca CR7, mais associada à sua imagem pessoal.

Começou por ser uma marca de lojas de roupas, geridas pelas irmãs, mas as coisas não correram bem, e não se podem considerar um sucesso.

Depois, há uma aventura na ligerie masculina, com uma imagem muito física, cheia de músculos, e que também não parece estar a ser bem sucedida.

Há ainda uma ideia para abrir um Hotel CR7 na Madeira, mas é cedo para tirar conclusões nesse área.

De qualquer forma, a marca CR7 não descola, e talvez falte a Cristiano Ronaldo uma associação a alguém mais profissional, para expandir esta linha de negócios.

Beckham, por exemplo, faz isso bem melhor que CR7, e por alguma razão a sua mulher Vitória um dia disse que ele não devia ser conhecido como "Golden Boy" mas sim como "Golden Balls". 

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publicado às 11:22

Ontem, Pinto da Costa atacou forte e feio o árbitro Artur Soares, pela sua prestação na Luz.

Hoje, o treinador Paulo Fonseca veio dizer que há uma "concertação de forças" contra o FC Porto, e a favor do Benfica e do Sporting.

Como de costume, o inimigo externo é o responsável por todos os males, seja ele o árbitro, seja uma nebulosa indefinida, formada não se sabe bem por quem.

Esta linha estratégica de ataque não é nada de novo, nem no FC Porto, nem nos outros clubes grandes, Benfica e Sporting, nem mesmo nos pequenos.

Em Portugal, é mesmo já um lugar comum, de uma banalidade confrangedora, esta postura de "vítima agressiva", de que se faz de vítima para logo atacar alguém.

Sempre que um clube tem maus resultados, dirigentes, treinadores e até jogadores, logo atiram as culpas para cima do árbitro, dos jornalistas, do sistema, dos comentadores, seja de quem for que esteja à mão.

O inferno, dizia Sartre, são sempre os outros, nunca nós. A culpa nunca é nossa, mas de terceiros que nos perseguem, maltratam e prejudicam.

 

Mas, será esta estratégia da "vítima agressiva" eficaz?

É evidente que esta é sempre uma estratégia vencedora junto dos próprios adeptos do clube.

Quando presidente e treinador começam a dizer o que disseram Pinto da Costa e Paulo Fonseca, noventa por cento dos adeptos adotam imediatamente esse discurso das vítimas das tenebroas maldades de terceiros.

Para juntar as hostes, e até para criar uma mentalidade de combate nos jogadores, esta estratégia e sempre bastante eficaz se for feita no timing certo.

E, neste caso, é este o momento de a levar à prática.

No passado, o Benfica não foi bem sucedido nesta estratégia porque a praticou tarde demais, só no final da época, onde ela já é inútil.

Mas, estamos a meio do campeonato, o FC Porto tem apenas 3 pontos de atraso do líder, e tudo é ainda possível.

Os ataques à arbritagem e ao sistema estão pois a ser feitos no momento certo pelo FC Porto.

 

Mas, será esta estratégia eficaz para fora, terá impacto no sistema, nos media, nas arbitragens?

É bem possível que sim.

Em Portugal, dá-se muita relevância às queixas de arbritragem, e às queixas de "concertação".

Quando um clube ataca o sistema ou os árbitros, os os jornalistas, a maioria dos outros árbitros, jornalistas ou comentadores têm tendência a alterar um pouco os seus comportamentos, para levar em conta as "queixas" dos queixosos.

A pressão que é feita pelos clubes - neste caso o FC Porto, mas noutros momentos os outros - tem eficácia, e os árbitros podem começar a ter menos coragem para tomar decisões difíceis, bem como os jornalistas podem ter menos vontade de fazer críticas.

A pressão cria uma "benevolência adicional" para com o queixoso, que pode traduzir-se em decisões ou ideias favoráveis a ele. 

 

Portanto, do ponto de vista portista, fez sentido que Pinto da Costa e Paulo Fonseca façam estas pressões.

Os seus adeptos ficam com eles, e os árbitros e os jornalistas ficam um pouco condicionados, o que só pode ter efeitos positivos para os queixosos.

É esse um dos segredos do futebol português: quem se queixa, normalmente tem benefícios a posteriori!

E é a pensar nesses benefícios, que podem aparecer durante a segunda volta, que o FC Porto segue esta estratégia da "vítima agressiva". 

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publicado às 15:35

Se há coisa que tem espantado nos últimos tempos no FC Porto é a gestão dos recursos humanos, leia-se jogadores.

Ao longo de décadas, o clube habituou as pessoas a uma gestão exímia, sem demasiadas turbulências.

Enquanto no Benfica e no Sporting havia casos e melodramas, no FC Porto parecia reinar sempre uma calma imperial, mesmo quando havia problemas.

Porém, nos últimos tempos, os erros sucedem-se, bem como as declarações de insatisfação de muitos jogadores.

Há os que saíram zangados e em conflitos, como Rolando, Atsu ou mais recentemente Fucile.

Há as apostas absurdas, como Liedson e Izmailov.

Há os capitães que não se sabe se vão ou não continuar no clube, como Helton ou Lucho.

Há os fenómenos que nunca explodiram e tiveram de ser emprestados, como Iturbe.

Há os que querem sair para melhor, embora admitam esperar, mesmo insatisfeitos, como Otamendi, Mangala ou Jackson.

Há os que querem sair já, por esta ou aquela razão, como Quintero ou Defour.

E há ainda Fernando, que não se sabe se vai renovar, e caso não o faça é uma perda total, pois termina o contrato em Junho e pode sair a custo zero.

No onze principal, por exemplo, tirando os laterais Danilo e Alex Sandro, o extremo Varela, e os recém-contratados Josué, Licá e Carlos Eduardo, quase todos parecem ter dúvidas se ficam ou não. 

É evidente que, nos dias que correm, é quase impossível impedir os jogadores de falar em público, mas o somatório de todas estas declarações, dúvidas, zangas e falhanços, deixa uma impressão geral de perturbação e falta de concentração.

A ideia que dá é que o compromisso dos jogadores com o clube é menor, e que muitos estão com a cabeça noutro lado e insatisfeitos.

Pelos vistos, nem a estrutura consegue estabilizar os discursos e as expectativas dos jogadores, nem o treinador os consegue focar nos jogos.

Talvez por isso, a equipa não consiga jogar muito bem, e pareça desligada.

Pela primeira vez em muitos anos, o balneário do FC Porto não parece remar todo para o mesmo lado, e isso nota-se.

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publicado às 10:24

Tem sido uma semana histórica para o futebol português.

Numa segunda-feira, Eusébio é homenageado na Luz e enterrado com o Rei que era.

Na segunda-feira seguinte, Ronaldo é coroado como o novo Rei do futebol português.

Um e outro são jogadores absolutamente fabulosos, e é um orgulho vivermos num país que conseguiu gerar gente deste calibre estratoesférico.

 

É por isso que me incomoda ouvir gente dizer mal do futebol, e desprezar títulos desta grandeza.

O que seríamos nós sem o futebol? Será que não se dá valor aos prémios de uma pequena nação, que com apenas 10 milhões de pessoas consegue feitos absolutamente anormais para um país da sua dimensão?

Comparemos com outros países europeus semelhantes a nós, como a Suíça, a Suécia, a Áustria, a Bélgica, a Grécia, a República Checa.

Quantos deles geraram os melhores jogadores do mundo? Pois é, nenhum!

E quantos conseguem ter clubes a disputar taças europeias e seleções a ir a meias-finais de europeus e mundiais?

Pois é, com a excepção da Grécia, que foi campeã da Europa em 2004, nenhum desses países, como aliás muitos outros, consegue colocar jogadores, clubes e seleções no topo do mundo.

Só nós, e isso devia ser uma grande razão para orgulho.

Portugal pode não ser bom a fazer chocolates e relógios, como a Suíça; carros, como a Suécia; festivais de música, como a Áustria; ou muitas outras coisas que agora não me lembro, como a Bélgica, a República Checa ou a Grécia, mas é muito bom num sector desportivo e económico com enorme visibilidade, o futebol.

 

Passando a outro assunto, ontem não compreendi os argumentos daqueles que, como Platini e muitos portugueses, desvalorizaram esta Bola de Ouro, dizendo que não deve haver prémios individuais, nem deviam ser premiados jogadores jogam não ganharam títulos colectivos com as suas equipas.

Importam-se de repetir? É que eu acho que não percebi bem...

Para quem não se recorde, vale a pena relembrar aqui algumas evidências.

 

Desde há muitos anos que, em todos os países, e em todas as competições internacionais, se entregam prémios individuais.

Há prémios para o melhor jogador do ano nacional, para o melhor marcador de golos, para o melhor guarda-redes, etc.

Isso também acontece nas provas europeias e de selecções.

No Mundial, ou nos Europeus, sempre houve o prémio para o melhor jogador, para o melhor goleador, etc, etc.

Porque será que agora, subitamente, se põe em causa a eleição do melhor jogador do mundo, dizendo que o prémio individual deve levar em conta os títulos colectivos?

Será que o melhor marcador ou o melhor jogador do ano tem de ser da equipa campeã? 

Só para dar um pequeno exemplo, este ano o campeão nacional foi o FC Porto, e o melhor jogador foi o Matic, do Benfica, que não ganhou nenhum título, e não ouvi ninguém a protestar.

 

A desvalorização da vitória de Ronaldo soa a mau perder (Platini) ou então a pura má fé.

Os prémios colectivos, que eu saiba, são as próprias vitórias nas competições onde as equipas entram.

A melhor equipa do ano, em cada país, é o campeão nacional.

A melhor da Champions é que a equipa vence a final, e a melhor de um Mundial é a equipa campeã do Mundo.

Seria um pouco absurdo dar um prémio colectivo depois da equipa ter sido...campeã do Mundo, que é o melhor prémio colectivo que uma seleção pode ter!

Não se dá prémios colectivos porque não é necessário, os prémios são as vitórias, as taças e os títulos!

 

O que faz sentido é portanto, já sabendo quem foram os melhores colectivos, dar em seguida prémios individuais, como a Bola de Ouro.

Ronaldo é o melhor jogador do mundo no momento, e por isso mereceu esta Bola de Ouro, e quem passar a vida resmungar que ele não ganhou títulos esquece o essencial: o talento individual é distintivo e deve ser premiado à parte.

 

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publicado às 11:52

Ontem, logo depois da derrota na Luz, liam-se muitos comentários de portistas a pedir a cabeça de Paulo Fonseca.

A equipa não jogou bem, foi pouco ambiciosa, e a derrota foi justa, mas será que faz sentido despedir o treinador?

 

Em primeiro lugar, vamos examinar os resultados de Paulo Fonseca.

Venceu a Supertaça, contra o Vitória de Guimarães, único título que podia conquistar até agora.

Na Champions, teve fracos desempenhos: três derrotas, duas das quais em casa, dois empates e apenas uma vitória.

Foi uma das piores Champions de sempre do FC Porto, com apenas 5 pontos obtidos. A única consolação foi a ida à Liga Europa, que o terceiro lugar permite.

Na Taça de Portugal, o FC Porto venceu os 3 jogos que disputou e está nos quartos de final, e na Taça da Liga empatou em Alvalade, o que se pode considerar um bom resultado, pois é um campo onde normalmente o FC Porto tem dificuldades.

Mesmo o ano passado, a pior época de sempre do Sporting, o FC Porto não conseguiu vencer em Alvalade para o campeonato.

Por fim, no campeonato, o FC Porto está em terceiro, a 3 pontos do Benfica, e com menos 6 pontos que no ano anterior.

São resultados abaixo das expectativas, mas nada está perdido, e o clube está na luta pelo título, com a vantagem psicológica, embora distante, de receber os encarnados na última jornada.

 

Ao todo, Paulo Fonseca disputou 26 jogos, tem 15 vitórias, 6 empates e 5 derrotas.

Se dermos meio ponto a cada empate e dois a cada vitória, temos que Paulo Fonseca tem uma percentagem de vitórias de 69,2%.

É bem abaixo do que conseguiram os seus antecessores, Vítor Pereira e André Villas-Boas, mas o clube continua em quatro competições, e por isso não se pode dizer que é irremediável. 

 

Será que o problema é o treinador, ou são os recursos que ele tem ao seu dispôr?

Como todos sabemos, são os jogadores que jogam, e a verdade é que este ano o FC Porto não tem tão bons jogadores.

Compare-se por exemplo com Villas-Boas, que tinha Falcão, Hulk, James, Moutinho e Álvaro Pereira, e rapidamente temos de aceitar que este ano a qualidade é bem menor no Dragão.

A substituição das peças não foi executada com mestria, e Josué, Licá, Carlos Eduardo, Herrera ou Ghilas, não estão ao mesmo nível dos jogadores que saíram nos últimos dois anos.

Sem ovos não se fazem omeletes, e por melhor que Paulo Fonseca fosse, a verdade é que os recursos que tem à sua disposição não são brilhantes.

Por mais apelos que se façam à vontade, à raça, à força mental, se não houver talento, nada se consegue.

Ao FC Porto falta este ano talento, e não me parece que o regresso de Quaresma chegue para suprir essa falha grave.

E sem jogadores talentosos, não há muito que Paulo Fonseca ou outro, possam fazer. 

 

Mas, mesmo assim, não seria melhor ir buscar um treinador com mais garra, mais ambicioso?

Para responder a essa pergunta, vamos examinar o histórico do FC Porto em despedimentos de treinadores.

Em 2001/2002, Pinto da Costa despediu Octávio, e foi buscar Mourinho ao Leiria.

No entanto, o clube não foi campeão, e só conseguiu o terceiro lugar, atrás de Sporting e Boavista.

A mudança de treinador pouco alterou.

Também em 2004/2005 se verificou algo semelhante. Apesar de ter uma grande equipa, que fora campeã da Europa, a orfandade da saída de Mourinho causou grande perturbação, e o clude despediu Del Neri, e meses depois o seu substituto, Fernandez.

Couceiro, o terceiro treinador desse ano, também não conseguiu ser campeão, e ficou atrás do Benfica de Trapattoni.

Portanto, das últimas duas vezes que despediu treinadores, o FC Porto não ganhou nada com isso. 

 

É aliás essa a conclusão dos estudos universitários que têm sido feito nos últimos anos sobre as "chicotadas psicológicas".

Sue BridgeWater, uma das maiores especialistas no assunto, conclui que depois do despedimento há uma pequena lua de mel, e os resultados melhoram, mas ao fim de cinco ou seis jogos regressam os problemas, e a equipa fica normalmente num ponto semelhante ao que estava antes.

A conclusão é óbvia: é a qualidade dos jogadores que determina a qualidade da equipa, e quando os recursos não são bons, mudar de treinador raramente resolve alguma coisa.

Despedir Paulo Fonseca dificilmente muda o rumo dos acontecimentos. Melhor seria se o FC Porto contratasse mais dois ou três jogadres de qualidade em Janeiro.

Aí sim, os resultados poderiam melhorar. 

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publicado às 10:16

Admitindo que os onze titulares de Benfica e FC Porto são semelhantes aos que foram nos últimos jogos, qual o valor económico que cada um dos clubes vai colocar em cima da relva da Luz?

 

Em primeiro lugar, que critério devemos usar?

O do valor de compra, como usam os clubes nos seus relatórios, ou o valor de mercado actual que pode ser obtido em vários sites?

Segundo os relatórios de contas dos respectivos clubes, o valor líquido do plantel do Benfica é de 112 milhões de euros, e o do FC Porto é de 79,2 milhões de euros. 

Porém, neste total, estão incluídos muitos jogadores, e ainda por cima a preços de compra. 

Não me parece que seja este o melhor indicador, pois alguns jogadores já foram comprados há uns anos, uns já foram amortizados, outros não.

 

O critério mais correcto é o do valor de mercado.

Ora, segundo o site transfermarkt.co.uk, que faz cálculos permanentes destes valores, para centenas de clubes diferentes, o valor de mercado do plantel do Benfica é neste momento de 231,3 milhões de euros, enquanto o do FC Porto é de 197,4 milhões de euros.

Para uma outra empresa, a brasileira Pluri Consultoria, os valores não diferem muito: Benfica com 248,3 milhões de euros, FC Porto com 201,2 milhões de euros no plantel.

Só que, mais uma vez, esses valores são referentes ao plantel todo, não ao onze que irá entrar em campo no próximo domingo na Luz.

Para conseguirmos saber o valor dos onze, teremos de ver jogador a jogador.

 

Quanto vale então o onze do Benfica? Segundo o transfermarket.co.uk, estes são os valores dos 11 encarnados que deverão ser titulares:

Artur, 4 milhões de euros

Maxi Pereira, 10 m€

Luisão, 6 m€

Garay 20 m€

Siqueira, 8 m€

Matic, 27 m€

Enzo, 9 m€

Gaitan, 18 m€

Markovic, 10 m€

Rodrigo, 10 m€

Lima, 12 m€ 

Nesse caso, o valor do total do onze do Benfica será de 134 milhões de euros.

Para quem acha que há outros candidatos a titulares, ou que Jesus vai mexer na táctica, aqui deixo os valores de Sulejmani, 2,5 m€, de Djuricic, 10 m€, ou mesmo de Ruben Amorim, 4,5 m€. 

Se por exemplo, não jogar Rodrigo e jogar Ruben Amorim, o valor total do onze desce para os 128,5 milhões de euros.

 

E quanto vale o onze do FC Porto que irá entrar em campo? Segundo o mesmo site, o valor de mercado dos jogadores é o seguinte:

Helton, 3,2 m€

Danilo, 11,5 m€

Maicon, 9 m€

Mangala, 20 m€

Alex Sandro, 16 m€

Fernando, 17,5 m€

Lucho, 5 m€

Carlos Eduardo, 2 m€

Licá, 5 m€

Jackson, 30 m€

Varela, 7,5 m€

O valor total deste onze do FC Porto é de 126,7 milhões de euros, abaixo do onze do Benfica.

Para quem aposta num onze diferente, aqui deixo também os valores de Josué, 6 m€; de Herrera, 7 m€; de Defour, 8 m€; ou mesmo de Quaresma, que apenas vale 1,5 m€. 

Se, por exemplo, em vez de Carlos Eduardo jogar Defour, o valor total do FC Porto passa para 132,7 m€, que já é muito próximo do Benfica, e pode mesmo ultrapassá-lo, caso na Luz jogue Ruben Amorim em vez de Rodrigo.

 

Outras curiosidades interessantes:

- o valor de mercado da defesa do FC Porto (56 m€) é superior ao valor da defesa do Benfica (44 m€).

- o valor de mercado do meio campo do FC Porto, formado por Fernando, Lucho e Carlos Eduardo (24,5 m€) é claramente inferior ao valor de mercado do meio-campo do Benfica, considerando Matic, Enzo e Gaitan (54 m€).

- o valor do ataque do FC Porto, com Jackson, Licá e Varela (42,5 m€) é superior ao valor do ataque do Benfica, formado por Markovic, Rodrigo e Lima (32 m€).

A conclusão que se retira daqui é que as duas equipas têm um valor aproximado, sendo que o FC Porto tem uma defesa e um ataque mais valiosos, e o Benfica um meio-campo que vale mais do dobro do meio-campo do FC Porto.

Os números do campeonato até à 14ª jornada confirmam esta conclusão: o FC Porto marca mais e sofre menos golos, e o Benfica vence os seus jogos com o seu bom meio-campo.

 

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publicado às 11:13

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Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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