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Ontem, o Benfica desiludiu. O resultado acabou por ser melhor do que o jogo, e nada está perdido.

Porém, 1-0 foi bom, pois o FC Porto podia ter marcado mais golos.

A estratégia do Benfica foi evidente: minimizar os esforços e os danos.

O Benfica esteve sempre com a cabeça em Braga, e não no Dragão.

O jogo que vai jogar no domingo era bem mais importante que este, e por isso Jesus poupou Enzo, Siqueira, Gaitan, Markovic, Lima, meia-equipa.

E mesmo os que jogaram não jogaram para ganhar, mas para perder o menos possível.

Salvaram-se Artur, Luisão e Garay, e de resto pouco se viu.

Salvio ainda está muito perro, Ruben Amorim esteve acanhado, Cardozo parecia um fantasma, e só Rodrigo deu umas corridas. 

 

Do outro lado, o FC Porto fez um bom jogo. Jackson empenhou-se, Quaresma é sempre inspirado, Herrera subiu muito.

Passo a passo, Luís Castro está a fazer regressar a equipa à matriz Villas-Boas/Vítor Pereira, e os jogadores estão mais confortáveis.

Licá, Carlos Eduardo, e Josué, que estão uns furos abaixo do que se exige no FC Porto, já não têm o mesmo protagonismo.

A equipa está mais coesa e parece mais motivada, mas 1-0 não é um resultado que dê garantias de nada.

Na Luz, o FC Porto terá muito mais dificuldades, isso é certo.

 

Até porque a segunda meia-final só se jogará a 16 de Abril, e nessa altura o Benfica já pode estar mais folgado.

Pelo meio, haverá 3 jogos para o campeonato, e mais a liga Europa.

O Benfica terá de ir a Braga, receber o Rio Ave, e ir a Arouca, e pelo meio jogará com o AZ Alkmaar.

Se nas próximas 3 jornadas o título ficar decidido, e se o Benfica eliminar o AZ, a 16 de Abril poderá apresentar uma equipa mais forte para defrontar o FC Porto. 

A gestão da rotatividade dos jogadores faz sentido, mas se o título se decidir mais cedo, mais cedo as outras frente se tornam mais importantes.

Ontem, foi mínimo esforço e mínimo dano. 

A 16 de Abril as coisas serão bem diferentes. 

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publicado às 11:14

Segundo um estudo CIES (Centre International des Etudes Sportifs), um observatório suíço muito credível, que trabalha com a FIFA, o FC Porto é o terceiro clube que mais dinheiro realizou com vendas de jogadores para as 5 principais ligas europeias.

Se contarmos apenas com as transferências para Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha e França (o que significa que ficam de fora a Rússia, a Turquia e a Ucrânia, que nos últimos anos também foram bons mercados compradores de jogadores), o FC Porto realizou 282,7 milhões de euros em transferências para os 5 mercados principais.

O resultado é excelente, e acredito que, se fossem também contabilizadas as vendas para a Rússia, (Hulk, Bruno Alves), provavelmente o FC Porto estaria em primeiro lugar.

 

Na lista do CIES, que diz respeito aos últimos 8 anos, o FC Porto só fica atrás do Tottenham, que vendeu 322,1 milhões de euros de jogadores; e do Real Madrid, que vendeu 303,7 milhões de euros em jogadores.

Em quarto está o Liverpool, com 239,8 milhões de vendas, e depois seguem-se 3 clubes italianos: AC Milan, com 229,5 milhões; Inter, com 224,9 milhões e a Udinese, com 220 milhões de euros de vendas de jogadores.

Mais lá para baixo na lista, em 16º lugar, está o Benfica, com vendas de 174 milhões de euros, mas também aqui se contabilizassemos a Rússia (Witsel), provavelmente o Benfica poderia estar no top 10.

 

Seja como for, o que estes resultados demonstram, no caso dos clubes portugueses, é que o modelo "import-win-export", levado à prática sobretudo pelo FC Porto, é um modelo de negócio excelente.

O que o FC Porto fez, nos últimos 20 anos, foi conseguir encontrar "talentos" por esse mundo fora, do Brasil ao Japão, passando pela Colômbia ou pela Sérvia; e comprá-los por um bom preço.

"Importar barato" foi o primeiro segredo do FC Porto, e é assim que o modelo de negócio se inicia.

Depois, o que o FC Porto faz é pagar bons salários (os mais elevados em Portugal quase todos os anos) e gerar equipas muito competitivas, capazes de vencerem em Portugal e mesmo na Europa.

Em 20 anos, foram 14 títulos nacionais; e mais 3 títulos europeus, incluindo uma Champions.

Essa competitividade da equipa valoriza os jogadores, que depois de 2 ou 3 anos no clube são vendidos, com uma choruda mais-valia.

Importar, vencer, exportar; "import-win-export", é esse o modelo de negócio do FC Porto, e tem sido muito bem sucedido.

 

Os outros clubes não têm sido tão bem sucedidos, sobretudo na parte do meio.

Ao longo dos anos, Benfica, Sporting, e mesmo os clubes mais pequenos, muitas vezes conseguem vender jogadores bem vendidos, mas dificilmente conseguem ganhar títulos.

O Benfica, por exemplo, já vende muito bem, como o estudo do CIES revela.

Porém, nem sempre compra bem, gastando dinheiro a mais, e nem sempre compreende que precisa de pagar salários altos, para conseguir vencer.

Este ano, tal como em 2010, o Benfica parece finalmente ter percebido como funciona o modelo "import-win-export", e talvez por isso está à frente do FC Porto no campeonato.

E também é verdade que o FC Porto cometeu alguns erros, seja na escolha de jogadores, seja de treinadores, que não são habituais.

Mas, ter cometido erros num ano não significa que se entrou em decadência.

O FC Porto teve um modelo muito bem sucedido muitos anos, e pode perfeitamente recuperar na próxima época. 

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publicado às 16:15

Os números desta época do Benfica começam a ser impressionantes.

A equipa tem vindo sempre a melhorar desde Outubro, e não parece estar a fraquejar, agora que chega o momento das grandes decisões.

Até agora, nas quatro competições em que está envolvido, o Benfica realizou 41 jogos, dos quais venceu 32, empatou 6 e apenas perdeu 3 (dois na Champions e um no campeonato).

A percentagem de vitórias do Benfica, onde cada empate conta metade de uma vitória, está neste momento em 85,3%.

É um número muito bom, e continua a crescer, pois a meio de Fevereiro, o Benfica de Jesus estava com 82,8% de percentagem de vitórias, e subiu.

É claro que isto pode significar pouco no final, mas com a liderança do campeonato muito sólida, com sete pontos de avanço, o Benfica tem margem e plantel para conseguir ter alto rendimento nas outras competições.

Nas taças de Portugal e da Liga, estão a chegar os grandes jogos contra o FC Porto, mais 3 provas de fogo.

E, na Liga Europa, o AZ Alkmaar não parece capaz de impedir que o Benfica chegue à meia-final.

Porém, na Luz toda a gente sabe que as alegrias de Março não servem de nada se em Maio só aparecerem tristezas.

Ninguém admitiria outra vez um cenário idêntico ao do ano passado, por isso é melhor cerrarem os dentes e lutarem até os títulos estarem ganhos.

 

Quanto ao Sporting, também melhorou um pouco no último mês e meio.

Em Fevereiro, o clube estava com uma percentagem de vitórias de 75%, o que já eram bom, mesmo sabendo que não disputou jogos europeus e que já foi eliminado das Taças nacionais.

No entanto, com um total de 29 jogos disputados, com 19 vitórias, 7 empates e 3 derrotas, o Sporting tem agora uma percentagem de vitórias de 77,5%, o que revela a melhoria que a equipa ainda consegue ter nesta altura.

Comparando com épocas anteriores, é um resultado muito bom, que pode permitir ao clube a entrada directa na Champions.

Veremos se Jardim consegue aguentar a ponta final do campeonato, mas tudo parece apontar para essa possibilidade.

 

 

O ano horribilis do FC Porto é evidente. 

Em Fevereiro, o FC Porto estava já abaixo dos rivais, com uma percentagem de vitórias de 72,7%.

Paulo Fonseca saiu, mas as coisas ainda não melhoraram muito.

Com 42 jogos disputados, o FC Porto tem agora 24 vitórias, 10 empates e 8 derrotas, o que dá uma percentagem de vitórias de 69%.

Curiosamente, se fizermos a percentagem de vitórias apenas para os jogos com Luís Castro aos comandos, o número é semelhante.

Em 5 jogos, 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota dá uma percentagem de vitórias de 70%, em linha com o resto da época.

Mudar de treinador raramente muda o essencial: o valor da equipa é mais baixo do que em outros anos, e portanto as coisas ficam mais ou menos na mesma, mesmo mudando o treinador.

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publicado às 10:52

Benfica e FC Porto são dois dos principais favoritos à vitória na Liga Europa.

Mourinho disse-o, e os oitavos de final confirmaram isso mesmo.

O FC Porto fez um grande jogo em Nápoles, empatando 2-2, e enviou para casa Benitez e Higuain.

O Benfica, que fez um grande jogo em Londres, onde venceu 3-1, ontem ainda apanhou um susto, mas acabou por empatar 2-2 e garantir que seguia em frente, o que faz sentido.

Durante 170 minutos o Benfica foi mais equipa que o Tottenham, que só acordou a 10 minutos do fim do jogo de ontem.

Podia ter empatado? Sim, podia, mas seria injusto, pois os ingleses jogaram muito pouco nos dois jogos.

 

E agora, quais são as possibilidades nos quartos de final?

Ao Benfica saiu uma das equipas teoricamente mais fáceis, o AZ Alkmaar.

Classificado no 35º lugar no ranking da UEFA, enquanto o Benfica é o 6º; e com um plantel avaliado em 43,9 milhões de euros, enquanto o do Benfica vale 190,7 milhões de euros; não há como negar que o Benfica é o favorito.

No campeonato holandês, o AZ está em sétimo, enquanto o Benfica lidera em Portugal, e com a segunda mão na Luz, parece-me que o Benfica tem todas as possibilidades de estar presente nas meias-finais. 

 

Quanto ao FC Porto, vai ter de defrontar o Sevilha, uma equipa perigosa e matreira.

Mas, o FC Porto também é favorito, sobretudo depois de duas eliminatórias épicas, em Frankfurt e Nápoles, a equipa está muito motivada e confiante nesta competição.

O Sevilha é o 29º no ranking da UEFA, enquanto o FC Porto é o 10º; e o plantel dos espanhóis vale cerca de 114 milhões de euros, enquanto o do FC Porto vale 183,2 milhões, o que ainda é uma diferença importante de qualidade.

No campeonato espanhol, o Sevilha está em 7º; enquanto os azuis estão em 3º no português.

Beto vai ter de defender muito para evitar que o FC Porto, sua antiga equipa, não siga para as meias-finais.

 

A minha previsão é que nas meias-finais da Liga Europa estejam presentes Juventus, Valência, FC Porto e Benfica, pois não acredito que o Lyon consiga derrotar os italianos, nem que o Basileia consiga eliminar o Valência.

Mas, isto é antes de começar...

 

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publicado às 12:42

Ontem, em Alvalade, o Sporting venceu o FC Porto com um golo...em fora de jogo.

Depois de uma semana de gritos e fúrias nas redes sociais.

Depois da direção do clube ter emitido um comunicado a declarar que iria "processar" os árbitros, a Liga e a Federação Portuguesa de Futebol, por causa dos prejuízos causados ao clube.

Depois disso tudo, eis que o futebol mostra que é mesmo uma caixinha de surpresas e o Sporting vence à conta de um clamoroso erro de arbitragem.

Como dizia Pimenta Machado, em futebol o que hoje é verdade, amanhã é mentira.

Agora, já nenhum sportinguista tem legitimidade para falar, e as fúrias foram caladas oportunamente.

 

Fica assim mais uma vez demonstrado que estas fúrias contra as arbitragens são absolutamente inúteis.

Não vale a pena os clubes estarem com estes "movimentos", com estas "indignações", com estes "basta", e com estas ameaças de processos.

Isso não leva a lado nenhum, e na semana seguinte até podemos ter de meter a viola no saco, pois é a nossa vez de sermos beneficiados.

O que podem agora dizer os sportinguistas?

E o que achariam se o FC Porto viesse dizer que vai processar Pedro Proença, a Liga e FPF pelos prejuízos causados, uma vez que, à conta da derrota de ontem, quase ficou fora da Liga dos Campeões?

São muitos milhões perdidos, não é verdade?

 

A teoria de que o Sporting foi impedido de jogar para o título devido às arbitragens mostrou ontem a sua imbecilidade.

Ninguém no seu juízo perfeito nega que houve erros que prejudicaram o clube em alguns jogos, mas também os sportinguistas não podem negar que houve jogos em que foram beneficiados, como o de ontem.

Dizer que o Sporting foi "roubado" em 7 pontos é um exagero, pois ainda por cima parte de um vício de raciocíno disparatado.

Quando um golo é anulado, como foi em Setúbal ao Sporting, e no final o resultado é 2-2, porque é que todos partem do pressuposto que o resultado final devia ser 3-2 para o Sporting?

É evidente que, se o golo não tivesse sido anulado, a única coisa que podemos dizer é que ficava 1-0 nesse momento, mas quem sabe o que aconteceria até ao final?

A narrativa do jogo teria mudado, e é abusivo dizer que o resultado final teria sido 3-2, pois essa "realidade paralela" nunca aconteceu! 

 

Mas, em futebol toda a gente vive, não para ser intelectualmente honesto, mas para defender os seus clubes.

Toda a gente se enfurece, e toda a gente dá como certos os pontos que lhes roubaram, como se isso fosse garantido, mesmo sem erros de árbitros.

Os sportunguistas sentem que perderam pontos, mas a partir de ontem, já não podem fazer o papel de vítimas sem corar.

Agora, também ganharam pontos com erros crassos dos árbitros, e por isso o "Basta" morreu de morte súbita.

 

PS: E será que os adeptos do FC Porto ainda consideram Pedro Proença o melhor árbitro nacional? 

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publicado às 10:44

Foi uma noite muito boa para os clubes portugueses na Liga Europa.

O Benfica fez um jogo enorme em Londres, vencendo o Tottenham por 1-3.

É muito difícil virar uma eliminatória depois de perder em casa, e ainda para mais quando se atravessa uma crise de confiança.

Ontem, o Tottenham mostrou todas as suas debilidades.

Tem bons jogadores, mas não é uma boa equipa.

Os jogadores não acreditam nas jogadas que fazem, e cometem erros atrás de erros.

Em comparação, o Benfica foi uma equipa concentrada, confiante, segura, e letal perto da baliza.

Em seis ou sete remates, fez 3 golos, e nunca deixou os ingleses controlar o jogo.

Talvez agora o dono do Tottenham já tenha percebido que mudar de treinador não resolveu nada.

André Villas-Boas foi despedido só por causa de duas duras derrotas por goleada, mas tinha melhor percentagem de vitórias do que Tim Sherwood.

Que não parece ter talento ou conhecimento para dar a volta às aflições.

Só uma calamidade impedirá o Benfica de seguir em frente.

 

O FC Porto também esteve bem, e a vitória contra o Nápoles é justa mas é curta.

No entanto, o 1-0 é um resultado dificílimo de virar, e a maior parte das equipas que ganha 1-0 na primeira mão segue em frente.

O San Paolo é um estádio com um ambiente terrível, mas o FC Porto tem experiência nessas situações, e pode aguentar a pressão.

Luís Castro está a conseguir estabilizar a equipa, e duas vitórias aumentaram a confiança dos jogadores.

Se o FC Porto jogar mais ligado, com um meio-campo mais consistente e compacto, será um osso muito duro de roer para o Nápoles.

Benitez, é certo, tem muito mais experiência, e adora provas a eliminar, onde é bem mais forte do que nos campeonatos.

E a equipa tem armas poderosas, desde Higuain a Hamsik, passando por Calejon e Zapata.

Será certamente um jogo muito interessante e bem disputado, mas para já a vantagem é do FC Porto.

 

Quanto aos adversários, alguns apontamentos curiosos:

- O Valência está praticamente apurado, mas a Juventus, que todos dizem ser o clube mais forte da Liga Europa, não conseguiu melhor que empatar em casa, 1-1, com a Fiorentina. A segunda mão, em Florença, não será fácil para a equipa de Conte, que apesar de dominar o campeonato, não consegue bons resultados nas competições europeias.

- Se a Juventus cair, Benfica e FC Porto, se passarem, ganham o estatuto de principais favoritos, ao lado do Valência e da Fiorentina.

- Dos outros clubes, os únicos perigosos são o Lyon, e o imprevisível Red Bull Salzburg, que tem sido uma excelente surpresa este ano.

Será que a Red Bull dá mesmo asas ao clube austríaco? E até onde pode ele voar?

 

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publicado às 10:30

Luís Castro, o recém chegado treinador do FC Porto, disse ontem que o clube é favorito à conquista na Liga Europa.

A frase, que pode ter sido dita para moralizar os adeptos e os jogadores, depois da vitória frente ao Arouca, é um excesso ou faz sentido?

É claro que, vendo o que foi até aqui o ano do FC Porto, é natural que se tenha dúvidas sobre as reais capacidades da equipa.

Na Champions, o FC Porto teve um dos seus piores anos, com 3 derrotas e apenas 5 pontos.

E na eliminatória anterior da Liga Europa, não conseguiu vencer o Eintracht de Frankfurt.

Foram dois empates, 2-2 em casa e 3-3 fora, e o FC Porto só seguiu em frente devido aos golos fora.

No campeonato, as coisas também não andam brilhantes: 3º lugar, a 9 pontos do Benfica, e já com dificuldades evidentes para revalidar o título.

 

Contudo, a Liga Europa é uma prova diferente, onde o FC Porto tem tradições.

Venceu-a em 2011, com André Villas-Boas aos comandos, e venceu também a anterior Liga UEFA, em 2003, ainda com Mourinho.

Pelo seu passado recente, o FC Porto é uma das equipas mais fortes em competição, só sendo ultrapassado pela Juventus.

Mas, as estatísticas não ganham jogos, por isso quais são as reais possiblidades do clube vencer a Liga Europa?

O site Euro Club Index estima as probabilidades dos clubes vencerem as provas europeias, com base na performance deste ano e na estatística do passado.

Para o Euro Club Index, estes são os principais candidatos à vitória na Liga Europa, e as suas probabilidades:

 

Juventus, 25,7% de probabilidade de vencer a Liga Europa

Tottenham, 12,1%

Valência, 11,9%

Benfica, 10,8%

FC Porto, 8,7%

Nápoles, 7,7%

Sevilha, 5,4%

 

Olhando para estes números, vemos que faz sentido Luís Castro dizer que o FC Porto é um dos principais favoritos, como aliás já Mourinho dissera, uns dias antes.

Tanto o FC Porto como o Benfica são equipas fortes, e com possibilidades.

No entanto, ambas têm pela frente dois obstáculos perigosos, Nápoles e Tottenham.

Serão eliminatórias muito disputadas e ambas imprevisíveis, mas se olharmos para os números do Euro Club Index até podemos dizer que o FC Porto tem mais hipóteses de seguir em frente do que o Benfica.

Jorge Jesus já disse que o campeonato era prioritário, e portanto talvez a equipa não tenha o empenho total para ultrapassar o Tottenham.

Pelo contrário, o FC Porto já fixou o alvo, e quer conquistar a competição.

Veremos se consegue ultrapassar o difícil Nápoles de Benitez. 

 

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publicado às 12:52

Há muitos anos que oiço dizer que o FC Porto é o clube que tem o maior orçamento do futebol português.

Foi verdade várias vezes, mas este ano não é verdade.

Com os números já disponíveis para o primeiro semestre da época em que estamos, o Benfica gastou 49,9 milhões de euros, e o FC Porto ficou abaixo, nos 48,6 milhões de euros*. 

Se entendermos orçamento apenas como as despesas totais dos clubes (sem considerar as receitas); temos que há uma mudança muito importante este ano nas contas do futebol nacional.

Embora sejam ainda as contas só do primeiro semestre, mostram uma tendência evidente.

Este ano, o Benfica é quem tem o orçamento mais elevado!

Ora, a última vez que isto aconteceu foi precisamente na época em que o Benfica foi campeão pela última vez!

Em 2009/2010, no final do ano a despesa total do Benfica ascendeu a 72,5 milhões de euros, enquanto a do FC Porto se ficou pelos 52 milhões.

 

Porém, nas três últimas épocas, foi o FC Porto quem ficou à frente nas despesas totais.

Olhando para os relatórios de contas dos clubes, é fácil de verificar o que se passou.

Em 2010/2011, o FCP teve uma despesa total de 86,3 milhões de euros, e o Benfica ficou um pouco abaixo, nos 83,3 milhões de euros.

Em 2011/2012, a diferença foi um pouco maior, o FCP chegou aos 91,4 milhões de despesa, e o Benfica manteve-se nos 83,5.

No entanto, na época passada, a diferença entre os dois voltou a diminuir.

Em 2012/2013, o FCP gastou um total de 96,5 milhões de euros, e o Benfica ficou nos 92,6 milhões.

 

O que podemos concluir sobre isto?

A primeira conclusão importante a retirar é que o clube com maior orçamento costuma ser campeão.

Ou seja, quem gasta mais, ganha mais. 

Foi isso que se passou nas últimas quatro épocas, e tudo aponta para que se venha de novo a verificar este ano, pois a vantagem do Benfica no campeonato é bastante folgada.

A segunda conclusão a retirar é que uma das verdades mais repetidas no futebol português, de que o FC Porto tem mais do dobro do orçamento do Benfica, é totalmente falsa.

Uns anos tem um orçamento mais elevado, noutros fica abaixo, mas nada que se pareça a esses exageros de ter o dobro do orçamento!

 

* todos os números são retirados dos relatórios de contas dos clubes.

 

 

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publicado às 10:41

Há menos de um ano, Paulo Fonseca era o melhor jovem treinador de todos os tempos!

Em Maio, levara o Paços de Ferreira a um histórico 3º lugar no campeonato, e só perdera jogos contra Benfica e FC Porto.

Embora nunca tivesse ganho nada, nem na segunda liga nem taças, a carreira do Paços foi excelente, classificando-se o clube para o "play off" da Champions, e deixando o Braga a cheirar-lhe as canelas.

As pessoas examinavam os resultados do Paços e pasmavam.

Como era possível fazer tantos pontos, com tão pouco?

O valor do plantel do Paços era baixo, bem como a despesa salarial, mas a eficiência era elevadíssima.

Atingir uma impressionante percentagem de vitórias de 66,6% era um feito que só podia ser explicado, obviamente, pelo extraordinário talento de um jovem treinador, Paulo Fonseca, que ainda por cima parecia simpático, bem educado e "cool".

 

Era assim há 9 meses, apenas 9 meses, e Paulo Fonseca lá rumou ao Dragão para um bom contrato, e...o resto é história.

Relembro isto apenas para mostrar como é fácil construir mitos e fantasias sobre os treinadores.

No final da época passada, é bom recordar, o FC Porto despediu um treinador que lhe dera 2 campeonatos e 2 Supertaças.

Ninguém sabe bem porque partiu Vítor Pereira, mas talvez valha a pena fazer essa pergunta.

O que levou o FC Porto a trocar um treinador vencedor por uma jovem promessa? 

Não sei, mas sei que o fez, e quando o fez todos esqueceram rapidamente os méritos de Vítor Pereira, que eram muitos, e desataram a descobrir méritos em Paulo Fonseca, exagerando-os.

Era mais um jovem Midas, era evidente que ia resultar.

Pois...

 

E porque não resultou Paulo Fonseca no FC Porto? 

É evidente que terá cometido muitos erros, mas também é muito evidente que a qualidade deste plantel do FC Porto é bem menor.

Onde estão os génios como Hulk, Falcão, James Rodriguez, João Moutinho?

Não estão lá, e os que lá estão não têm o mesmo talento.

Quintero não vale um pé de James, e Quaresma não vale uma coxa de Hulk, e nem sequer vale a pena comparar Moutinho com aqueles rapazes que vagueiam pelo meio-campo...

Poderia Paulo Fonseca ter feito melhor?

Talvez sim, talvez não, mas duvido que conseguisse o que os seus antecessores conseguiram.

 

E é por isso que eu acho que Marco Silva devia refletir bem antes de dar um passo maior que a perna.

Tal como Paulo Fonseca o ano passado, este ano também todos os bem pensantes da bola consideram Marco Silva a melhor pepita de ouro do Oeste.

No entanto, e embora Marco Silva conte no currículo um título de campeão da segunda divisão com o Estoril, a verdade é que os seus resultados são...piores que os de Paulo Fonseca.

O ano passado, ficou em 5º com um plantel semelhante ao do Paços, que ficou em terceiro; e este ano está em 4º.

A sua percentagem de vitórias é de 53,3% na época passada, e de 66,6% este ano (tem 11 vitórias e 6 empates em 21 jogos).

Ou seja, nem no ano passado nem neste, Marco Silva foi melhor que o Paulo Fonseca do Paços.

 

E quais serão os jogadores que Marco Silva poderá contar na próxima temporada?

Se for para ficar com os mesmos que Paulo Fonseca, e se calhar sem Jackson, Fernando e Mangala, que têm muito mercado, o que poderá Marco Silva fazer?

O FC Porto precisa muito de se reforçar, a ainda muito mais se esses três jogadores saírem.

A qualidade dos recursos à disposição de Marco Silva terá de ser bem melhor.

Caso contrário, é muito elevado o risco do Dragão trucidar mais um "jovem treinador talentoso". 

 

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publicado às 11:47

Normalmente, quem paga mais é campeão.

A relação entre os salários de uma equipa e a os títulos de campeão é sempre muito forte, e faz sentido.

As equipas que têm os melhores jogadores e treinadores são normalmente mais bem sucedidas, e quem tem os melhores tem de lhes pagar muito bem.

Por isso, quem paga mais, tem mais possibilidades de ser campeão.

 

É isso que tem acontecido em Portugal, nos últimos doze anos.

Só por duas vezes, em 2002 e 2005, o campeão não foi o que gastava mais em salários.

Em 2003, 2004, o FC Porto de Mourinho foi campeão, e era o que gastava mais.

O mesmo se passou com o FC Porto de Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira, entre 2006 e 2009; e com o FC Porto de Villas-Boas e Vítor Pereira, entre 2011 e 2013.

Em todos esses anos, o FC Porto foi campeão e também foi a equipa que mais gastou em salários, e portanto a que melhor e mais bem pagos jogadores tinha.

E, no ano em que Jesus foi campeão, em 2010, foi o Benfica a equipa que mais gastou em salários, o que só confirma a regra que quem paga mais é, quase sempre, campeão.

 

E este ano, quem vai à frente na despesa em salários e quem vai à frente no campeonato? Pois é, o Benfica.

Segundo o relatório semestral à CMVM, o Benfica gastou com os seus jogadores e treinadores cerca de 23 milhões de euros em seis meses.

Já o FC Porto fica-se pelos 17,8 milhões de euros, bastante abaixo do rival, o que não é de estranhar, pois esta época não tem Hulk, Moutinho, James, e jogadores como Josué, Licá, Carlos Eduardo ou Ghilas ganham muito menos, e também valem muito menos.

 

A única coisa que é de estranhar não é o FC Porto estar atrás do Benfica, mas sim estar atrás do Sporting no campeonato.

Segundo o relatório de contas do Sporting, o clube gastou apenas 11,6 milhões de euros em salários de jogadores e treinadores, menos de metade do Benfica e bem menos que o FC Porto. 

Seria de esperar que o Sporting estivesse em 3º e o FC Porto em 2º, mas a inversão de posições pode ser explicada pelos méritos do treinador.

Leonardo Jardim consegue expandir e potenciar o que tem, mas Paulo Fonseca não o tem conseguido, e apesar de ter um plantel mais valioso e bem pago do que o clube de Alvalade, arrisca-se a acabar em terceiro.

Já Jorge Jesus, está a fazer o que se espera dele.

Com muito bons jogadores e muito bem pagos, está sem surpresas em primeiro lugar, e só um desastre grave impedirá o título.

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publicado às 12:15


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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