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Este campeonato foi aquele em que o dedo do treinador mais se sentiu.

No início do ano, Jesus foi confrontado com uma debandada geral.

Em poucos meses, partiram Garay, Siqueira, Rodrigo, Cardozo, Markovic, Oblack, André Gomes, e pouco tempo depois, Enzo Pérez.

A sombra da falência do BES pairava sobre a Luz, e muitos diziam que o Benfica estava a ficar de novo para tráz. 

 

Entretanto, a Norte, o FC Porto reforçava-se como há muito não o fazia.

Quando o campeonato arrancou, não havia uma alma que não dissesse que os azuis tinham a melhor equipa.

Incluindo eu, que me costumo guiar pela regra da maior despesa salarial.

Quem gasta mais em salários, costuma ser campeão.

Foi isso que aconteceu nas últimas nove temporadas, e previ que o FC Porto era o principal favorito. 

 

Porém, este ano não foi isso que aconteceu.

Mesmo com um plantel com menos talento, mesmo com o grande investimento dos dragões, Jesus conseguiu equilibrar a equipa e levá-la ao bicampeonato.

É um feito enorme, que mostra que Jesus não é apenas bom treinador quando tem a melhor equipa, mas também consegue grandes obras quando une os jogadores num único propósito.

E, este ano, o objectivo era o bicampeonato, não era a Europa.

Por isso, quando saímos da Champions, pressenti que havia um caminho definido, e acreditei que o Benfica se ia concentrar e chegar à meta à frente.

 

É verdade que, em certos momentos, foi preciso ser pragmático, e não encantador.

Mas, os campeões são os que são melhores que os outros, e a maior parte das vezes não são equipas-maravilha.

Este Benfica foi melhor que os rivais, e por isso foi campeão.

Ainda ontem se viu a fragilidade de Lopetegui e dos seus jogadores.

Quem não consegue ganhar na Madeira ao Nacional, e no Restelo ao Belenenses, não se pode queixar.

 

Jesus teve a experiência e a calma para tudo aguentar: a perda de jogadores, o desencanto europeu, a eliminação da Taça de Portugal, a pressão sobre os árbitros, os insultos e as intrigas tolas de Lopetegui.

A tudo reagiu com serenidade, e nunca se desconcentrou.

Este ano, provou que está um grande treinador, e sobretudo, um grande homem.

Parabéns para ele.

 

Uma palavra final para alguns jogadores que se destacaram.

Júlio César, a calma imperial na baliza, acabou com as angústias lá atrás.

Talisca, pela primeira parte do campeonato, onde resolveu vários jogos.

Gaitan, pela magia que sempre dá ao jogo.

 

Mas, há dois que foram os meus heróis este ano.

Jonas, um espectáculo de técnica e inteligência, um goleador de grande qualidade que muito brilhou.

E, por fim, o patinho feio, um central de quem eu muito desconfiava e que me conquistou: Jardel.

Pela tranqulidade, pelo empenhamento, pela força mental e pela segurança.

 

Há poucos centrais que podem dizer que fizeram um campeonato inteiro e apenas levaram 3 amarelos (!), e ainda marcaram vários golos absolutamente essenciais, como o de Alvalade.

Para mim, Jardel foi o melhor central do campeonato, e o jogador que mais se valorizou.

Parabéns para ele, e para todos os outros também.   

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publicado às 12:55


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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