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Já há vários anos, segundo os relatórios da Deloitte, que o Real Madrid é o clube de futebol que mais factura no mundo.

Em 2010, ia nos 438 milhões, e dois anos mais tarde, em 2012, já ia em 500 milhões de euros de receitas.

Este ano, ainda não saiu o relatório da Deloitte relativo à época 2012-2013, mas o Finantial Times já veio dizer que o Real atingiu um novo máximo, de 520,9 milhões de euros em receitas, somando bilhetes, patrocínios, direitos televisivos e outras receitas. 

Ainda segundo o mesmo jornal, o lucro líquido do clube subiu 52% em relação ao ano anterior, embora a época desportiva tenha sido decepcionante, pois Mourinho só ganhou a supertaça de Espanha, mas não venceu nem campeonato, nem taças nacionais, nem competições europeias. 

No entanto, o que mais me espantou foi a informação de que a dívida do Real Madrid está em 90,6 milhões de euros, o que é um valor muito baixo para um clube tão grande.

Para termos um termo de compração, a dívida de curto prazo do Benfica está quase nos 200 milhões de euros; a do FC Porto, anda pelos 70 milhões; e a do Sporting já está nos 100 milhões. 

Mesmo admitindo que o maior clube do mundo não precisa de rácios de endividamento tão altos como os nossos três grandes, 90 milhões parece-me um valor muito baixo, para quem contrata jogadores por valores tão elevados.

Em 2009, Ronaldo custou mais de 90 milhões, que foram todos financiados na banca, que até teve graves problemas com isso.

Os alegados 100 milhões que agora o Real pagou por Bale, vieram certamente do mesmo sector, embora não do mesmo banco.

É certo que o Real ganha fortunas colossais com os direitos televisivos (cerca de 140 milhões de euros só pelos jogos em casa do campeonato), e também se sabe que o novo patrocinador, a Emirates Airline, vai pagar cerca de 30 milhões por ano para aparecer nas camisolas.

Mas, as contas do Real Madrid devem ser examinadas com cuidado.

O clube, tal como o Barcelona, não é uma sociedade comercial, mas sim uma cooperativa, o que lhe permite não ter fins lucrativos, pagar menos impostos, e ter uma contabilidade diferente. 

Além disso, o Real ainda beneficia grandemente do acordo que fez com a câmara de Madrid, que lhe cedeu terrenos e permitiu a realização de ganhos extraordinários durante mais de uma década.

Todas estas razões levam-me a ser cuidadoso e desconfiado das contas do Real, e nomeadamente os números da dívida parecem-me demasiado baixos para serem verdadeiros.

Certamente por todas estas causas, há clubes que já se queixaram à Comissão Europeia. Foi o caso do Manchester United, que considera existir "concorrência desleal", pois Real e Barcelona beneficiam de benesses que os outros europeus não beneficiam.

A Comissão está a investigar, veremos o que decide. 

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publicado às 11:37



Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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