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Há uns meses atrás, Jorge Jesus estava nas ruas da amargura.

Tinha perdido o campeonato, e ajoelhado no estádio do Dragão, impotente para travar o FC Porto.

Tinha chorado no Jamor, por ter perdido a Taça contra o Guimarães.

E, ainda por cima, tinha sido enxovalhado por Cardozo, mostrando que não tinha mão nos jogadores.

Em suma, era um "looser", um homem a quem ninguém dava futuro.

Porém, de repente, à medida que o Benfica tem vindo a melhorar e a ganhar jogos, Jesus tem sido transformado num perigosíssimo manipulador de árbitros, e num arruaceiro que falta ao respeito à polícia!

Quem tenha ouvido o treinador do FC Porto, Paulo Fonseca, que defendeu que os empates de FC Porto e Sporting se deveram a erros de arbitragem que só existiram devido à maliciosa "estratégia de Jorge Jesus", não terá dúvidas.

Para Paulo Fonseca, Jesus é Deus, pois é omnipotente, consegue mandar em todos (nos árbitros e até na polícia); e omnipresente, conseguindo ganhar em três campos ao mesmo tempo: Alvalade, Amoreira e Guimarães.

Mas, há mais. Mal se viram as imagens de uma confusão no relvado de Guimarães, lá vieram muitos acusar Jesus de ter "agredido" a polícia! Crime, berram eles! Castigo e já, berram eles! 

Acho que devíamos ter um pouco mais de lucidez, pois transformar Jesus num exterminador implacável que ainda por cima dá "tau-tau" na polícia, é um manifesto exagero.

A situação em Guimarães descontrolou-se, é verdade, e Jesus cometeu actos incorrectos, mas houve mais coisas que correram mal.

Primeiro, a segurança falhou, deixando entrar adeptos para dentro do campo.

Segundo, na entrada dos adeptos não havia qualquer intenção violenta ou maligna. Eram apenas jovens eufóricos com a vitória, que queriam pedir as camisolas dos seus ídolos, os jogadores do Benfica.

Por isso, e em terceiro lugar, parece-me que a avaliação que a polícia e a segurança fizeram da gravidade da situação foi exagerada.

Não me parece necessário usar tanta força contra dois ou três rapazes que só querem abraçar os seus jogadores.

Acho que houve algum excesso de zelo da polícia, talvez não fossem necessários cinco matulões para neutralizar um jovem, nem talvez fosse necessário colocar joelhos nas costas ou dobrar braços.

Em quarto lugar, acho que Jorge Jesus teve uma reação semelhante aquela que muitos de nós temos quando vemos excesso de força da polícia sobre alguém. Normalmente, isso incomoda as pessoas, que tentam pedir à polícia para não ser tão dura.

Jesus deu mais um passo, e fez aquilo que muitos fazem quando há uma briga: tentou separar os intervenientes.

Tal como os professores tentam separar os alunos à bulha no recreio, ou como os amigos tentam separar alguém numa rixa de bar, nessa tentativa há que fazer algum esforço físico, e isso passou-se também com Jorge Jesus.

Foi incorreto? Sim, foi, pois não se deve fazer isso quando uma das partes é um agente da autoridade.

Contudo, não me parece que tenha existido qualquer agressão, ou tentativa de agressão. O que houve foi excesso de empolgamento na tentativa de separação.

É claro que é compreensível a excitação acusatória em que ficaram os adversários do Benfica. Se o castigo a Jesus neutralizar o treinador do Benfica algum tempo, isso é um bónus excelente para os adversários do Benfica.

Mas, também não vale a pena exagerar. Uma incorreção que devia ter sido evitada, não é o mesmo que uma agressão.

Quanto à "manipulação de árbitros" de que fala o treinador do FC Porto, é mais do mesmo.

Em Portugal, quem perde pontos, arranja sempre teorias da conspiração para justificar os seus fracassos.

Porém, talvez devessemos dar mérito a quem o teve. O Estoril fez um belo jogo, causou imensos problemas ao FC Porto e mereceu empatar.

O futebol é bem mais simples do que as pessoas pensam.

Quem joga bem, normalmente é recompensado, e isso passou-se com o Estoril, e já agora, com o Rio Ave, que também jogou bastante bem em Alvalade.  

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publicado às 10:45


2 comentários

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De José Pinho a 24.09.2013 às 15:24

1. sou portista
2. odeio quando a minha equipa se tenta justificar com os árbitros. É um privilégio dos pequenos e só dos pequenos. Ainda para mais no jogo de domingo, que vi, e cujo empate me pareceu mais que justificado.
3. fosse um técnico do FCP a fazer o que Jesus fez e já teria caído o Carmo e a Trindade. Basta ler o que disse ontem o Nuno Lobo (de cuja existência confesso que desconhecia).
4. Assino por baixo: "O futebol é bem mais simples do que as pessoas pensam."

Abraço

Zé Pinho
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De J.Nunes a 25.09.2013 às 12:51

Sr Domingos Amaral pelo que li o senhor deve de andar sempre com um isqueiro e uma lata de gasolina no bolso.
E como bom incendiário que é deve ter tido um lapso de memória e queimou tb a falta de personalidade e de honestidade do limpinho,,limpinho,,limpinho.
Faça-nos um favor deixe de mandar "bitaites" pq o senhor até de miopia sofre.
faça um favor ao desporto nacional e dedique-se á agricultura quem sabe não dará um melhor agricultor que um péssimo comentarista, incendiário com laivos de alzhaeimer e pior que míope!

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Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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oeconomistadabola@gmail.com

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