Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Há muitas maneiras diferentes de medir a performance de um treinador, mas nas escolas de economia do Desporto, há uma que é objectiva e aceite por todos.

É a percentagem de vitórias, ou "win percent".

Em desportos como o basquetebol ou o futebol americano, é simples, pois não existem empates. Ou se ganha, ou se perde.

Assim, se em 8 jogos, o treinador tiver ganho 6 e perdido 2, tem uma percentagem de vitórias de 75%, ou 6/8.

Mas, no futebol a coisa é mais complicada, pois o resultado dos jogos pode ser um empate. 

Ora, a percentagem de vitórias tem de levar em conta os empates, porque eles podem decidir a pontuação final dos clubes.

Não é a mesma coisa ter 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota, ou ter 6 vitórias e 2 empates. 

Assim, criou-se uma convenção internacional para o futebol que diz que a percentagem de vitórias se deve calcular dando 2 pontos às vitórias, 1 ponto aos empates, e depois divindindo essa soma pela máxima pontuação possível de obter, o número de jogos vezes dois pontos.

Escolheu-se dar 2 pontos às vitórias porque assim é possível fazer uma comparação histórica com o passado, quando as vitórias valiam apenas 2 pontos e não 3, o que me parece correcto. 

Nesse caso, uma equipa com 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota, teria uma percentagem de vitórias de: 6 vezes 2, mais 1 vezes 1, a dividir por um total de 8 vezes 2.

A fórmula seria ((6X2) + (1X1)/(8X2)), o que daria uma percentagem de vitórias de 81,25%, ou 13 pontos em 16 possíveis.

No caso em que a equipa tenha 6 vitórias e 2 empates, teríamos 14 pontos em 16 possíveis, ou uma percentagem de vitórias de 87,5%.

Portanto, ter mais empates, com o mesmo número de vitórias, dá um "win percent" mais elevado.

E é com este critério que se pode medir o trabalho de um treinador.

Qual é o "win percent" dos 3 principais treinadores portugueses até agora?

Paulo Fonseca disputou 10 jogos, 7 para o campeonato, 2 para a Champions e 1 na Supertaça.

Desses, venceu 8, empatou 1 e perdeu 1. Ou seja, em vinte pontos possíveis, conseguiu 17 (16 pelas 8 vitórias, mais 1 pelo empate).

O "win percent" de Paulo Fonseca, neste momento da época, é pois de 17/20, ou 85%, o que é muito bom.

E quanto a Leonardo Jardim, qual é o seu "win percent"?

O Sporting apenas disputou os 7 jogos do campeonato, tendo 5 vitórias e 2 empates.

Conseguiu pois 12 pontos em 14 possíveis, o que dá um "win percent" de 85,7%.

Leonardo Jardim está pois ainda melhor que Paulo Fonseca, embora se deva ressalvar que disputou menos 3 jogos.

Mas, é um resultado bastante bom. 

E quanto a Jorge Jesus?

O Benfica disputou 9 jogos, 7 para o campeonato e 2 para a Champions. Tem 5 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. 

Portanto, o Benfica tem 12 pontos em 18 possíveis, o que dá um "win percent" de 66,6%.

Jorge Jesus está pois bastante abaixo de Paulo Fonseca e de Leonardo Jardim.

E qual o "win percent" habitual de Jorge Jesus nas épocas anteriores? 

Na primeira época, em que foi campeão, o "win percent" foi de 86,6%.

Na segunda, a sua pior, o "win percent" foi de 71%.

Na terceira, foi de 80%; e na última época, apesar de não ter ganho qualquer título, chegou aos 88%, o melhor resultado de sempre!

É certo que ainda só estamos no início da época, e estes resultados ainda se podem alterar muito.

Contudo, com apenas 66,6% de vitórias, Jesus está numa situação complicada.

Ou o Benfica começa a ganhar jogos sem parar, ou se esta média se mantiver, dificilmente festejará no final.

Nenhuma grande equipa, em Portugal, pode ficar baixo dos 80% e vencer alguma coisa...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:15


2 comentários

Sem imagem de perfil

De frederico a 09.10.2013 às 12:13

Corrija-me se estiver enganado.
Fiz as contas à época do FC Porto 2006/2007, em que o mesmo foi campeão. O win percent relativo apenas à Liga Profissional, foi de 78%. São 2%, mas pode ficar abaixo dos 80%.
Imagem de perfil

De Domingos Amaral a 09.10.2013 às 12:39

Caro leitor, sim é verdade, houve anos em que quem foi campeão teve menos de 80%, como é também o caso do Benfica em 2005, mas nos últimos anos, os campeões tiveram sempre mais de 80%, foi essa a minha intenção na frase final. Cumprimentos, Domingos Amaral

Comentar post



Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


Contacto

oeconomistadabola@gmail.com

Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D