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Já se esperava há umas semanas, mas desta vez foi mesmo! Depois de perder 0-5 em casa com o Liverpool, André Villas-Boas foi despedido de treinador do Tottenham.

A razão foi a do costume: os resultados estavam muito àquem do esperado pelo chairman do clube, Daniel Levy, e sobretudo havia duas humilhantes derrotas já este ano, uma por 6-0, contra o Manchester City, e a já referida goleada em casa, aplicada pelo Liverpool.

 

Esta é já a segunda má experiência que AVB tem em Inglaterra, e provavelmente ser-lhe-á fatal, golpeando a sua carreira prematuramente num dos melhores mercados de futebol do mundo.

Há dois anos, no final de uma espectacular época ao serviço do FC Porto, onde venceu quase tudo (Supertaça, Campeonato, Liga Europa e Taça de Portugal) AVB tinha sido contratado pelo Chelsea, seguindo as pisadas de José Mourinho, com quem trabalhou muitos anos.

Porém, as coisas nunca lhe correram bem e meses mais tarde Abrahamovic mostrar-lhe-ia a porta da rua, dando-lhe de caminho uma choruda indemnização.

Para quem pagara 15 milhões de euros aos FC Porto por um treinador, talvez tenha sido uma decisão muito precipitada.

O Chelsea de AVB não estava assim tão mal e o seu substituto, Roberto Di Mateo, acabaria por vencer a primeira Champions do clube em Maio.

Só que Abrahamovic não tem paciência, nem os adeptos tinham muita com AVB. Para mais, dizia-se dele que não tinha mão nas grandes estrelas, Lampard, Drogba e companhia.

 

Depois desse primeiro fiasco, muitos esperaram um regresso a Portugal, e chegou a falar-se que o seu adjunto Vítor Pereira iria à vida, regressando AVB.

Não seria assim. No final da época, o Tottenham aparecia, apostando no jovem treinador português.

Apesar de ter perdido Modric logo no início da época, AVB faria uma boa temporada, ficando à porta da Champions, em 5º lugar.

É verdade que muitas das vitórias dependeram de um génio chamado Bale, mas havia certamente também mérito de AVB.

Só que a vida de um treinador é cada vez mais imprevisível, e em Inglaterra, por exemplo, há cada vez mais despedimentos prematuros na Premier League.

 

Quais as razões para mais esta saída involuntária de AVB?

Em primeiro lugar, é óbvio, estão os maus resultados. As goleadas humilham e desmoralizam, além de tirarem pontos.

Com o sexto maior orçamento da Premier League, o Tottenham está em 7º classificado, com o mesmo número de pontos do 6º, o Newcastle, e à frente do Manchester United.

É sobretudo em casa que as coisas têm corrido mal, com 3 derrotas em 8 jogos.

Os sócios protestam, o ambiente degradou-se, e quando é assim é certo e seguro que o primeiro a partir é o treinador.

Mas, há quem diga que o plantel foi mal construído, que houve divergências entre AVB e Daniel Levy, e que este não contratou os jogadores pedidos pelo treinador.

 

É uma explicação habitual, que protege o treinador, mas a verdade é que o investimento foi considerável, e talvez as expectativas tenham subido demais.

Sem qualquer título conquistado, e apesar de uma boa carreira na Liga Europa, AVB ficou à merce dos resultados, e a goleada do Liverpool foi-lhe fatal.

De qualquer forma, em termos de percentagens de vitórias, AVB não ia nada mal.

Com 44 vitórias, 20 empates e 16 derrotas em 80 jogos, a sua percentagem de vitórias era de 67,5% e é o segundo melhor treinador de sempre do Tottenham, apenas abaixo de Frank Brettell, que tem uma percentagem de 68,2%, mas obtida em 1898! 

É certo que não entra na lista dos 10 melhores de sempre da Premier League, onde Mourinho ainda lidera, com 81,3% de percentagem de vitórias, mas não se pode dizer que estes fossem maus resultados.

AVB sai, não porque tenha maus resultados gerais, mas porque teve maus resultados específicos que humilharam o clube, as já referidas goleadas.

 

 

E como será o futuro próximo de AVB?

Para já, a única vantagem para o treinador português é a choruda indemnização que irá receber. Fala-se em 9 milhões de euros.

AVB é, neste momento, um homem rico. De insucesso em insucesso, a sua conta bancária tem crescido exponencialmente. 

Regressará ele ao FC Porto, à sua cadeira de sonho? É possível.

A carreira de Paulo Fonseca nos dragões tem sido irregular, e depois de um bom princípio a equipa desceu muito de qualidade, teve uma Champions muito fraca e perdeu a liderança do campeonato.

Pinto da Costa não costuma mudar de treinador, as últimas duas vezes que o fez deram maus resultados, e não foi campeão.

Mas, se Paulo Fonseca perder na Luz, e ficar ainda mais para trás no campeonato, não me admirava que AVB o substituísse.

Não poderia ganhar os 4,5 milhões de euros que o Tottenham lhe pagava, mas ganharia mais que Paulo Fonseca e daria uma alegria aos sócios dragões, que o adoram.

A acontecer alguma coisa, deverá ser em Janeiro.

É um dos meses do ano em que há sempre muitos despedimentos no futebol internacional!

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publicado às 10:28



Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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