Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Ontem, em Alvalade, o Sporting venceu o FC Porto com um golo...em fora de jogo.

Depois de uma semana de gritos e fúrias nas redes sociais.

Depois da direção do clube ter emitido um comunicado a declarar que iria "processar" os árbitros, a Liga e a Federação Portuguesa de Futebol, por causa dos prejuízos causados ao clube.

Depois disso tudo, eis que o futebol mostra que é mesmo uma caixinha de surpresas e o Sporting vence à conta de um clamoroso erro de arbitragem.

Como dizia Pimenta Machado, em futebol o que hoje é verdade, amanhã é mentira.

Agora, já nenhum sportinguista tem legitimidade para falar, e as fúrias foram caladas oportunamente.

 

Fica assim mais uma vez demonstrado que estas fúrias contra as arbitragens são absolutamente inúteis.

Não vale a pena os clubes estarem com estes "movimentos", com estas "indignações", com estes "basta", e com estas ameaças de processos.

Isso não leva a lado nenhum, e na semana seguinte até podemos ter de meter a viola no saco, pois é a nossa vez de sermos beneficiados.

O que podem agora dizer os sportinguistas?

E o que achariam se o FC Porto viesse dizer que vai processar Pedro Proença, a Liga e FPF pelos prejuízos causados, uma vez que, à conta da derrota de ontem, quase ficou fora da Liga dos Campeões?

São muitos milhões perdidos, não é verdade?

 

A teoria de que o Sporting foi impedido de jogar para o título devido às arbitragens mostrou ontem a sua imbecilidade.

Ninguém no seu juízo perfeito nega que houve erros que prejudicaram o clube em alguns jogos, mas também os sportinguistas não podem negar que houve jogos em que foram beneficiados, como o de ontem.

Dizer que o Sporting foi "roubado" em 7 pontos é um exagero, pois ainda por cima parte de um vício de raciocíno disparatado.

Quando um golo é anulado, como foi em Setúbal ao Sporting, e no final o resultado é 2-2, porque é que todos partem do pressuposto que o resultado final devia ser 3-2 para o Sporting?

É evidente que, se o golo não tivesse sido anulado, a única coisa que podemos dizer é que ficava 1-0 nesse momento, mas quem sabe o que aconteceria até ao final?

A narrativa do jogo teria mudado, e é abusivo dizer que o resultado final teria sido 3-2, pois essa "realidade paralela" nunca aconteceu! 

 

Mas, em futebol toda a gente vive, não para ser intelectualmente honesto, mas para defender os seus clubes.

Toda a gente se enfurece, e toda a gente dá como certos os pontos que lhes roubaram, como se isso fosse garantido, mesmo sem erros de árbitros.

Os sportunguistas sentem que perderam pontos, mas a partir de ontem, já não podem fazer o papel de vítimas sem corar.

Agora, também ganharam pontos com erros crassos dos árbitros, e por isso o "Basta" morreu de morte súbita.

 

PS: E será que os adeptos do FC Porto ainda consideram Pedro Proença o melhor árbitro nacional? 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:44

Foi uma noite muito boa para os clubes portugueses na Liga Europa.

O Benfica fez um jogo enorme em Londres, vencendo o Tottenham por 1-3.

É muito difícil virar uma eliminatória depois de perder em casa, e ainda para mais quando se atravessa uma crise de confiança.

Ontem, o Tottenham mostrou todas as suas debilidades.

Tem bons jogadores, mas não é uma boa equipa.

Os jogadores não acreditam nas jogadas que fazem, e cometem erros atrás de erros.

Em comparação, o Benfica foi uma equipa concentrada, confiante, segura, e letal perto da baliza.

Em seis ou sete remates, fez 3 golos, e nunca deixou os ingleses controlar o jogo.

Talvez agora o dono do Tottenham já tenha percebido que mudar de treinador não resolveu nada.

André Villas-Boas foi despedido só por causa de duas duras derrotas por goleada, mas tinha melhor percentagem de vitórias do que Tim Sherwood.

Que não parece ter talento ou conhecimento para dar a volta às aflições.

Só uma calamidade impedirá o Benfica de seguir em frente.

 

O FC Porto também esteve bem, e a vitória contra o Nápoles é justa mas é curta.

No entanto, o 1-0 é um resultado dificílimo de virar, e a maior parte das equipas que ganha 1-0 na primeira mão segue em frente.

O San Paolo é um estádio com um ambiente terrível, mas o FC Porto tem experiência nessas situações, e pode aguentar a pressão.

Luís Castro está a conseguir estabilizar a equipa, e duas vitórias aumentaram a confiança dos jogadores.

Se o FC Porto jogar mais ligado, com um meio-campo mais consistente e compacto, será um osso muito duro de roer para o Nápoles.

Benitez, é certo, tem muito mais experiência, e adora provas a eliminar, onde é bem mais forte do que nos campeonatos.

E a equipa tem armas poderosas, desde Higuain a Hamsik, passando por Calejon e Zapata.

Será certamente um jogo muito interessante e bem disputado, mas para já a vantagem é do FC Porto.

 

Quanto aos adversários, alguns apontamentos curiosos:

- O Valência está praticamente apurado, mas a Juventus, que todos dizem ser o clube mais forte da Liga Europa, não conseguiu melhor que empatar em casa, 1-1, com a Fiorentina. A segunda mão, em Florença, não será fácil para a equipa de Conte, que apesar de dominar o campeonato, não consegue bons resultados nas competições europeias.

- Se a Juventus cair, Benfica e FC Porto, se passarem, ganham o estatuto de principais favoritos, ao lado do Valência e da Fiorentina.

- Dos outros clubes, os únicos perigosos são o Lyon, e o imprevisível Red Bull Salzburg, que tem sido uma excelente surpresa este ano.

Será que a Red Bull dá mesmo asas ao clube austríaco? E até onde pode ele voar?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:30

Há muitos anos que oiço dizer que o FC Porto é o clube que tem o maior orçamento do futebol português.

Foi verdade várias vezes, mas este ano não é verdade.

Com os números já disponíveis para o primeiro semestre da época em que estamos, o Benfica gastou 49,9 milhões de euros, e o FC Porto ficou abaixo, nos 48,6 milhões de euros*. 

Se entendermos orçamento apenas como as despesas totais dos clubes (sem considerar as receitas); temos que há uma mudança muito importante este ano nas contas do futebol nacional.

Embora sejam ainda as contas só do primeiro semestre, mostram uma tendência evidente.

Este ano, o Benfica é quem tem o orçamento mais elevado!

Ora, a última vez que isto aconteceu foi precisamente na época em que o Benfica foi campeão pela última vez!

Em 2009/2010, no final do ano a despesa total do Benfica ascendeu a 72,5 milhões de euros, enquanto a do FC Porto se ficou pelos 52 milhões.

 

Porém, nas três últimas épocas, foi o FC Porto quem ficou à frente nas despesas totais.

Olhando para os relatórios de contas dos clubes, é fácil de verificar o que se passou.

Em 2010/2011, o FCP teve uma despesa total de 86,3 milhões de euros, e o Benfica ficou um pouco abaixo, nos 83,3 milhões de euros.

Em 2011/2012, a diferença foi um pouco maior, o FCP chegou aos 91,4 milhões de despesa, e o Benfica manteve-se nos 83,5.

No entanto, na época passada, a diferença entre os dois voltou a diminuir.

Em 2012/2013, o FCP gastou um total de 96,5 milhões de euros, e o Benfica ficou nos 92,6 milhões.

 

O que podemos concluir sobre isto?

A primeira conclusão importante a retirar é que o clube com maior orçamento costuma ser campeão.

Ou seja, quem gasta mais, ganha mais. 

Foi isso que se passou nas últimas quatro épocas, e tudo aponta para que se venha de novo a verificar este ano, pois a vantagem do Benfica no campeonato é bastante folgada.

A segunda conclusão a retirar é que uma das verdades mais repetidas no futebol português, de que o FC Porto tem mais do dobro do orçamento do Benfica, é totalmente falsa.

Uns anos tem um orçamento mais elevado, noutros fica abaixo, mas nada que se pareça a esses exageros de ter o dobro do orçamento!

 

* todos os números são retirados dos relatórios de contas dos clubes.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:41

Há menos de um ano, Paulo Fonseca era o melhor jovem treinador de todos os tempos!

Em Maio, levara o Paços de Ferreira a um histórico 3º lugar no campeonato, e só perdera jogos contra Benfica e FC Porto.

Embora nunca tivesse ganho nada, nem na segunda liga nem taças, a carreira do Paços foi excelente, classificando-se o clube para o "play off" da Champions, e deixando o Braga a cheirar-lhe as canelas.

As pessoas examinavam os resultados do Paços e pasmavam.

Como era possível fazer tantos pontos, com tão pouco?

O valor do plantel do Paços era baixo, bem como a despesa salarial, mas a eficiência era elevadíssima.

Atingir uma impressionante percentagem de vitórias de 66,6% era um feito que só podia ser explicado, obviamente, pelo extraordinário talento de um jovem treinador, Paulo Fonseca, que ainda por cima parecia simpático, bem educado e "cool".

 

Era assim há 9 meses, apenas 9 meses, e Paulo Fonseca lá rumou ao Dragão para um bom contrato, e...o resto é história.

Relembro isto apenas para mostrar como é fácil construir mitos e fantasias sobre os treinadores.

No final da época passada, é bom recordar, o FC Porto despediu um treinador que lhe dera 2 campeonatos e 2 Supertaças.

Ninguém sabe bem porque partiu Vítor Pereira, mas talvez valha a pena fazer essa pergunta.

O que levou o FC Porto a trocar um treinador vencedor por uma jovem promessa? 

Não sei, mas sei que o fez, e quando o fez todos esqueceram rapidamente os méritos de Vítor Pereira, que eram muitos, e desataram a descobrir méritos em Paulo Fonseca, exagerando-os.

Era mais um jovem Midas, era evidente que ia resultar.

Pois...

 

E porque não resultou Paulo Fonseca no FC Porto? 

É evidente que terá cometido muitos erros, mas também é muito evidente que a qualidade deste plantel do FC Porto é bem menor.

Onde estão os génios como Hulk, Falcão, James Rodriguez, João Moutinho?

Não estão lá, e os que lá estão não têm o mesmo talento.

Quintero não vale um pé de James, e Quaresma não vale uma coxa de Hulk, e nem sequer vale a pena comparar Moutinho com aqueles rapazes que vagueiam pelo meio-campo...

Poderia Paulo Fonseca ter feito melhor?

Talvez sim, talvez não, mas duvido que conseguisse o que os seus antecessores conseguiram.

 

E é por isso que eu acho que Marco Silva devia refletir bem antes de dar um passo maior que a perna.

Tal como Paulo Fonseca o ano passado, este ano também todos os bem pensantes da bola consideram Marco Silva a melhor pepita de ouro do Oeste.

No entanto, e embora Marco Silva conte no currículo um título de campeão da segunda divisão com o Estoril, a verdade é que os seus resultados são...piores que os de Paulo Fonseca.

O ano passado, ficou em 5º com um plantel semelhante ao do Paços, que ficou em terceiro; e este ano está em 4º.

A sua percentagem de vitórias é de 53,3% na época passada, e de 66,6% este ano (tem 11 vitórias e 6 empates em 21 jogos).

Ou seja, nem no ano passado nem neste, Marco Silva foi melhor que o Paulo Fonseca do Paços.

 

E quais serão os jogadores que Marco Silva poderá contar na próxima temporada?

Se for para ficar com os mesmos que Paulo Fonseca, e se calhar sem Jackson, Fernando e Mangala, que têm muito mercado, o que poderá Marco Silva fazer?

O FC Porto precisa muito de se reforçar, a ainda muito mais se esses três jogadores saírem.

A qualidade dos recursos à disposição de Marco Silva terá de ser bem melhor.

Caso contrário, é muito elevado o risco do Dragão trucidar mais um "jovem treinador talentoso". 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:47

Normalmente, quem paga mais é campeão.

A relação entre os salários de uma equipa e a os títulos de campeão é sempre muito forte, e faz sentido.

As equipas que têm os melhores jogadores e treinadores são normalmente mais bem sucedidas, e quem tem os melhores tem de lhes pagar muito bem.

Por isso, quem paga mais, tem mais possibilidades de ser campeão.

 

É isso que tem acontecido em Portugal, nos últimos doze anos.

Só por duas vezes, em 2002 e 2005, o campeão não foi o que gastava mais em salários.

Em 2003, 2004, o FC Porto de Mourinho foi campeão, e era o que gastava mais.

O mesmo se passou com o FC Porto de Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira, entre 2006 e 2009; e com o FC Porto de Villas-Boas e Vítor Pereira, entre 2011 e 2013.

Em todos esses anos, o FC Porto foi campeão e também foi a equipa que mais gastou em salários, e portanto a que melhor e mais bem pagos jogadores tinha.

E, no ano em que Jesus foi campeão, em 2010, foi o Benfica a equipa que mais gastou em salários, o que só confirma a regra que quem paga mais é, quase sempre, campeão.

 

E este ano, quem vai à frente na despesa em salários e quem vai à frente no campeonato? Pois é, o Benfica.

Segundo o relatório semestral à CMVM, o Benfica gastou com os seus jogadores e treinadores cerca de 23 milhões de euros em seis meses.

Já o FC Porto fica-se pelos 17,8 milhões de euros, bastante abaixo do rival, o que não é de estranhar, pois esta época não tem Hulk, Moutinho, James, e jogadores como Josué, Licá, Carlos Eduardo ou Ghilas ganham muito menos, e também valem muito menos.

 

A única coisa que é de estranhar não é o FC Porto estar atrás do Benfica, mas sim estar atrás do Sporting no campeonato.

Segundo o relatório de contas do Sporting, o clube gastou apenas 11,6 milhões de euros em salários de jogadores e treinadores, menos de metade do Benfica e bem menos que o FC Porto. 

Seria de esperar que o Sporting estivesse em 3º e o FC Porto em 2º, mas a inversão de posições pode ser explicada pelos méritos do treinador.

Leonardo Jardim consegue expandir e potenciar o que tem, mas Paulo Fonseca não o tem conseguido, e apesar de ter um plantel mais valioso e bem pago do que o clube de Alvalade, arrisca-se a acabar em terceiro.

Já Jorge Jesus, está a fazer o que se espera dele.

Com muito bons jogadores e muito bem pagos, está sem surpresas em primeiro lugar, e só um desastre grave impedirá o título.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:15

Ontem, Benfica e FC Porto fizeram o que se esperava, e seguiram em frente na Liga Europa.

Na Luz, o Benfica confirmou que é claramente mais forte do que o PAOK, vencendo com facilidade.

Em Frankfurt, o jogo foi espectacular, o FC Porto esteve com um pé fora, mas recuperou epicamente, e o empate 3-3 garantiu a passagem.

É na Liga Europa que os clubes portugueses mais podem ter sucesso, pois a Champions está fora do nosso alcance neste momento.

Quem tem visto os jogos percebe que equipas como o Real Madrid, o Bayern, o Barcelona, o Paris Saint Germain, o Dortmund, o Chelsea ou o Atlético de Madrid estão noutra galáxia.

Mesmo o City ou o Arsenal, já para não falar no Zenit e no Schalke, não têm qualquer hipótese de seguir em frente.

Repare-se que o FC Porto teve muitas dificuldades contra o 13º da Bundesliga, o Eintracht; mas o Real Madrid goleou o Schalke em Gelsenkirchen por 6-1.

Há uma diferença colossal entre certas equipas europeias e as nossas, e por isso é preferível ser bom na Liga Europa em vez de ser humilhado na Champions.

 

Agora, seguem-se dois adversários muito fortes. Para o FC Porto, o Nápoles; para o Benfica, o Tottenham.

Comparem-se as qualidades em ambos os confrontos, para estimar as probabilidades das equipas portuguesas.

Em termos de ranking da UEFA, o FC Porto é o 11º, enquanto o Nápoles é o 31º. 

Nos últimos cinco anos, o FC Porto é uma equipa mais habituada do que a italiana a jogar bem na Europa.

Porém, se olharmos apenas para o coeficiente desta época, o Nápoles está à frente, pois fez uma fase de grupos da Champions bem melhor.

Quanto a treinadores, os italianos levam vantagem: Benitez é muito mais experiente que Paulo Fonseca, já venceu uma Champions e uma Liga Europa, com Liverpool e Chelsea.

Em termos de valor do plantel, segundo o site transfermarkt, o do Nápoles vale 253 milhões de euros, e tem jogadores muito bons como Reina, Hamsik, Higuain, Callejón, embora a defesa não seja muito forte.

Já o FC Porto, tem um plantel avaliado em 183 milhões de euros, com Jackson, Mangala e Fernando.

É difícil dizer quem é mais forte, e internamente estão ambos em 3º nas respectivas ligas, um pouco abaixo do que se esperava.

Segundo o Euro Club Index, o Nápoles tem mais possibilidades de chegar à final (8,8%) do que o FC Porto (5,5%), mas a diferença é curta.

Será uma eliminatória imprevisível, com uma pequena vantagem para os italianos, pois jogam a segunda mão em casa.

 

No caso do Benfica e dos ingleses, as coisas são também equilibradas.

No ranking da UEFA, o Benfica é o 6º classificado, enquanto o Tottenham está apenas em 19º lugar.

No ano passado, os Spurs ficaram-se pelos quartos-de-final da liga Europa, tendo sido eliminados pelo Basileia, enquanto o Benfica chegou à final de Amesterdão.

No que toca a treinadores, parece-me que o Benfica tem clara vantagem, pois Jesus é muito mais experiente e bem sucedido do que Tim Sherwood.

Já quanto ao valor dos plantéis, são os ingleses têm vantagem.

No transfermarkt, o clube inglês tem uma equipa avaliada em 271 milhões de euros, com jogadores como Lloris, Vertonghen, Dembelé, Eriksen, Lamela, Lennon, Soldado ou Adebayor

Quanto ao Benfica, tem uma equipa avaliada em 190 milhões de euros, com jogadores como Garay, Salvio, Gaitan, Cardozo ou Markovic.

Porém, segundo o Euro Club Index, o Benfica tem mais possibilidades de chegar à final que o Tottenham, 12,4% contra 6% dos ingleses, o que demonstra uma certa vantagem encarnada.

Será também uma eliminatória muito equilibrada e empolgante, embora me pareça que o Benfica é ligeiramente favorito, até porque joga a segunda mão na Luz.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:16

Será que Benfica e FC Porto têm boas hipóteses de vencer a Liga Europa?

A resposta é sim, sobretudo o Benfica.

No site Euro Club Index, onde se calcula a probabilidade que cada clube tem de vencer uma determinada competição, baseado em cálculos estatísticos que levam em conta os resultados e a força da equipa, o Benfica está em 2º lugar.

Ou seja, o Benfica é o segundo candidato mais forte à Liga Europa, com uma probabilidade de vitória de 12,4%.

Está logo a seguir à Juventus, que tem uma probabilidade de vencer de 25,7%, e à frente do Valência, cuja probabilidade é de 10,4%.

 

Este estatuto não admira, pois o Benfica é neste momento o 6º no ranking da UEFA, com 112693 pontos acumulados.

Quando Jesus pegou na equipa há cinco anos, era o 26º ou 27º, e tem vindo sempre a subir.

É pois uma equipa muito forte na Europa, e na quinta-feira dificilmente se deixará surpreender pelo PAOK.

O clube grego é o 60º no ranking da UEFA, e o site Euro Club dá-lhe uma propabilidade de 0% de vencer a Liga Europa.

E, se compararmos o valor dos dois plantéis, a diferença é igualmente profunda: o do Benfica vale 190,7 milhões de euros, e o do PAOK vale apenas 58,75 milhões de euros, o que é menos que o plantel do Braga.

Não é pois provável que o PAOK possa surpreender a Luz, e o Benfica seguirá em frente.

 

E quanto ao FC Porto, como é que estamos?

Devido ao mau resultado da primeira mão, o FC Porto caiu no ranking do Euro Club.

Há uma semana, era o quarto candidato mais forte a vencer a Liga Europa, mas agora está em 7º lugar, com uma probabilidade de vitória na Liga Europa de apenas 5,5%.

É menos que o Benfica, mas ainda assim coloca o FC Porto como uma das equipas com mais responsabilidades na competição, que já venceu.

Será estranho que uma equipa como o Eintracht de Frankfurt consiga eliminar o FC Porto, pois a diferença entre as duas equipas é considerável.

No mesmo índice do Euro Club, o Eintracht é apenas a 15ª equipa com possibilidades de vencer a Liga Europa, com uma probabilidade muito pequena, de 1,5%.

 

E, se compararmos o ranking da UEFA, as diferenças também são muito cavadas: o FC Porto é o 11º no ranking da UEFA, com 97693 pontos nas últimas cinco épocas, enquanto o Eintracht não passa do 78º lugar, com apenas 26985 pontos acumulados.

O valor dos plantéis também apresenta diferença considerável.

Segundo o transfermarkt, o plantel do FC Porto vale 183,2 milhões de euros, enquanto o do Eintracht vale apenas 83,8 milhões de euros, menos que o plantel do Sporting.

Portanto, será uma desilusão o FC Porto ser eliminado pela equipa alemã, mas a verdade é que o FC Porto tem este ano surpreendido pela negativa, e por isso ser eliminado é uma real possibilidade. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:52

Os adeptos de futebol tem, cada vez mais, a estranha tendência de achar que despedir o treinador muda alguma coisa.

Não é verdade: a grande maioria das vezes não muda quase nada.

Sim, há excepções, mas são raras, eu diria mesmo raríssimas, sobretudo quando o despedimento é feito em fase tardia da época.

Despedir um treinador em Agosto ou mesmo em Outubro, ainda dá muito tempo ao seguinte para tentar melhorar as coisas.

Fazê-lo em Fevereiro é praticamente inútil, pois o novo treindador pouco tempo tem para trabalhar.

 

O despedimento do treinador é uma espécie de descarga psicológica colectiva, mas traz poucas melhorias reais.

Num estudo feito para a Premier League, a inglesa Sue Bridgewater mostrou que depois do despedimento há normalmente uma ligeira melhoria, mas ao fim de poucos jogos regressa-se ao ponto onde se estava antes, ou mesmo a um ponto mais baixo.

Quase sempre, o processo de despedimento implica a perda de oito ou nove pontos, e torna impossível qualquer recuperação.

E fica-se mais ou menos na mesma, como aconteceu recentemente com o Tottenham, que despediu Villas-Boas e três meses depois está na mesma posição em que estava.

 

O despedimento de um treinador pode criar uma ilusão, mas é normalmente uma falsa ilusão.

Na verdade, os recursos à mão do próximo treinador serão os mesmos, e os jogadores não melhoram de um dia para o outro, nem aprendem um novo sistema em poucos dias.

Em vez de despedir Paulo Fonseca agora, agarrando-se à fantasia de que ainda é possível ser campeão, o FC Porto devia talvez preparar a próxima época melhor do que preparou esta, e olhar para as evidentes lacunas e falta de qualidade do seu plantel, preparando um regresso em força.

Paulo Fonseca pode ter os seus defeitos e ter cometido erros, mas os adeptos do FC Porto têm de se lembrar que ele não tem Hulk, Falcão, James, Moutinho, Guarin, Alvaro Pereira, Lucho, e que os jogadores que tem são de muito menor qualidade.

Josué, Licá, Herrera, Carlos Eduardo, Defour, não têm pedalada para os voos a que ambiciona a equipa, e mesmo Quaresma é um salvador da Pátria tardio e problemático.

Sem jogadores talentosos, há pouco que se possa fazer. 

 

A carreira de Paulo Fonseca tem sido boa? Não, é evidente que está muito abaixo do que se esperava.

Venceu a Supertaça, e ainda entrou bem no campeonato, mas depois começou a cair muito.

A Liga dos Campeões foi muito fraca, com 3 derrotas e apenas 5 pontos.

Porém, continua na Liga Europa, nas Taças de Portugal e da Liga, e no campeonato, embora o atraso seja importante, quem pode garantir que até ao final da época Benfica e Sporting não fraquejam também?

Os dois últimos anos dão razão a Pinto da Costa, que continua a querer manter Paulo Fonseca.

Também Vítor Pereira foi muito contestado, sobretudo na primeira época, e também ele andou muitos pontos atrás do Benfica, mas conseguiu recuperar e no final foi campeão dois anos seguidos.

A história pode não se repetir uma terceira vez, mas faz todo o sentido o presidente do FC Porto não ceder à pressão da rua.

 

Até porque, se examinarmos o histórico do FC Porto no que toca a despedimentos de treinadores, veremos que nunca essa solução deu bons resultados. 

Em 2001/2002, Pinto da Costa despediu Octávio, e foi buscar Mourinho ao Leiria.

No entanto, o clube não foi campeão, e só conseguiu o terceiro lugar, atrás de Sporting e Boavista.

A mudança de treinador pouco alterou.

Também em 2004/2005 se verificou algo semelhante. Apesar de ter uma grande equipa, que fora campeã da Europa, a orfandade da saída de Mourinho causou grande perturbação, e o clude despediu Del Neri, e meses depois o seu substituto, Fernandez.

Couceiro, o terceiro treinador desse ano, também não conseguiu ser campeão, e ficou atrás do Benfica de Trapattoni.

Portanto, das últimas duas vezes que despediu treinadores, o FC Porto não ganhou nada com isso. 

É pouco provável que este ano a história fosse diferente.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:09

Eusébio nasceu em Janeiro, Ronaldo em Fevereiro, tal como Chalana e Futre.

Platini, Messi e Zidane, por seu lado, nasceram os três em Junho.

O que têm eles em comum? Nasceram todos no primeiro semestre, entre Janeiro e Junho.

Quer isto dizer que há mais probabilidade de se ser um bom jogador de futebol se nascermos no primeiro semestre do ano?

Pelos vistos, é assim.

As crianças nascidas na primeira parte do ano são mais avançadas nos primeiros anos da vida, o que aumenta a sua possibilidade de serem escolhidos pelos olheiros nas escolas de futebol.

Aos sete ou oito anos, e por vezes até mais tarde, aos 13 ou 14, os nascidos no primeiro semestre são mais altos, mais fortes, mais desenvolvidos, e isso aumenta as suas hipóteses.

 

É evidente que esta regra geral tem muitas excepções (Pelé nasceu em Outubro, Figo em Novembro), mas a verdade é que há mais jogadores nascidos no primeiro semestre do que no segundo.

Examinemos por exemplo as 16 equipas do campeonato português, pegando nos plantéis iniciais tal como aparecem nos Cadernos A Bola para a época 2013/2104.

12 equipas têm mais jogadores nascidos no primeiro semestre do que no segundo.

Eis a lista, seguida da percentagem de jogadores nascidos entre Janeiro e Junho:

 

Benfica - 68% dos jogadores nascidos no primeiro semestre

Nacional - 65,2%

Marítimo - 65,2%

Rio Ave - 62,5%

V. Setúbal - 62,5%

Arouca - 62,5%

Olhanense - 61,9%

Sporting - 60%

Paços de Ferreira - 59%

Estoril - 52%

V. Guimarães - 52%

FC Porto - 52%

 

Além destes, temos o Belenenses, que tem 50% de jogadores nascidos em cada parte do ano, e apenas 3 equipas que têm menos jogadores nascidos no primeiro do que no segundo semestre, que são o Gil Vicente (48% nascidos entre Janeiro e Junho); o Braga (45,8%); e por fim a Académica (43%).

Portanto, se o seu filho nasceu no primeiro semestre do ano, tem mais possibilidades de vir a ser um jogador de futebol, mas se nasceu no segundo, pode sempre ir tentar a sua sorte para Coimbra!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:38

Em relação há meses atrás, o Benfica tem vindo a melhorar, o FC Porto estabilizou e o Sporting perdeu alguma eficência.

O indicador que aqui costumo usar é o das percentagens de vitórias, com cada empate a valer meia-vitória.

Dá-se 2 pontos por vitória, 1 por empate, e depois divide-se pelo máximo de pontos possíveis nos jogos já disputados.

 

Assim, o Benfica disputou 32 jogos, em todas as competições oficiais.

Tem 24 vitórias, 5 empates e apenas 3 derrotas (uma no campeonato e duas na Champions).

Soma 48 pontos pelas vitórias e mais 5 pelos empates, ou seja 53, num total de pontos possíveis de 64 (32 x 2).

A percentagem de vitórias do Benfica de Jesus é pois de 82,8%.

Melhorou um pouco em relação a Janeiro, quando tinha 82,1%.

Veremos agora como vai esta percentagem ser afectada pelo início da Liga Europa.

 

Quanto ao FC Porto, disputou 33 jogos, mais um que o Benfica, pois esteve na Supertaça.

Tem 21 vitórias, 6 empates e 6 derrotas (3 no campeonato e 3 na Champions).

Soma 42 pontos pelas vitórias, mais 6 pelos empates, ou seja 48 num total de 66 possíveis (33 x 2).

A percentagem de vitórias do FC Porto de Paulo Fonseca é pois de 72,7%.

Subiu um pouco em relação a Janeiro, onde estava nos 72,4%.

Também neste caso teremos de ver como vai ser afectada esta percentagem pela Liga Europa, e ainda não se sabe igualmente se o FC Porto vai ou não continuar na Taça da Liga.

 

Por fim, o Sporting, que é o que tem menos jogos disputados, apenas 24, pois não está nas competições europeias.

Tem 15 vitórias, 6 empates e 3 derrotas (2 para o campeonato e 1 na Taça de Portugal).

Soma 30 pontos pelas vitórias, mais 6 pelos empates, ou seja 36 num total de pontos possíveis de 48 (24 x 2).

A percentagem de vitórias do Sporting de Leonardo Jardim é pois de 75%.

Há que ter em conta que fez menos jogos que os rivais, mas também que desceu, pois em Janeiro este número estava nos 78,5%.

E está ainda pendente a questão da Taça da Liga, para ver se o Sporting continua só numa frente, ou abre uma segunda.

 

Em conclusão: o Benfica tem vindo a melhorar os seus números desde Outubro, o FC Porto quebrou muito até ao Natal, mas depois estabilizou, e o Sporting teve duas pequenas quedas, mas continua com bons resultados. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:32


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.

Contacto

oeconomistadabola@gmail.com

Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D