Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O FC Porto tem tido uma anómala sequência de maus resultados.

Nos últimos cinco jogos, por exemplo, obteve 4 empates e apenas uma vitória, para a Taça, com o Guimarães.

Não conseguiu ganhar nem na Champions, empates com Zenit fora e com o Áustria de Viena em casa, nem no campeonato, empates com o Belenenses no Restelo e no Dragão com o Nacional.

Embora ainda não esteja arredado da Champions, é evidente que os resultados são muito abaixo do que se esperava.

No Dragão, o FC Porto não conseguiu ganhar nenhum dos 3 jogos, acumulando duas derrotas, com Atlético de Madrid e Zenit, e um empate, contra o fraquíssimo Áustria.

E, no campeonato, em apenas duas jornadas, o FC Porto viu esfumar-se uma importante vantagem de quatro pontos perante Benfica e Sporting, e lidera agora com apenas um ponto mais que os rivais.

 

Como explicar esta anormal perda de eficácia?

É claro que podemos dizer que Paulo Fonseca não está a demonstrar as qualidades esperadas, e não tem capacidade de liderança para um clube com o grau de exigência do FC Porto.

É possível, mas a verdade é que no arranque da época, a eficácia do FC Porto estava lá, e houve uma notável sequência de bons resultados.

Poderemos também dizer que os problemas de Pinto da Costa podem afetar o balneário, mas é pouco provável que exista uma ligação imediata, pois o incidente com a saúde do presidente foi no meio da série má, e não antes.

Quanto a mim, a explicação é mais profunda, e tem a ver com a qualidade dos jogadores.

Em Junho, o FC Porto vendeu dois grandes talentos, James e Moutinho, e essas saídas representaram uma perda importante, não estando os substitutos à altura.

Josué e Licá, por melhor que joguem, não valem o mesmo. Varela é intermitente, e nas alas há menos qualidade.

Quintero pode ser adorado pelos sócios, mas a verdade é que não joga muito, talvez por problemas físicos.

Lucho, por outro lado, está mais velho; e Herrera e Defour não são craques.

Por fim, há a estranha tristeza de Jackson, que parece não estar feliz nem inspirado, provavelmente porque desejava estar noutro clube desde o Verão.

Ao mesmo tempo, aquela que todos dizem ser a melhor defesa de Portugal - Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro - comete erros estranhos, parecendo os jogadores desconcentrados.

Há menos qualidade este ano no FC Porto, e mesmo a que ainda existe, que é muita, parece desligada e com falhas de confiança.

 

Um dos indicadores que aqui costumo apresentar, muito usado nas escolas de economia e gestão, é a percentagem de vitórias, ou "win percent".

A convenção internacional aplico, defende que para calcular o "win percent" se deve multiplicar por 2 o número de vitórias, e por 1 o número de empates, e depois dividir essa soma pelo total máximo de pontos que se pode obter, ou seja 2 vezes o número total de jogos.

Assim, sabemos que o FC Porto, até agora, já disputou um total de 18 jogos (10 no campeonato, 5 na Champions, 2 na Taça e 1 na Supertaça). 

Tem 11 vitórias, 5 empates e 2 derrotas. 

Tem um total de pontos de 22 (2 x 11 vitórias) mais 5 (1x5 empates), ou seja 27, em 36 possíveis (2 x 18). 

O win percent do FC Porto é portanto de 75% (27 a dividir por 36).

Há dois meses atrás era de 85% e há um mês atrás era de 76,6%.

O FC Porto tem vindo pois a piorar desde há dois meses, o que é um motivo claro de preocupação.

 

E o Benfica, como está?

O Benfica comandado por Jorge Jesus disputou até agora 17 jogos, menos 1 que o FC Porto, pois não jogou a Supertaça.

Tem 11 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, o que dá um total de 25 pontos (2x11+3) em 34 possíveis (2x17).

O Benfica tem pois um win percent de 73,5%.

Subiu bastante, há dois meses este indicador estava em 66,6% e há um mês estava em 67,8%. 

 

O Sporting de Leonardo Jardim tem uma situação um pouco diferente, pois disputou apenas 12 jogos, uma vez que não está nas competições europeias.

Venceu 8, empatou 2 e foi derrotado por 2 vezes.

Tem 18 pontos (2x8 + 2) em 24 possíveis (2 x 12).

O win percent do Sporting é pois de 75%, idêntico ao do FC Porto e um pouco acima do Benfica, mas com menos jogos.

Também desceu nos últimos tempos, estava em 85,7% há dois meses, e em 80% no início de Novembro.

 

A conclusão que estes números mostram é pois óbvia: o Benfica está em clara ascensão, depois de ter começado mal a época, o FC Porto está em evidente perda, e o Sporting também perdeu alguma eficiência.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:24

Depois de mais uma ronda de Liga de Campeões, confirma-se o que já aqui escrevi, que tanto o FC Porto como o Benfica têm muito poucas hipóteses de fazer boa carreira na prova.

A final, que este ano se disputa na Luz, parecia no início da época uma grande motivação para ambos.

O FC Porto dizia que gostava de ganhar a prova em casa do seu maior rival, e o Benfica dizia que queria ganhar a final em sua casa!

Ambas as afirmações me pareceram sempre um pouco delirantes, e ao fim de quatro jogos na Champions, acho que muitos já têm a mesma opinião que eu.

O FC Porto está a fazer uma prova muito abaixo do que é habitual, e já perdeu dois jogos em casa, com Zenit e Atlético.

O Benfica também não está melhor, com duas derrotas, em Paris e Atenas, sendo que esta última foi com o concorrente directo para o segundo lugar, o Olympiakos.

Embora matematicamente ambas se possam ainda apurar, começa a ser difícil.

Veremos o que nos dizem as próximas jornadas, mas com a eficácia mediana que têm apresentado, dificilmente as duas equipas portuguesas podem ir muito longe na competição.

O mais certo, neste momento, é ambas caírem para a Liga Europa, onde seriam certamente candidatas claras a chegar à final.

 

E como estamos de percentagens de vitórias?

Como os meus leitores habituais sabem, esse é um indicador que uso muito, pois é muito útil para fazer comparações em economia do desporto.

No futebol, a percentagem de vitórias calcula-se dando 2 pontos a cada vitória, e 1 a cada empate, somando o total, e dividindo depois pelo número máximo de pontos que se podia obter se tivessemos vitórias nos jogos todos.

Assim, um clube com 1 vitória e 1 empate, tem uma percetagem de vitórias de (2+1/4), ou 75%.

É um critério internacional, e dá-se 2 pontos por vitória para que os números possam ser comparados com o passado, quando era essa a pontuação.

 

Qual a percentagem de vitórias do FC Porto, de Paulo Fonseca?

Entre Supertaça, Campeonato, Champions e Taça, o FC Porto já disputou 15 jogos.

Obteve 10 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, ambas na Champions.

Ou seja, somou 23 pontos em 30 possíveis, e tem portanto uma percentagem de vitórias, ou "win percent", de 76,6%

Há um mês atrás estava bem melhor, em 85%, mas desceu um bom bocado, o que mostra que os resultados estão a piorar.

 

E qual a percentagem de vitórias do Benfica, de Jorge Jesus?

O Benfica disputou 14 jogos, menos um que o FC Porto, pois não jogou a Supertaça.

Venceu 8 jogos, empatou 3, e teve 3 derrotas, uma no campeonato e duas na Champions.

Ou seja, somou 19 pontos (2x8 + 3) em 28 possíveis (2 x 14), o que dá uma percentagem de vitórias de 67,8%.

Subiu ligeiramente no último mês (estava em 66,6%), mas ainda está muito abaixo do ano passado, onde chegou aos oitenta e tal por cento.

 

Por fim, qual a percentagem de vitórias do Sporting, de Leonardo Jardim?

É preciso recordar que o Sporting tem apenas 10 jogos disputados, nove para o campeonato e um para a Taça.

Desses, venceu 7, empatou 2 e foi derrotado uma vez, no Dragão.

Ou seja, somou 16 pontos (7x2 + 2), em 20 possíveis (10 x 2), o que dá uma percentagem de vitórias de 80%.

Também desceu um pouco, no último mês estava em 85,7%, e embora apresente um valor mais elevado do que os adversários, há que levar em conta que o grau de dificuldades dos jogos foi menor, pois não disputou jogos na Europa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:00

Há uns meses atrás, Jorge Jesus estava nas ruas da amargura.

Tinha perdido o campeonato, e ajoelhado no estádio do Dragão, impotente para travar o FC Porto.

Tinha chorado no Jamor, por ter perdido a Taça contra o Guimarães.

E, ainda por cima, tinha sido enxovalhado por Cardozo, mostrando que não tinha mão nos jogadores.

Em suma, era um "looser", um homem a quem ninguém dava futuro.

Porém, de repente, à medida que o Benfica tem vindo a melhorar e a ganhar jogos, Jesus tem sido transformado num perigosíssimo manipulador de árbitros, e num arruaceiro que falta ao respeito à polícia!

Quem tenha ouvido o treinador do FC Porto, Paulo Fonseca, que defendeu que os empates de FC Porto e Sporting se deveram a erros de arbitragem que só existiram devido à maliciosa "estratégia de Jorge Jesus", não terá dúvidas.

Para Paulo Fonseca, Jesus é Deus, pois é omnipotente, consegue mandar em todos (nos árbitros e até na polícia); e omnipresente, conseguindo ganhar em três campos ao mesmo tempo: Alvalade, Amoreira e Guimarães.

Mas, há mais. Mal se viram as imagens de uma confusão no relvado de Guimarães, lá vieram muitos acusar Jesus de ter "agredido" a polícia! Crime, berram eles! Castigo e já, berram eles! 

Acho que devíamos ter um pouco mais de lucidez, pois transformar Jesus num exterminador implacável que ainda por cima dá "tau-tau" na polícia, é um manifesto exagero.

A situação em Guimarães descontrolou-se, é verdade, e Jesus cometeu actos incorrectos, mas houve mais coisas que correram mal.

Primeiro, a segurança falhou, deixando entrar adeptos para dentro do campo.

Segundo, na entrada dos adeptos não havia qualquer intenção violenta ou maligna. Eram apenas jovens eufóricos com a vitória, que queriam pedir as camisolas dos seus ídolos, os jogadores do Benfica.

Por isso, e em terceiro lugar, parece-me que a avaliação que a polícia e a segurança fizeram da gravidade da situação foi exagerada.

Não me parece necessário usar tanta força contra dois ou três rapazes que só querem abraçar os seus jogadores.

Acho que houve algum excesso de zelo da polícia, talvez não fossem necessários cinco matulões para neutralizar um jovem, nem talvez fosse necessário colocar joelhos nas costas ou dobrar braços.

Em quarto lugar, acho que Jorge Jesus teve uma reação semelhante aquela que muitos de nós temos quando vemos excesso de força da polícia sobre alguém. Normalmente, isso incomoda as pessoas, que tentam pedir à polícia para não ser tão dura.

Jesus deu mais um passo, e fez aquilo que muitos fazem quando há uma briga: tentou separar os intervenientes.

Tal como os professores tentam separar os alunos à bulha no recreio, ou como os amigos tentam separar alguém numa rixa de bar, nessa tentativa há que fazer algum esforço físico, e isso passou-se também com Jorge Jesus.

Foi incorreto? Sim, foi, pois não se deve fazer isso quando uma das partes é um agente da autoridade.

Contudo, não me parece que tenha existido qualquer agressão, ou tentativa de agressão. O que houve foi excesso de empolgamento na tentativa de separação.

É claro que é compreensível a excitação acusatória em que ficaram os adversários do Benfica. Se o castigo a Jesus neutralizar o treinador do Benfica algum tempo, isso é um bónus excelente para os adversários do Benfica.

Mas, também não vale a pena exagerar. Uma incorreção que devia ter sido evitada, não é o mesmo que uma agressão.

Quanto à "manipulação de árbitros" de que fala o treinador do FC Porto, é mais do mesmo.

Em Portugal, quem perde pontos, arranja sempre teorias da conspiração para justificar os seus fracassos.

Porém, talvez devessemos dar mérito a quem o teve. O Estoril fez um belo jogo, causou imensos problemas ao FC Porto e mereceu empatar.

O futebol é bem mais simples do que as pessoas pensam.

Quem joga bem, normalmente é recompensado, e isso passou-se com o Estoril, e já agora, com o Rio Ave, que também jogou bastante bem em Alvalade.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:45


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.

Contacto

oeconomistadabola@gmail.com

Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D