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Amanhã, se Deus quiser, estarei em Turim para assistir à final da Liga Europa. 

Será a primeira final a que vou desde o longínquo ano de 1983, onde assisti na Luz à segunda mão da final da Taça UEFA.

De então para cá, vi as outras finais na televisão, mesmo a do ano passado.

Mas, desta vez não resisti. Consegui bilhetes, marquei avião, e lá estarei com o meu querido filho Duarte, no estádio onde fomos felizes há duas semanas.

 

Uma final fica sempre para a história. Quem não se lembra das finais onde estiveram equipas portuguesas, onde esteve a seleção?

Quem não se lembra das épicas finais da Champions, fossem quem fossem os finalistas?

Sim, lembramo-nos sempre, ganhem os nossos ou não.

É evidente que ganhar uma final é uma coroação gloriosa, mas estar lá já é inesquecível.

E o Benfica, pela segundo ano consecutivo, está lá.

 

É o Benfica o favorito, como dizem muitos?

Numa final nunca há favoritos, mas há equipas que à partida são consideradas mais fortes.

No entanto, nem sempre os mais fortes vencem.

Que o diga Portugal, que perdeu contra a Grécia.

Que o diga o Bayern de Munique, que perdeu duas Champions consecutivas, contra equipas que todos consideravam menos fortes que os alemães, o Inter e o Chelsea.

 

Agora, que o Benfica, pelo que já fez, e pela equipa que tem, é mais forte que o Sevilha, isso parece-me claro.

O plantel do Benfica, nos sites da especialidade, está avaliado em 189,2 milhões de euros, enquanto o do Sevilha vale 112,4 milhões.

A folha de salários anuais do Benfica anda pelos 48 milhões de euros, enquanto a do Sevilha anda pelos 40 milhões.

Há mais jogadores de qualidade no Benfica (Oblak, Garay, Luisão, Gaitan, Lima, Rodrigo, Cardozo, Ruben Amorim) do que no Sevilha (Beto, Reyes, Bacca, Rakitic e o lateral esquerdo que não recordo agora o nome).

No ranking da UEFA, que leva em consideração os últimos cinco anos de competições europeias, o Benfica está em 6º, enquanto o Sevilha se fica pela 25ª posição.

 

Nas respectivas Ligas, o Benfica ficou em 1º, foi campeão com 85% de percentagem de vitórias, enquanto o Sevilha deverá ficar em 5º, com uma percentagem de vitórias de 58%.

Em 30 jogos, o Benfica marcou 58 golos e sofreu 18, enquanto que em 37 jogos o Sevilha marcou 66 golos e sofreu 51, o que revela uma defesa bastante vulnerável!

Em termos de Liga Europa, e comparando apenas os resultados desde os oitavos de final, pois o Benfica esteve na Champions durante a fase de grupos, temos que o Benfica venceu 6 jogos e empatou 2, apresentando uma percentagem de vitórias de 87,5%, marcando 14 golos e sofrendo apenas 4.

Já o Sevilha, nos mesmos oito jogos, venceu 4, empatou 1 e perdeu 3, uma percentagem de vitórias de 56,25%, tendo marcado 13 golos e sofrido 10.

Além disso, o Sevilha só eliminou o Bétis nos penalties, e só eliminou o Valência no último minuto dos descontos, enquanto o Benfica nunca esteve em desvantagem em nenhuma das quatro eliminatórias.

 

Observando estes resultados e números, podemos dizer que o Benfica parece mais forte, mas agora terá de o provar na final.

O Sevilha parece ter uma defesa mais frágil, mas tem um ataque capaz de provocar estragos, e tem uma capacidade psicológica muito forte, pois aguenta bem e recupera, mesmo em situações muito difíceis.

O único ponto fraco que encontro neste Benfica é a célebre maldição de Bela Guttman, o treinador húngaro que um dia saiu zangado da Luz, dizendo que sem ele o clube nunca voltaria a vencer finais europeias.

A verdade é que de então para cá, perdeu sete finais, e a maldição parece estar viva.

Mas, como todos sabemos, em todas as histórias em que existem maldições há sempre um príncipe encantado que um dia aparece e quebra a maldição.

Aquilo que espero é que Jesus e os jogadores sejam os príncipes encantados do Benfica e acabem com esta história infantil de uma vez por todas!

Lá estarei, emocionado, a assistir à Segunda Grande Batalha de Turim, e mais uma vez, espero que o meu Benfica saia vencedor.

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publicado às 12:56



Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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