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Se há coisa que tem espantado nos últimos tempos no FC Porto é a gestão dos recursos humanos, leia-se jogadores.

Ao longo de décadas, o clube habituou as pessoas a uma gestão exímia, sem demasiadas turbulências.

Enquanto no Benfica e no Sporting havia casos e melodramas, no FC Porto parecia reinar sempre uma calma imperial, mesmo quando havia problemas.

Porém, nos últimos tempos, os erros sucedem-se, bem como as declarações de insatisfação de muitos jogadores.

Há os que saíram zangados e em conflitos, como Rolando, Atsu ou mais recentemente Fucile.

Há as apostas absurdas, como Liedson e Izmailov.

Há os capitães que não se sabe se vão ou não continuar no clube, como Helton ou Lucho.

Há os fenómenos que nunca explodiram e tiveram de ser emprestados, como Iturbe.

Há os que querem sair para melhor, embora admitam esperar, mesmo insatisfeitos, como Otamendi, Mangala ou Jackson.

Há os que querem sair já, por esta ou aquela razão, como Quintero ou Defour.

E há ainda Fernando, que não se sabe se vai renovar, e caso não o faça é uma perda total, pois termina o contrato em Junho e pode sair a custo zero.

No onze principal, por exemplo, tirando os laterais Danilo e Alex Sandro, o extremo Varela, e os recém-contratados Josué, Licá e Carlos Eduardo, quase todos parecem ter dúvidas se ficam ou não. 

É evidente que, nos dias que correm, é quase impossível impedir os jogadores de falar em público, mas o somatório de todas estas declarações, dúvidas, zangas e falhanços, deixa uma impressão geral de perturbação e falta de concentração.

A ideia que dá é que o compromisso dos jogadores com o clube é menor, e que muitos estão com a cabeça noutro lado e insatisfeitos.

Pelos vistos, nem a estrutura consegue estabilizar os discursos e as expectativas dos jogadores, nem o treinador os consegue focar nos jogos.

Talvez por isso, a equipa não consiga jogar muito bem, e pareça desligada.

Pela primeira vez em muitos anos, o balneário do FC Porto não parece remar todo para o mesmo lado, e isso nota-se.

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publicado às 10:24



Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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