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Há muitos anos que tal não se verificava, e por isso trata-se de um momento histórico para os clubes de Lisboa.

Tanto a SAD do Benfica como a SAD do Sporting deram lucro na época 2013/2014.

É uma raridade cada um deles dar lucro, e é uma raridade darem ambos lucro ao mesmo tempo, mas só pode ser considerado bom sinal.

 

Comecemos pelo Sporting.

O valor dos lucros é ainda curto, 368 mil euros, mas o que é importante de realçar é a grande recuperação que o clube consegue apenas numa época.  

Em 2012/2013, os prejuízos tinham sido de 43,8 milhões de euros, uma tragédia colossal.

Ora, em apenas uma época, o clube consegue inverter de negativo para positivo, o que é notável.

 

Como eu sempre aqui escrevi, Bruno de Carvalho tem tomado excelentes medidas de gestão.

Como gestor, tem dado provas de saber o que está a fazer, embora a sua imagem mediática ainda tenha muito para melhorar.

A poupança nos gastos operacionais é enorme, tendo o clube gasto menos 36 milhões de euros em despesas gerais, e menos 3 milhões de euros em gastos financeiros.

Como as receitas operacionais também subiram um pouco, mais 5 milhões de euros, o resultado final é positivo.

 

Portanto, o clube não só conseguiu uma época desportiva bastante bem sucedida, tendo ficado em 2º lugar no campeonato, e garantido a classificação directa para a Champions; como conseguiu uma boa época económica, estabilizando e estancando a sangria dos anos anteriores.

Goste-se ou não de Bruno de Carvalho, a verdade é que nas duas frentes ele foi bem sucedido, conseguindo um início de um pequeno círculo virtuoso que o clube já não vivia há vários anos.

 

O grande desafio é a continuação, mas pelo que tenho visto, o Sporting não perdeu a cabeça, e ainda bem. 

Não se pôs a gastar à louca em contratações, e tentou reforçar o plantel dentro das suas possibilidades.

Nani é um bom jogador, e Marco Silva, apesar dos problemas iniciais, parece ser bom treinador.

Espera-se é que o Sporting não entre de novo em auto-destruição ao primeiro solavanco, pois este é o caminho, mas não se pode ter pressa.

 

Passemos ao Benfica. 

Como aqui já tinha previsto, este foi o melhor ano de sempre do Benfica em quase três décadas.

Desportivamente, ganhou todos os títulos nacionais (Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça) e ainda foi finalista na Liga Europa.

E financeiramente, regressou aos lucros, tendo obtido um resultado positivo de 14,1 milhões de euros.

Depois de cinco anos consecutivos de prejuízos, o Benfica volta ao lucro, e a subida é muito relevante, pois o ano passado tinham sido 10,3 milhões de prejuízos.

 

Os grandes responsáveis por estes resultados positivos são 3: a Benfica TV, as provas europeias, e a venda de jogadores.

Nos direitos televisivos, o Benfica passou de uma facturação de 8 milhões no ano anterior, para 28,1 milhões de euros, mais que triplicando as suas receitas neste item.

Os prémios da UEFA, da fase de grupo da Champions, da Liga Europa e ainda a receita por a final da Champions ter sido na Luz, ultrapassaram os 22 milhões de euros.

Com estes dois números tão relevantes, o clube ultrapassou pela primeira vez na sua história os 100 milhões de euros em receitas operacionais, o que é um feito extraordinário num mercado tão curto como o português.

 

A isto ainda há que somar as receitas extraordinárias.

Na venda dos jogadores, foram essenciais as transacções de Matic, Rodrigo e André Gomes, logo em Janeiro, o que representou uma receita líquida da SAD de mais de 58 milhões de euros, aos quais ainda há a acrescentar as vendas de Melgarejo, Rodrigo Mora, Garay e Kardec.

Tudo somado, as receitas chegam ao notável número de 184,7 milhões de euros, o que confirma a existência de um círculo virtuoso no clube.

 

Houve investimento forte, houve títulos, houve receitas fortes, e por isso o clube está de boa saúde e recomenda-se.

O grande desafio deste ano é repetir os bons resultados, o que não será fácil, pois o FC Porto investiu muito e tem este ano um plantel mais forte que o Benfica. 

Será que a estabilidade e os novos jogadores vão conseguir tão bom como no ano passado?

Teremos de ver como tudo acaba, por agora é cedo.  

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publicado às 10:41


1 comentário

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De Paulo Teixeira a 23.09.2014 às 10:42

Caro Domingos,

No post anterior, afirmou quer o transfermarkt é um bom site de avaliação do valor económico de jogadores e clubes. Mas nesse mesmo site comprovamos que o Roberto Gago foi mesmo vendido ao insolvente Saragoça em 2011 por 8,6 M€, e confesso que fiquei gago... Todavia, já nem estranho o transfermarkt ter emprestado Rodrigo ao Valencia. Aliás, não me parece que a opacidade, ou que a pouca transparência, tomou conta das contas do Benfica.

Bom, entroncando no seu livro : Porque é que o FC Porto é Campeão e o Benfica só ganha Taças da Liga, e a questão orçamental que desempata Campeonatos. Frequentemente o FC Porto é apontado como o Clube com maior orçamento em Portugal, os Guias Record ou A Bola criam essa falacia, por exemplo na temporada passada, o Benfica apresentou um orçamento superior, e não era essa a opinião do senso comum, aliás, desde a temporada 2008/09 (com Quique), os orçamentos de FC Porto e Benfica equivalem-se, todavia o FC Porto ganhou nesse período 4 Campeonatos, e o Benfica fez quase um Penta na Taça da Liga.

Bem, para esta temporada, a Admnistração do Benfica, e a Comunicação social transmitiram uma ideia que o orçamento para o Futebol teria emagrecido, e fica a pergunta será verdade?

Ora vamos fazer um mero exercicio simples. Do plantel que terminou a temporada passada saíram 10 jogadores: Oblak, Garay, Siqueira, André Gomes, Markovic, Cavaleiro, Rodrigo, Djuricic, Cardozo e Funes Mori. Destes 10 jogadores, Garay e Cardozo emagreceram a folha salarial. Em contraste entraram/regressaram nesta temporada 15 jogadores: Julio Cesar, Lisandro, Cesar, Eliseu, Benito, Samaris, Cristante, Talisca, Pizzi, Ola John, Bebe, Jara, Jonas, Derley e Nelon Oliveira. Isto é, sairam 10, e entraram 15 jogadores, saíram 2 jogadores com salarios elevados (Garay e Cardozo), e entraram Julio Cesar que prescindiu dos 3,5 M€ do QPR, e Jonas que tinha um salario a rondar os 1,8 M€ liquidos no Valência, provavelmente ambos, desprezaram salários elevados, e outros contratos tentadores, pelo amor incondicional que revelam ao Benfica. E a questão que coloco é muito simples, será que o Orçamento do Benfica emagreceu relativamente à temporada passada?

Observando os encaixes no ultimo ano (Agosto 2013 a Agosto 2014) de FC Porto e Benfica, com valores acima dos 10 M€, o Benfica vendeu: Rodrigo, Matic, A Gomes, Oblak e Markovic e encaixou 98 M€, o FC Porto em igual período vendeu: James, Moutinho, Otamendi, Mangala e Fernando e gerou 124 M€ de encaixes nesta rubrica. Isto é, o melhor Benfica dos ultimos 30 anos encaixou 98 M€ com a venda de 5 jogadores, o pior FC Porto dos ultimos 30 anos, encaixou em igual período 124 M€ com a venda de 5 activos.

Bom, concluindo a chegada de LF Vieira ao Benfica foi providencial, está no 12º ano na Presidencia (é já o Presidente do Benfica com maior longevidade), e acrescenta mandatos desportivos (ganhou Vieira: 3 Campeonatos e 2 T Portugal, sendo que o FC Porto nesses ultimos 12 anos, venceu 9 Campeonatos, 3 T Europeias, 1 Intercontinental, e 5 T Portugal, nunca o FC Porto ganhou tanto cá dentro, como lá fora como nestes ultimos 12 anos), todavia, Vieira acumula também mandatos financeiros ou um qualquer "milagre das rosas". Bem, o MBA em Gestão Desportiva que LF Vieira fez no pujante e prospero Alverca FC, ajuda-nos a explicar este extraordinario sucesso desportivo e os recorrentes milagres financeiros que o Benfica tem acumulado.

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Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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