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Hoje, há duas pessoas que estão de parabéns: Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira.

O ano passado, Jesus acabou a época esfrangalhado, desolado, e batido.

Tinha feito um excelente trabalho, mas em apenas 3 jogos tinha perdido o título, a Liga Europa e a Taça de Portugal.

Pior: tinha ajoelhado no Dragão, situação que muitos viram como uma humilhação.

Ainda se lembram como estava o coração dos benfiquistas o ano passado?

Pois é, a grande maioria dos adeptos estava enfurecida com Jorge Jesus e queria vê-lo partir.

E não eram só os adeptos, também na SAD e nas televisões muitos diziam que a hora da saída tinha chegado.

 

Fui dos poucos que, em público e em privado, defendi fortemente a continuação de Jorge Jesus.

Não fazia qualquer sentido quebrar o seu vínculo com o Benfica, pois o trabalho tinha sido excelente.

Não foi outro treinador que levou o Benfica a uma final europeia, nem foi outro treinador que o levou do 26º até ao 6º lugar no ranking da UEFA.

Não se atira fora com um treinador que tem feito um excelente trabalho com jogadores, valorizando-os, e que qualificou sempre o clube para a Champions.

Portanto, tal como o Bayern de Munique, que um ano antes também tinha perdido tudo e manteve Heynckes; o Benfica fez muito bem em manter Jesus.

Parabéns pois a Luís Filipe Vieira pela coragem e pela capacidade de decisão, evitando o que era mais fácil, e segurando o treinador nas horas mais duras.

 

Muhammed Ali, o campeão do boxe, disse um dia que "não se mede o carácter de um homem pelo número de vezes que cai no chão, mas pelo número de vezes que se levanta do chão e continua a lutar".

Assim foi com Jesus: caiu, foi vaiado e insultado, mas levantou-se do chão e voltou a lutar.

Acima de tudo, não perdeu a sua convicção e a sua disponibilidade para o trabalho.

Com empenho, recuperou a equipa, e aprendeu com os erros.

 

Se há ano em que é possível dizer que Jesus evoluiu como treinador é este.

Nos anos anteriores, o Benfica era uma cavalaria vertiginosa a caminho da baliza, mas expunha-se muito e defendia menos bem.

Este ano, o Benfica mudou um pouco o seu DNA, já não é tão sôfrego a procurar a baliza, defende melhor, faz mais circulação de bola, mantém a posse, e está uma grande equipa.

Além disso, Jesus conseguiu um feito notável: mudam os jogadores mas a equipa joga da mesma forma.

Entra um, sai outro, mudam 3, 5 ou 6 jogadores, e não se nota.

Um por todos, todos por um, o lema do clube, raramente foi tão verdade numa equipa, e isso é mérito de Jesus.

 

É claro que os jogadores merecem tudo, foram enormes este ano, e todos sem excepção contribuíram para a vitória.

Mas, antes deles, há duas pessoas e essas merecem mesmo os parabéns, sobretudo porque tudo foi tão difícil no ano passado.

Para forjar o carácter dos grandes homens, as grandes derrotas são tão essenciais como as grandes vitórias.

Foi na dor que Vieira e Jesus se ergueram, e foi com a dor que se tornaram invencíveis este ano.

Como diz Fernando Pessoa: "Quem quer passar o Bojador, tem de passar além da dor".

Eles passaram e depois venceram!

Parabéns a ambos por este título tão saboroso e merecido!

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publicado às 11:27



Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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