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Tem sido uma semana histórica para o futebol português.

Numa segunda-feira, Eusébio é homenageado na Luz e enterrado com o Rei que era.

Na segunda-feira seguinte, Ronaldo é coroado como o novo Rei do futebol português.

Um e outro são jogadores absolutamente fabulosos, e é um orgulho vivermos num país que conseguiu gerar gente deste calibre estratoesférico.

 

É por isso que me incomoda ouvir gente dizer mal do futebol, e desprezar títulos desta grandeza.

O que seríamos nós sem o futebol? Será que não se dá valor aos prémios de uma pequena nação, que com apenas 10 milhões de pessoas consegue feitos absolutamente anormais para um país da sua dimensão?

Comparemos com outros países europeus semelhantes a nós, como a Suíça, a Suécia, a Áustria, a Bélgica, a Grécia, a República Checa.

Quantos deles geraram os melhores jogadores do mundo? Pois é, nenhum!

E quantos conseguem ter clubes a disputar taças europeias e seleções a ir a meias-finais de europeus e mundiais?

Pois é, com a excepção da Grécia, que foi campeã da Europa em 2004, nenhum desses países, como aliás muitos outros, consegue colocar jogadores, clubes e seleções no topo do mundo.

Só nós, e isso devia ser uma grande razão para orgulho.

Portugal pode não ser bom a fazer chocolates e relógios, como a Suíça; carros, como a Suécia; festivais de música, como a Áustria; ou muitas outras coisas que agora não me lembro, como a Bélgica, a República Checa ou a Grécia, mas é muito bom num sector desportivo e económico com enorme visibilidade, o futebol.

 

Passando a outro assunto, ontem não compreendi os argumentos daqueles que, como Platini e muitos portugueses, desvalorizaram esta Bola de Ouro, dizendo que não deve haver prémios individuais, nem deviam ser premiados jogadores jogam não ganharam títulos colectivos com as suas equipas.

Importam-se de repetir? É que eu acho que não percebi bem...

Para quem não se recorde, vale a pena relembrar aqui algumas evidências.

 

Desde há muitos anos que, em todos os países, e em todas as competições internacionais, se entregam prémios individuais.

Há prémios para o melhor jogador do ano nacional, para o melhor marcador de golos, para o melhor guarda-redes, etc.

Isso também acontece nas provas europeias e de selecções.

No Mundial, ou nos Europeus, sempre houve o prémio para o melhor jogador, para o melhor goleador, etc, etc.

Porque será que agora, subitamente, se põe em causa a eleição do melhor jogador do mundo, dizendo que o prémio individual deve levar em conta os títulos colectivos?

Será que o melhor marcador ou o melhor jogador do ano tem de ser da equipa campeã? 

Só para dar um pequeno exemplo, este ano o campeão nacional foi o FC Porto, e o melhor jogador foi o Matic, do Benfica, que não ganhou nenhum título, e não ouvi ninguém a protestar.

 

A desvalorização da vitória de Ronaldo soa a mau perder (Platini) ou então a pura má fé.

Os prémios colectivos, que eu saiba, são as próprias vitórias nas competições onde as equipas entram.

A melhor equipa do ano, em cada país, é o campeão nacional.

A melhor da Champions é que a equipa vence a final, e a melhor de um Mundial é a equipa campeã do Mundo.

Seria um pouco absurdo dar um prémio colectivo depois da equipa ter sido...campeã do Mundo, que é o melhor prémio colectivo que uma seleção pode ter!

Não se dá prémios colectivos porque não é necessário, os prémios são as vitórias, as taças e os títulos!

 

O que faz sentido é portanto, já sabendo quem foram os melhores colectivos, dar em seguida prémios individuais, como a Bola de Ouro.

Ronaldo é o melhor jogador do mundo no momento, e por isso mereceu esta Bola de Ouro, e quem passar a vida resmungar que ele não ganhou títulos esquece o essencial: o talento individual é distintivo e deve ser premiado à parte.

 

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publicado às 11:52


2 comentários

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De Santos a 15.01.2014 às 12:14

Seria interessante ler textos que explorassem mais as finanças dos grandes (visto que os R&C são públicos).

Por exemplo, quanto é que cada clube tem de fazer em vendas anualmente para atingir o break-even?

O que é mais benéfico a longo prazo: aplicar o dinheiro das vendas na redução do passivo (baixando os encargos financeiros), ou comprar mais jogadores mantendo ou aumentando a dívida?

Como se explica que após fazer vendas que totalizam largas centenas de milhões de €, praticamente nunca falhar a Champions e não ter gasto 1€ na construção "do seu" centro de estágio o passivo do porto (e respectivos encargos financeiros), não parem de aumentar?

Em termos de gestão, como qualificar a compra de um jogador como o Danilo que custou 17,8M€?

Qual seria o lucro que a BTV teria de gerar para o Benfica passar a ter lucros todas as épocas (levando em conta as despesas/receitas de 12/13 e excluíndo as compras/vendas de jogadores).

Qual será o primeiro clube a ter o seu estádio pago, e será que isso lhe vai dar uma grande vantagem competitiva?

Ficam as sugestões.

Cumprimentos.
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De Domingos Amaral a 15.01.2014 às 18:53

Caro leitor, aqui lhe deixo apenas alguns comentários.
- Se por break-even entendermos lucro zero, então é importante dizer que o FC Porto deu lucro em 2012/2013, no valor de 20,3 milhões de euros, incluindo a venda de jogadores neste número. No entanto, as receitas líquidas com vendas de jogadores foram de 57,1 milhões de euros, o que muito contribui para esse lucro.
No caso do Benfica, houve um prejuízo de 10,3 milhões de euros, mesmo com receitas líquidas de venda de jogadores de 11,3 milhões.
- Quanto ao que é mais benéfico a longo prazo, a resposta é depende. Se o investimento for em bons jogadores, a sua valorização é mais rápida que os juros da dívida, e por isso dá para pagar o endividamento.
- O passivo do FC Porto este ano diminuiu um pouco.
- O Danilo parece-me ter sido comprado a um preço exagerado para o que vale, e para o mercado português.
- Se o Benfica teve prejuízo, de 10,3, mesmo vendendo 11,3 em jogadores; então para dar lucro a Benfica TV teria de ter um lucro líquido de 21,6 milhões. Com 300 mil assinantes, talvez seja possível chegar perto disso.
- o pagamento dos estádios, quando terminar, vai libertar receitas, mas não é um valor muito elevado em nenhum dos casos, porque os estádios são pagos ao longo de 30 anos.
Cumprimentos
Domingos Amaral

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Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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