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Nos últimos anos, o Benfica transformou-se num pipeline gerador de milhões de euros.

É provavelmente o clube europeu que mais receitas gerou com a venda de jogadores nos últimos cinco anos.

Começou com Di Maria, Ramires, David Luiz, Fábio Coentrão, e depois tem continuado todos os anos, com Javi Garcia, Witsel, Matic, Markovic, Rodrigo, Oblack, Cardozo, Enzo Pérez, Kardec, e muitos outros de menor relevância.

 

Mas, para além de vender muito bem os jogadores que brilham na primeira equipa, o Benfica transformou também a sua formação e a sua equipa B em centros geradores de receitas importantes.

Nos últimos anos, já houve vários jogadores juniores que foram vendidos, e pelo menos dois jogadores que estavam em transição, entre a equipa B e a A, como André Gomes e Bernardo Silva.

Ou seja, o Benfica tem agora 3 centros geradores de receitas na venda de jogadores: juniores, equipa B e equipa principal.

 

Há muitos que discordam desta estratégia, pois vivem ainda na utopia de querer uma equipa principal onde haja muitos jogadores vindos da formação.

Ora, isso não faz muito sentido. A grande maioria dos jogadores da formação, em qualquer clube, seja ele o Barcelona, o Ajax ou o Benfica, não chegará nunca à equipa principal.

Provavelmente, podem ser bons jogadores nos juniores, mas não tem capacidades para mais.

Vendê-los é boa ideia, se existir uma boa proposta.

E também é boa ideia vender jogadores da equipa B, se os valores propostos forem elevados, seja para o clube, seja para o jogador.

 

Foi o caso de André Gomes, e é o caso de Bernardo Silva. Ambos são bons jogadores, mas dificilmente seriam titulares permanentes da equipa principal.

Ambos foram vendidos por cerca de 15 milhões de euros, um valor muito elevado para quem poucos jogos fez na equipa principal.

Além disso, foram para o Valência e para o Mónaco ganhar muito mais do que ganhavam no Benfica.

Portanto, a venda foi boa para o clube, e o contrato foi bom para eles. 

 

Faz sentido vender jogadores por estes valores, para clubes estrangeiros.

A equipa principal não se ressente, pois eles não eram titulares, e gera-se uma óptima receita para o clube.

E é bem mais inteligente do que vender um centro-campista fundamental da equipa, a um clube rival, por apenas 11 milhões de euros, e ainda por cima chamando-lhe maçã podre, como se passou com João Moutinho. 

Pelo menos no caso do Benfica, as vendas não trazem proveitos futuros aos rivais. 

Por isso, há que dar os parabéns a Luís Filipe Vieira por conseguir faturar tanto.

Só em Janeiro o Benfica já ultrapassou os 40 milhões de euros, com as vendas de Enzo, Bernardo e Jara.

E há também que dar os parabéns a Jorge Jesus, que apesar de ter visto sair tantos jogadores num ano, consegue manter a equipa a jogar bem, na liderança do campeonato. 

 

 

Este é o único modelo de negócio que é lucrativo para os clubes portugueses.

Foi descoberto e praticado muitos anos pelo FC Porto, é no presente mais eficaz no Benfica, e será certamente o futuro do Sporting, quando se conseguir recuperar mais do que já conseguiu. 

 

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publicado às 10:48


6 comentários

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De Rui Alexandre a 22.01.2015 às 11:20

Bem visto.

Não deixa de custar, emocionalmente, mas é uma dor incomparavelmente mais pequena do que a de ver o clube definhar desportivamente por consequência da falta de liquidez financeira e viabilidade económica.

...e o presidente não precisava de ter mentido acerca do assunto.

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Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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