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Os números desta época do Benfica começam a ser impressionantes.

A equipa tem vindo sempre a melhorar desde Outubro, e não parece estar a fraquejar, agora que chega o momento das grandes decisões.

Até agora, nas quatro competições em que está envolvido, o Benfica realizou 41 jogos, dos quais venceu 32, empatou 6 e apenas perdeu 3 (dois na Champions e um no campeonato).

A percentagem de vitórias do Benfica, onde cada empate conta metade de uma vitória, está neste momento em 85,3%.

É um número muito bom, e continua a crescer, pois a meio de Fevereiro, o Benfica de Jesus estava com 82,8% de percentagem de vitórias, e subiu.

É claro que isto pode significar pouco no final, mas com a liderança do campeonato muito sólida, com sete pontos de avanço, o Benfica tem margem e plantel para conseguir ter alto rendimento nas outras competições.

Nas taças de Portugal e da Liga, estão a chegar os grandes jogos contra o FC Porto, mais 3 provas de fogo.

E, na Liga Europa, o AZ Alkmaar não parece capaz de impedir que o Benfica chegue à meia-final.

Porém, na Luz toda a gente sabe que as alegrias de Março não servem de nada se em Maio só aparecerem tristezas.

Ninguém admitiria outra vez um cenário idêntico ao do ano passado, por isso é melhor cerrarem os dentes e lutarem até os títulos estarem ganhos.

 

Quanto ao Sporting, também melhorou um pouco no último mês e meio.

Em Fevereiro, o clube estava com uma percentagem de vitórias de 75%, o que já eram bom, mesmo sabendo que não disputou jogos europeus e que já foi eliminado das Taças nacionais.

No entanto, com um total de 29 jogos disputados, com 19 vitórias, 7 empates e 3 derrotas, o Sporting tem agora uma percentagem de vitórias de 77,5%, o que revela a melhoria que a equipa ainda consegue ter nesta altura.

Comparando com épocas anteriores, é um resultado muito bom, que pode permitir ao clube a entrada directa na Champions.

Veremos se Jardim consegue aguentar a ponta final do campeonato, mas tudo parece apontar para essa possibilidade.

 

 

O ano horribilis do FC Porto é evidente. 

Em Fevereiro, o FC Porto estava já abaixo dos rivais, com uma percentagem de vitórias de 72,7%.

Paulo Fonseca saiu, mas as coisas ainda não melhoraram muito.

Com 42 jogos disputados, o FC Porto tem agora 24 vitórias, 10 empates e 8 derrotas, o que dá uma percentagem de vitórias de 69%.

Curiosamente, se fizermos a percentagem de vitórias apenas para os jogos com Luís Castro aos comandos, o número é semelhante.

Em 5 jogos, 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota dá uma percentagem de vitórias de 70%, em linha com o resto da época.

Mudar de treinador raramente muda o essencial: o valor da equipa é mais baixo do que em outros anos, e portanto as coisas ficam mais ou menos na mesma, mesmo mudando o treinador.

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publicado às 10:52

Ontem, no derby, foi evidente a superioridade do Benfica, que ganhou bem e mostrou uma competência e uma capacidade muito fortes.

A forma como a equipa acelera e ataca é vertiginosa, e a forma como defende, que era o ponto fraco no início da época, está cada vez mais eficiente, concentrada e compacta.

Acho que ninguém já terá dúvidas hoje da previsão que aqui fiz em Dezembro, de que o Benfica é o mais forte candidato ao título este ano, e que só não será campeão se cometer erros disparatados nos pequenos jogos.

Além de estar mais forte e muito eficaz, o Benfica tem dois adversários que têm problemas. 

O FC Porto está abalado e instável, e o Sporting tem ainda alguma imaturidade para se manter ao mesmo nível.

 

É evidente que, como Jesus e o presidente já disseram, o campeonato é o objectivo primordial.

Perdida a possibilidade, bastante fantasiosa, de chegar à final da Champions que será na Luz, é claro que todos querem ser campeões nacionais.

Mas, parece-me que estando a equipa a jogar tão bem, e tendo demonstrado uma superioridade tão evidente nos confrontos com FC Porto e Sporting, julgo que o Benfica deve aspirar também a vencer as outras duas competições nacionais, Taça de Portugal e Taça da Liga.

Na primeira, teremos duas mãos, uma no Dragão, outra na Luz, e considero que o Benfica tem capacidade para eliminar o FC Porto e estar presente no Jamor.

O mesmo se passa na Taça da Liga, seja contra quem for a meia-final. 

Embora estes jogos não devam desconcentrar o Benfica do objectivo campeonato, é possível ir às duas finais, a equipa tem soluções para isso, e no final do mês ainda haverá Salvio, já recuperado da lesão.

 

Por fim, a Liga Europa.

Ao contrário do presidente Luís Filipe Vieira, eu nunca achei possível o Benfica chegar à final da Champions, mas acho muito possível chegar à final da Liga Europa outra vez.

Há equipas muito boas, mas o Benfica é uma delas.

No site Euro Club Index, onde são calculadas as probabilidades das equipas vencerem a Liga Europa, o Benfica aparece em 3º lugar, com 10,3% de probabilidade de ser o vencedor.

Acima do Benfica, só a Juventus, com 19,6% de probabilidade de ser a vencedora, e o Tottenham, com 13,2% de probabilidade de vencer a Liga Europa.

Atrás da equipa da Luz, estão o FC Porto, com 9%, o Shakhtar Donetsk, com 8%, e o Nápoles, com 7%.

Portanto, não há razão nenhuma para Benfica e FC Porto não aspirarem a ir o mais longe possível, e nenhum deve deixar de tentar.

Até porque, e ao contrário do que se costuma dizer, não há uma diferença financeira tão grande entre as duas competições.

Em 2011/2012, o Benfica chegou aos quartos-de-final da Champions, onde foi eliminado pelo Chelsea, e recebeu em prémios da UEFA a quantia de 22,3 milhões de euros.

Em 2012/2013, o Benfica fez a fase de grupo da Champions, e seguiu para a Liga Europa, chegando à final, e faturando um total de prémios da UEFA de 21,7 milhões de euros, apenas menos 600 mil euros que no ano anterior.

Ou seja, atingir a final da Liga Europa vale quase tanto como os quartos-de-final da Champions, e é por isso que esse objetivo deve ser tentado.

 

Em conclusão: a jogar como tem jogado, o Benfica deve atacar em todas as frentes ao mesmo tempo, e não se concentrar apenas numa.

É assim com todas as grandes equipas da Europa, nunca desistem de objetivos, principalmente quando têm qualidade para aspirar a alcançá-los. 

 

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publicado às 11:50

O FC Porto tem tido uma anómala sequência de maus resultados.

Nos últimos cinco jogos, por exemplo, obteve 4 empates e apenas uma vitória, para a Taça, com o Guimarães.

Não conseguiu ganhar nem na Champions, empates com Zenit fora e com o Áustria de Viena em casa, nem no campeonato, empates com o Belenenses no Restelo e no Dragão com o Nacional.

Embora ainda não esteja arredado da Champions, é evidente que os resultados são muito abaixo do que se esperava.

No Dragão, o FC Porto não conseguiu ganhar nenhum dos 3 jogos, acumulando duas derrotas, com Atlético de Madrid e Zenit, e um empate, contra o fraquíssimo Áustria.

E, no campeonato, em apenas duas jornadas, o FC Porto viu esfumar-se uma importante vantagem de quatro pontos perante Benfica e Sporting, e lidera agora com apenas um ponto mais que os rivais.

 

Como explicar esta anormal perda de eficácia?

É claro que podemos dizer que Paulo Fonseca não está a demonstrar as qualidades esperadas, e não tem capacidade de liderança para um clube com o grau de exigência do FC Porto.

É possível, mas a verdade é que no arranque da época, a eficácia do FC Porto estava lá, e houve uma notável sequência de bons resultados.

Poderemos também dizer que os problemas de Pinto da Costa podem afetar o balneário, mas é pouco provável que exista uma ligação imediata, pois o incidente com a saúde do presidente foi no meio da série má, e não antes.

Quanto a mim, a explicação é mais profunda, e tem a ver com a qualidade dos jogadores.

Em Junho, o FC Porto vendeu dois grandes talentos, James e Moutinho, e essas saídas representaram uma perda importante, não estando os substitutos à altura.

Josué e Licá, por melhor que joguem, não valem o mesmo. Varela é intermitente, e nas alas há menos qualidade.

Quintero pode ser adorado pelos sócios, mas a verdade é que não joga muito, talvez por problemas físicos.

Lucho, por outro lado, está mais velho; e Herrera e Defour não são craques.

Por fim, há a estranha tristeza de Jackson, que parece não estar feliz nem inspirado, provavelmente porque desejava estar noutro clube desde o Verão.

Ao mesmo tempo, aquela que todos dizem ser a melhor defesa de Portugal - Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro - comete erros estranhos, parecendo os jogadores desconcentrados.

Há menos qualidade este ano no FC Porto, e mesmo a que ainda existe, que é muita, parece desligada e com falhas de confiança.

 

Um dos indicadores que aqui costumo apresentar, muito usado nas escolas de economia e gestão, é a percentagem de vitórias, ou "win percent".

A convenção internacional aplico, defende que para calcular o "win percent" se deve multiplicar por 2 o número de vitórias, e por 1 o número de empates, e depois dividir essa soma pelo total máximo de pontos que se pode obter, ou seja 2 vezes o número total de jogos.

Assim, sabemos que o FC Porto, até agora, já disputou um total de 18 jogos (10 no campeonato, 5 na Champions, 2 na Taça e 1 na Supertaça). 

Tem 11 vitórias, 5 empates e 2 derrotas. 

Tem um total de pontos de 22 (2 x 11 vitórias) mais 5 (1x5 empates), ou seja 27, em 36 possíveis (2 x 18). 

O win percent do FC Porto é portanto de 75% (27 a dividir por 36).

Há dois meses atrás era de 85% e há um mês atrás era de 76,6%.

O FC Porto tem vindo pois a piorar desde há dois meses, o que é um motivo claro de preocupação.

 

E o Benfica, como está?

O Benfica comandado por Jorge Jesus disputou até agora 17 jogos, menos 1 que o FC Porto, pois não jogou a Supertaça.

Tem 11 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, o que dá um total de 25 pontos (2x11+3) em 34 possíveis (2x17).

O Benfica tem pois um win percent de 73,5%.

Subiu bastante, há dois meses este indicador estava em 66,6% e há um mês estava em 67,8%. 

 

O Sporting de Leonardo Jardim tem uma situação um pouco diferente, pois disputou apenas 12 jogos, uma vez que não está nas competições europeias.

Venceu 8, empatou 2 e foi derrotado por 2 vezes.

Tem 18 pontos (2x8 + 2) em 24 possíveis (2 x 12).

O win percent do Sporting é pois de 75%, idêntico ao do FC Porto e um pouco acima do Benfica, mas com menos jogos.

Também desceu nos últimos tempos, estava em 85,7% há dois meses, e em 80% no início de Novembro.

 

A conclusão que estes números mostram é pois óbvia: o Benfica está em clara ascensão, depois de ter começado mal a época, o FC Porto está em evidente perda, e o Sporting também perdeu alguma eficiência.

 

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publicado às 17:24

Ontem, num artigo a propósito dos 10 anos de presidência de Luís Filipe Vieira, o jornal Record noticiou que a Benfica TV já tem 230 mil assinantes.

Em meados de Setembro, há pouco mais de um mês, o canal anunciara ter chegado aos 190 mil assinantes em apenas 2 meses.

Ou seja, entre o meio de Julho, quando o projeto arrancou, e o meio de Setembro, a Benfica TV tivera uma média mensal de assinantes de 95 mil.

No mês e meio seguinte, entre meados de Setembro e finais de Outubro, conseguiu apenas mais 40 mil, o que representa uma quebra no ritmo, mas ainda assim uma boa média mensal.

Será possível o número de assinantes ainda crescer mais esta época?

Se pensarmos que a recessão económica ainda está forte, é provável que o número de assinantes não cresça muito mais este ano.

Porém, se a performance da equipa no campeonato começar a melhorar, isso pode ser possível.

Em Janeiro, haverá um Benfica-FC Porto na Luz, para o campeonato, e talvez aí se consiga atingir o pico da época, em termos de assinantes.

Se o Benfica vencer esse jogo, aproximando-se do rival, e o campeonato ficar aberto até ao fim, o número de assinantes terá tendência para continuar a crescer.

Porém, se o Benfica perder, ficando já muito longe do FC Porto, é provável que o número de assinantes não cresça muito mais.

 

E, do ponto de vista do negócio, o que valem 230 mil assinantes mensais?

Numa entrevista recente ao Diário Económico, o director financeiro Domingos Soares de Oliveira declarou que os custos da Benfica TV andavam pelos 9 milhões de euros por ano, incluindo aqui os custos com pessoal, os custos com as transmissões dos jogos em casa, e os direitos pagos às várias ligas que a Benfica TV transmite, incluindo a Premier League.

Na mesma entrevista, Soares de Oliveira dizia que, em receitas publicitárias, seja no estádio, seja em antena, a Benfica TV já tinha garantidos 8 milhões de euros, tanto quanto o clube fazia no passado com a venda dos direitos totais à Olivedesportos.

Além disso, o director financeiro, sem ser muito explícito e sem revelar pormenores, reconhecia que existia entre a Benfica TV e os operadores de cabo (Meo, Zon, Vodafone, Cabovisão, etc) um acordo de partilha de receitas.

Ou seja, do total recebido em subscrições da Benfica TV, uma parte fica para o operador, e uma parte fica para a Benfica TV.

A questão é como se faz esta divisão.

Segundo fontes bem informadas, dizem-me que, até certo número de assinantes é 50 por cento para cada parte, e a partir daí é tudo para a Benfica TV.

 

Admitamos então que, nos primeiros 100 mil assinantes, as receitas se dividem pela metade, e que a partir daí vão na totalidade para o Benfica.

Nesse caso, qual seria a receita líquida de impostos que o clube obteria por ano?

Se o preço da subscrição são 9,9 euros, descontado o Iva, o valor é de 7,623 euros.

Metade disto são 3,811 euros. Esse seria o valor individual de receita que a Benfica TV receberia por mês, vindo dos primeiros 100 mil assinantes.

Teríamos depois de multiplicar 3,811 euros por 100 mil assinantes e depois por 12 meses, o que dava um valor de 4.573.800 euros.

 

A esse valor teríamos agora de somar a parcela em que a totalidade da receita vai directa para a Benfica TV, o valor gerado pelos restantes 130 mil assinantes.

Descontando o Iva, teríamos 7,623 euros vezes 130 mil assinantes vezes 12 meses, o que dá 11.891.880 euros.

Assim, somando as duas parcelas, teríamos uma receita líquida superior a 16 milhões de euros, cerca de 16.465.680 euros.

A este total, temos de somar os 8 milhões de receitas publicitárias e subtrair os 9 milhões de custos do canal.

No final, ficamos com 15,46 milhões de euros, e é esse o lucro líquido previsto com 230 mil assinantes.

 

É isso bom ou nem por isso?

Bem, se compararmos com o que o Benfica ganhava até à época passada, é muito melhor, é mesmo o dobro, pois o Benfica recebia da Olivedesportos um pouco mais de 7,5 milhões de euros, e agora ganhará 15,46 milhões.

Ou seja, melhorou bastante, e fez expandir a sua base de receitas, isso é evidente.

Mas, é preciso recordar que a última oferta da Olivedesportos era de 22,2 milhões de euros, por ano!

Comparando com esse valor, ainda estamos abaixo, a cerca de 2/3.

Para chegar a uma receita líquida de 22,2 milhões de euros por ano, a Benfica TV terá de aproximar-se dos 300 mil assinantes, mais coisa menos coisa.

É um número alto, e não sendo impossível de atingir ainda este ano, só com muita ajuda de Jorge Jesus e dos jogadores é que ele se tornará uma realidade! 

 

Além disso, há ainda outro factor a levar em consideração.

Quem tem ido aos jogos na Luz, como eu, tem notado que as assistências têm estado um pouco abaixo do que era esperado. Nos jogos para o campeonato, não se chegou ainda aos 40 mil espectadores.

Será a Benfica TV uma das causas da quebra de espectadores na Luz?

É possível que sim, mas é difícil estimar quantos preferem pagar 9,9 euros e ver dois jogos no sofá, em vez de irem ao estádio.

Pode acontecer, principalmente para quem está fora de Lisboa.

Um sócio de Coimbra, Famalicão ou Viana, é capaz de preferir ficar em casa do que fazer a viagem até à Luz, e portanto a subida de receitas da Benfica TV pode implicar uma ligeira quebra de receitas no estádio, aquilo a que os economistas chamam "efeito de substituição".

 

Em resumo, o que se pode dizer até agora é que a Benfica TV está a correr bem, o clube melhorou as suas receitas televisivas, comparando com o ano passado, mas ainda não chegou ao valor mágico que Vieira deseja, batendo a última oferta da Olivedesportos.

E, para já, o número de espectadores na Luz diminui.

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publicado às 14:06


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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