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Há quem diga que o Real é uma equipa de milhões e o Atlético é uma equipa de tostões, mas isso não é verdade na parte que toca ao Atlético. 

O Real Madrid tem o seu plantel avaliado em cerca de 575 milhões de euros, mas o Atlético de Madrid está nos 256 milhões.

Há uma diferença, é certo, mas o Atlético está claramente nos 15 plantéis mais valiosos do mundo, em 13º lugar.

 

No ranking da Deloitte, que diz respeito às receitas de cada clube, a diferença é maior: o Real está em 1º lugar, com receitas de 518 milhões de euros, enquanto o Atlético se fica pelo 20º lugar, com apenas 120 milhões de receitas, um valor próximo das do Benfica.

Outro item em que o Real leva vantagem, é o salário que paga ao seu treinador.

Ancelotti é o 6º treinador mais bem pago do mundo, e recebe 7,5 milhões de euros por ano, enquanto Simeone está em 26º lugar nos mais bem pagos, e recebe apenas 2,5 milhões de euros por ano. 

 

No entanto, como se viu este ano, não são só os valores económicos que contam em futebol.

O Atlético, mesmo com uma despesa salarial que é cerca de um terço da do Real Madrid (200 milhões contra 75 milhões), conseguiu vencer a Liga Espanhola, e teve uma percentagem de vitórias impressionante, de 81,5%, com 28 vitórias, 6 empates e apenas 4 derrotas.

Quanto ao Real, o registo podia ter sido melhor, não fosse a quebra final. Ficou em 3º lugar, com 27 vitórias, 6 empates e 5 derrotas, o que dá uma percentagem de vitórias de 78,9%.

Importante detalhe: o Real teve o melhor ataque da Liga, com 104 golos, e o melhor marcador, Ronaldo, com 31 golos; e o Atlético teve a melhor defesa da Liga, com apenas 26 golos sofridos. 

 

Na Champions, o registo de ambos é semelhante. 

O Atlético não teve derrotas, e conseguiu 9 vitórias e 3 empates, o que dá uma percentagem de vitórias de 87,5%, o que é fantástico.

Quanto a golos, marcou 25 golos e sofreu apenas 6 golos, o que significa que foi a melhor defesa da Champions deste ano.

O Real Madrid teve também um registo brilhante, com 10 vitórias, 1 empate e 1 derrota, o que dá uma percentagem de vitórias exactamente igual à do Atlético, 87,5%.

Nos golos, o Real marcou mais, foi o melhor ataque da Champions e atingiu o espantoso número de 37 golos em 12 jogos, tendo sofrido um total de 9 golos.

 

Portanto, a final será o melhor ataque contra a melhor defesa.

Para os cínicos, isto costuma ser óbvio, ganhará a melhor defesa.

Eu não vou tão longe, e como ainda acredito muito no futebol ofensivo, gostaria de ver o Real a ganhar e o Cristiano a marcar.

De qualquer forma, lembro-me sempre da final do SuperBowl deste ano, em que também o melhor ataque (Denver Broncos) enfrentou a melhor defesa (Seattle Seahawks), e o resultado foi uma vitória impressionante da melhor defesa dos de Seattle. 

Portanto, cuidado Real, que marcar golos ao Atlético de Simeone não é pera dôce!

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publicado às 17:21

Ontem, Benfica e FC Porto fizeram o que se esperava, e seguiram em frente na Liga Europa.

Na Luz, o Benfica confirmou que é claramente mais forte do que o PAOK, vencendo com facilidade.

Em Frankfurt, o jogo foi espectacular, o FC Porto esteve com um pé fora, mas recuperou epicamente, e o empate 3-3 garantiu a passagem.

É na Liga Europa que os clubes portugueses mais podem ter sucesso, pois a Champions está fora do nosso alcance neste momento.

Quem tem visto os jogos percebe que equipas como o Real Madrid, o Bayern, o Barcelona, o Paris Saint Germain, o Dortmund, o Chelsea ou o Atlético de Madrid estão noutra galáxia.

Mesmo o City ou o Arsenal, já para não falar no Zenit e no Schalke, não têm qualquer hipótese de seguir em frente.

Repare-se que o FC Porto teve muitas dificuldades contra o 13º da Bundesliga, o Eintracht; mas o Real Madrid goleou o Schalke em Gelsenkirchen por 6-1.

Há uma diferença colossal entre certas equipas europeias e as nossas, e por isso é preferível ser bom na Liga Europa em vez de ser humilhado na Champions.

 

Agora, seguem-se dois adversários muito fortes. Para o FC Porto, o Nápoles; para o Benfica, o Tottenham.

Comparem-se as qualidades em ambos os confrontos, para estimar as probabilidades das equipas portuguesas.

Em termos de ranking da UEFA, o FC Porto é o 11º, enquanto o Nápoles é o 31º. 

Nos últimos cinco anos, o FC Porto é uma equipa mais habituada do que a italiana a jogar bem na Europa.

Porém, se olharmos apenas para o coeficiente desta época, o Nápoles está à frente, pois fez uma fase de grupos da Champions bem melhor.

Quanto a treinadores, os italianos levam vantagem: Benitez é muito mais experiente que Paulo Fonseca, já venceu uma Champions e uma Liga Europa, com Liverpool e Chelsea.

Em termos de valor do plantel, segundo o site transfermarkt, o do Nápoles vale 253 milhões de euros, e tem jogadores muito bons como Reina, Hamsik, Higuain, Callejón, embora a defesa não seja muito forte.

Já o FC Porto, tem um plantel avaliado em 183 milhões de euros, com Jackson, Mangala e Fernando.

É difícil dizer quem é mais forte, e internamente estão ambos em 3º nas respectivas ligas, um pouco abaixo do que se esperava.

Segundo o Euro Club Index, o Nápoles tem mais possibilidades de chegar à final (8,8%) do que o FC Porto (5,5%), mas a diferença é curta.

Será uma eliminatória imprevisível, com uma pequena vantagem para os italianos, pois jogam a segunda mão em casa.

 

No caso do Benfica e dos ingleses, as coisas são também equilibradas.

No ranking da UEFA, o Benfica é o 6º classificado, enquanto o Tottenham está apenas em 19º lugar.

No ano passado, os Spurs ficaram-se pelos quartos-de-final da liga Europa, tendo sido eliminados pelo Basileia, enquanto o Benfica chegou à final de Amesterdão.

No que toca a treinadores, parece-me que o Benfica tem clara vantagem, pois Jesus é muito mais experiente e bem sucedido do que Tim Sherwood.

Já quanto ao valor dos plantéis, são os ingleses têm vantagem.

No transfermarkt, o clube inglês tem uma equipa avaliada em 271 milhões de euros, com jogadores como Lloris, Vertonghen, Dembelé, Eriksen, Lamela, Lennon, Soldado ou Adebayor

Quanto ao Benfica, tem uma equipa avaliada em 190 milhões de euros, com jogadores como Garay, Salvio, Gaitan, Cardozo ou Markovic.

Porém, segundo o Euro Club Index, o Benfica tem mais possibilidades de chegar à final que o Tottenham, 12,4% contra 6% dos ingleses, o que demonstra uma certa vantagem encarnada.

Será também uma eliminatória muito equilibrada e empolgante, embora me pareça que o Benfica é ligeiramente favorito, até porque joga a segunda mão na Luz.

 

 

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publicado às 10:16

Ontem, no derby, foi evidente a superioridade do Benfica, que ganhou bem e mostrou uma competência e uma capacidade muito fortes.

A forma como a equipa acelera e ataca é vertiginosa, e a forma como defende, que era o ponto fraco no início da época, está cada vez mais eficiente, concentrada e compacta.

Acho que ninguém já terá dúvidas hoje da previsão que aqui fiz em Dezembro, de que o Benfica é o mais forte candidato ao título este ano, e que só não será campeão se cometer erros disparatados nos pequenos jogos.

Além de estar mais forte e muito eficaz, o Benfica tem dois adversários que têm problemas. 

O FC Porto está abalado e instável, e o Sporting tem ainda alguma imaturidade para se manter ao mesmo nível.

 

É evidente que, como Jesus e o presidente já disseram, o campeonato é o objectivo primordial.

Perdida a possibilidade, bastante fantasiosa, de chegar à final da Champions que será na Luz, é claro que todos querem ser campeões nacionais.

Mas, parece-me que estando a equipa a jogar tão bem, e tendo demonstrado uma superioridade tão evidente nos confrontos com FC Porto e Sporting, julgo que o Benfica deve aspirar também a vencer as outras duas competições nacionais, Taça de Portugal e Taça da Liga.

Na primeira, teremos duas mãos, uma no Dragão, outra na Luz, e considero que o Benfica tem capacidade para eliminar o FC Porto e estar presente no Jamor.

O mesmo se passa na Taça da Liga, seja contra quem for a meia-final. 

Embora estes jogos não devam desconcentrar o Benfica do objectivo campeonato, é possível ir às duas finais, a equipa tem soluções para isso, e no final do mês ainda haverá Salvio, já recuperado da lesão.

 

Por fim, a Liga Europa.

Ao contrário do presidente Luís Filipe Vieira, eu nunca achei possível o Benfica chegar à final da Champions, mas acho muito possível chegar à final da Liga Europa outra vez.

Há equipas muito boas, mas o Benfica é uma delas.

No site Euro Club Index, onde são calculadas as probabilidades das equipas vencerem a Liga Europa, o Benfica aparece em 3º lugar, com 10,3% de probabilidade de ser o vencedor.

Acima do Benfica, só a Juventus, com 19,6% de probabilidade de ser a vencedora, e o Tottenham, com 13,2% de probabilidade de vencer a Liga Europa.

Atrás da equipa da Luz, estão o FC Porto, com 9%, o Shakhtar Donetsk, com 8%, e o Nápoles, com 7%.

Portanto, não há razão nenhuma para Benfica e FC Porto não aspirarem a ir o mais longe possível, e nenhum deve deixar de tentar.

Até porque, e ao contrário do que se costuma dizer, não há uma diferença financeira tão grande entre as duas competições.

Em 2011/2012, o Benfica chegou aos quartos-de-final da Champions, onde foi eliminado pelo Chelsea, e recebeu em prémios da UEFA a quantia de 22,3 milhões de euros.

Em 2012/2013, o Benfica fez a fase de grupo da Champions, e seguiu para a Liga Europa, chegando à final, e faturando um total de prémios da UEFA de 21,7 milhões de euros, apenas menos 600 mil euros que no ano anterior.

Ou seja, atingir a final da Liga Europa vale quase tanto como os quartos-de-final da Champions, e é por isso que esse objetivo deve ser tentado.

 

Em conclusão: a jogar como tem jogado, o Benfica deve atacar em todas as frentes ao mesmo tempo, e não se concentrar apenas numa.

É assim com todas as grandes equipas da Europa, nunca desistem de objetivos, principalmente quando têm qualidade para aspirar a alcançá-los. 

 

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publicado às 11:50

Portugal podia ter 3 treinadores na lista dos 30 mais bem pagos do mundo, mas com o despedimento de André Villas-Boas, agora só tem dois!

Mourinho é o 2ª mais bem pago do mundo, tendo este ano caído do primeiro lugar, destronado por Guardiola.

Já Jorge Jesus aparece em 11º lugar, tendo subido 3 lugares, pois o ano passado era o 14º mais bem pago.

Mourinho ganha 10 milhões de euros, Guardiola ganha 17, e Jesus está nos 4 milhões de euros brutos por ano!

 

A lista dos 11 melhores, compilada pela empresa brasileira Pluri Consultoria, está no final deste texto, mas mais interessante ainda é ver se o dinheiro investido pelos clubes está a ser bem empregue.

Para tal, vou aqui apresentar um indicador muito usado nas escolas de economia e gestão para analisar o desporto, que é a "percentagem de vitórias".

A percentagem de vitórias calcula-se dando 2 pontos a cada vitória e 1 a cada empate, e depois dividindo esse total pelo máximo que se podia obter nos jogos que já se efectuaram.

Assim, se um treinador ganhou 3 jogos, empatou 2 e perdeu 1, terá 6 pontos pelas vitórias (3x2), um ponto pelo empate (1x1), ou seja um total de 7 pontos em 12 possíveis (2x6 jogos) o que dá uma percentagem de vitórias de de 7/12, ou 58,3%.  

 

Qual é a percentagem de vitórias de cada um dos 11 treinadores mais bem pagos do mundo?

Vamos considerar apenas os jogos para os respectivos campeonatos e os jogos das competições europeias.

Comecemos por Guardiola, o primeiro do ranking, que ganha 17 milhões de euros brutos por ano.

Pepe realizou um total de 22 jogos, com 19 vitórias, 2 empates e 1 derrota.

Tem uma percentagem de vitórias de 90,9%, ou em números ((19x2) + (2x1))/(22x2).

Se fizermos contas semelhantes para José Mourinho, vemos que ele tem na Premier League 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, e na Champions tem 4 vitórias e 2 derrotas.

Ou seja, fez os mesmos 22 jogos que Guardiola, mas tem 14 vitórias, 3 empates e 5 derrotas.

A percentagem de vitórias de Mourinho é pois de 70,4%, ou na fórmula ((14x2) + (3x1))/(22x2), o que é bem abaixo de Guardiola.

 

Agora, veja-se o quadro completo para os 11 treinadores mais bem pagos do mundo e as respectivas percentagens de vitórias:

 

Guardiola, Barcelona             17 m€       90,9%      19V, 2E, 1D

Mourinho, Chelsea                10 m€       70,4%      14V, 3E, 5D

M. Lippi, Guangzhou*             10 m€      88,3%      24V, 5E, 1D

Wenger, Arsenal                   8,2 m€      72,7%      15V, 2E, 5D

Capello, Rússia*                     7,8 m€      75%         7V, 1E, 2D

Ancelotti, Real Madrid           7,5 m€       84%        17V, 3E, 2D 

Moyes, Man. United              5,9 m€       63,6%     11V, 6E, 5D

Martino, Barcelona               5,4 m€       86,3%      18V, 2E, 2D

Klopp, B. Dortmund              4,3 m€      68,1%      14V, 2E, 6D

Pellegrini, Man. City              4,1 m€      72,7%      15V, 2E, 5D

Jesus, Benfica                       4 m€         73,6%     12V, 4E, 3D

 

 

Quais as conclusões que podemos retirar deste quadro?

A primeira é óbvia: Guardiola é o mais bem pago, e merece o que ganha, pois tem a mais alta percentagens de vitórias de todos, 90,9%!

 

A segunda também é óbvia: Mourinho está a ter uma época abaixo do que se esperava, e não está a merecer o que ganha!

Ganha 10 milhões, mas só tem uma percentagem de vitórias de 70,4%.

É o terceiro pior da lista, só ficando à frente de Moyes, que está nos 63,6%, e de Klopp, que está nos 68,1%, mas a verdade é que Moyes ganha quase metade de Mourinho, e Klopp menos de metade!

 

A terceira conclusão é: Lippi também merece o que ganha, foi campeão na China, e com uma percentagem de vitórias de 88,3%!

 

A quarta conclusão é: Wenger e Capello também merecem o que ganham, têm boas percentagens de vitórias!

 

A quinta conclusão é: Pellegrini devia ganhar mais no City!

Ganha apenas 4,1 milhões e consegue melhores resultados que Moyes e Mourinho, que ganham mais do que ele!

 

A sexta conclusão é: Martino também devia ganhar mais!

Tem a terceira melhor percentagem de vitórias da lista, com 86,3%, mas ganha menos que Ancelotti, que está nos 84%!

 

A sétima conclusão é: Jorge Jesus não está nada mal.

Apesar de ser apenas o 11º mais bem pago, tem cinco treinadores com percentagens de vitórias mais baixas do que ele: Moyes, Klopp, Mourinho, Wenger e Pellegrini.

Ora, se admitirmos que Lippi e Capello não devem ser metidos no mesmo saco, pois o campeonato da China e a seleção da Rússia não são do mesmo nível que os campeonatos europeus, chegamos à conclusão final:

Jorge Jesus é, dos 11 mais bem pagos do mundo, o quarto mais eficiente na Europa, apenas ultrapassado por Guardiola, Martino e Ancelotti!

 

É, sem dúvida, um bom resultado. No entanto, se o compararmos por exemplo com Diego Simeone, já perde algum brilho.

Simeone é o 26º treinador mais bem pago, ganha apenas 2,5 milhões de euros no Atlético de Madrid.

Porém, em 22 jogos, ganhou 19, empatou 2 e apenas perdeu 1 jogo! 

Simeone tem uma percentagem de vitórias de 90,9%, igual à de Guardiola, o que é espantoso, atendendo a que ganha quase 7 vezes menos!

Isso é que é dinheiro bem gasto!

 

 

* No caso de Marcelo Lippi, considerei os 30 jogos do campeonato chinês em 2013. No caso de Fábio Capello considerei os 10 jogos de qualificação para o Mundial 2014.

 

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publicado às 11:00

Como aqui escrevi logo depois da segunda jornada da Champions, este ano FC Porto e Benfica não têm andamento para a maior competição europeia.

Após as derrotas contra o Atlético de Madrid, no Dragão, e contra o PSG, em Paris, pareceu-me que ambas as equipas só podiam aspirar à Liga Europa.

Como se viu ontem, e na terça, assim foi. 

 

Apesar de tudo, o Benfica portou-se bem melhor do que o FC Porto, pois conseguiu fazer 10 pontos, o que é muito na Champions, e é pena que não dê para seguir em frente.

Foi sobretudo o jogo com o Olympiakos em casa, no meio de grande chuvada, que estragou tudo. Tivesse o Benfica vencido esse jogo e outro galo cantaria, mas a verdade é que não venceu.

De qualquer forma, dos 8 clubes que caiem para a liga Europa, o Benfica foi o segundo melhor, só ultrapassado pelo Nápoles, que mesmo fazendo 12 pontos não conseguiu seguir em frente.

Atrás do Benfica, e a caminho da Liga Europa, estão Shaktar, Basileia e Ajax, com 8 pontos na fase de grupos da Champions, Juventus, com 6; FC Porto, com 5 pontos, e Victoria Pilzen, com apenas 3 pontos.

 

Como se vê, para o FC Porto foi um ano muito mau na Champions. 

Apenas uma vitória, em Viena, dois empates, em São Petersburgo e em casa com o Áustria, e 3 derrotas, duas das quais em casa.

Julgo que é o pior ano de sempre dos azuis e brancos na Champions, e só a vitória na primeira jornada, na Áustria, lhes garantiu a Liga Europa, pois acabaram por ficar com os mesmos pontos que o último classificado, o Áustria.

Longe vão os tempos em que o presidente Pinto da Costa e o capitão da equipa, Lucho, diziam que tinham um forte desejo de jogar a final na Luz.

Na realidade, essas frases, tal como os desejos de Vieira e Jesus, eram puro delírio, e mais valia não terem sido proferidas pois agora soam a um atroz ridículo.

 

E quanto a dinheiro, como foram as coisas?

O Benfica já embolsou 12,3 milhões de euros, sendo que 8,6 milhões são o prémio de presença, 3 milhões são pelas 3 vitórias; meio milhão é pelo empate; e há ainda 200 mil euros pela passagem à Liga Europa.

Quanto ao FC Porto, o valor é um pouco menor, apenas 10,8 milhões de euros. São 8,6 milhões pela presença, 1 milhão pela única vitória, 1 milhão pelos 2 empates, e mais 200 mil euros pela passagem à Liga Europa.   

 

Para ambos os clubes, sobretudo para o FC Porto, é um pouco abaixo do que tinham estimado, pois ambos estavam a contar com mais 3,5 milhões do prémio por ir aos oitavos de final, que não veio.

Mas, ambos têm possibilidade de recuperar estes valores na Liga Europa, sobretudo se chegarem à final.

Chegar à final da Liga Europa é muito semelhante a ir aos quartos de final da Champions, e melhor do que ficar pelos oitavos.

O ano passado, o Benfica faturou 21,7 milhões em prémios totais da UEFA (incluindo fase de grupos da Champions e ida até à final da Liga Europa em Amesterdão), apenas um pouco menos do que no anterior, em que facturou 22,37 milhões e chegou aos quartos de final da Champions, sendo eliminado pelo Chelsea.

 

Portanto, se FC Porto e Benfica se empenharem, e conseguirem ir até à final da Liga Europa, o rombo financeiro será muito pequeno.

É isso possível?

Há equipas fortes, além das que caiem da Champions, onde estão Nápoles, Juventus, Ajax ou Shaktar. 

O Valência, a Lazio, o Tottenham, o Sevilha, são equipas difíceis, mas penso que tanto Benfica como FC Porto estão no lote dos favoritos.

Veremos como as coisas correm, e como será o sorteio. 

Mas, seja como for, é evidente que a Liga Europa é que é competição mais adequada para os clubes portugueses.

A Champions não é para o nosso dente.  

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publicado às 16:05

A SAD do Benfica aprovou as contas do ano que terminou em Junho, onde apresentou um prejuízo de 10,3 milhões de euros, um pouco menos do que na época anterior.

É importante lembrar que nestas contas estavam incluídas duas importantes vendas de jogadores, Witsel e Javi Garcia, mas mesmo assim a SAD deu prejuízo, pois o elevado investimento em novos jogadores (Salvio, Ola John, Lima, etc) comeu os ganhos.

Por outro lado, houve ligeiras perdas em receitas de bilheteira, e em prémios da UEFA. 

Além disso, os resultados financeiros continuam com perdas consideráveis, em juros e afins, nos 22,6 milhões de euros, e isso desequilibra as contas.

O Benfica está muito "alavancado", com uma dívida bancária de curto prazo elevada, nos 162 milhões de euros, e com dívidas a fornecedores de 49 milhões de euros e a outros credores de 47,3 milhões de euros.

É muita dívida.

Bem sei que o Benfica tem activos valiosos: o estádio e as infraestruturas que o rodeiam, o centro de estágio do Seixal, a marca, o valor dos passes dos jogadores.

Mas, a opção pelo endividamento tem custos altos, e infelizmente os resultados desportivos deixaram a desejar.

Se a equipa tivesse ganho a Liga Europa e o campeonato, esta dívida elevada justificava-se, mas assim deixa uma sensação estranha de inutilidade.

Talvez fosse bom o Benfica "desalavancar".

Pagar dívida com mais dívida, a taxas de 6 ou 7% é caro, e não resolve o problema do "fair play" da UEFA, que obriga os clubes a não terem 3 anos seguidos de prejuízos.

É certo que, com a Benfica TV a correr muito bem (mais de 230 mil assinantes), o Benfica poderá contar com 15 milhões de lucros adicionais vindos das receitas televisivas.

Só isso quase chega para dar lucro em Junho de 2014.

Mesmo que a carreira europeia não corra muito bem, seja na Champions, seja na Liga Europa, bastará ao Benfica vender em Janeiro um ou dois jogadores bem vendidos, para o ano ser mais equilibrado.

Contudo, acho que o clube podia "desalavancar", aumentando os seus capitais próprios e diminuindo a sua dívida de curto prazo.

Há duas formas de o fazer: transformando dívidas em capital ou aumentado os seus capitais em bolsa.

A primeira opção, já seguida pelo Sporting e aconselhada também pela UEFA, é perfeitamente possível.

Mas, com o bom momento que se vive nas bolsas, incluindo na portuguesa, o cenário de um aumento de capital pode ser muito atrativo.

O Benfica pode perfeitamente conseguir mais 30 ou 40 milhões de euros através da subscrição de novas acções, dispersando mais capital na bolsa.

O argumento da Benfica TV, bem como a melhoria visível da performance da equipa, permitem avançar para uma solução dessas.

Seria inteligente, pois traria um equilíbrio financeiro mais saudável à SAD, diminuindo a sua dívida e a sua dependência do financiamento bancário.

Eu sei que o futebol não tem tanto apelo bolsista como os CTT e outras empresas, mas com as poupanças que existem por aí, ir à bolsa pode ser a solução. 

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publicado às 09:46

O FC Porto tem tido uma anómala sequência de maus resultados.

Nos últimos cinco jogos, por exemplo, obteve 4 empates e apenas uma vitória, para a Taça, com o Guimarães.

Não conseguiu ganhar nem na Champions, empates com Zenit fora e com o Áustria de Viena em casa, nem no campeonato, empates com o Belenenses no Restelo e no Dragão com o Nacional.

Embora ainda não esteja arredado da Champions, é evidente que os resultados são muito abaixo do que se esperava.

No Dragão, o FC Porto não conseguiu ganhar nenhum dos 3 jogos, acumulando duas derrotas, com Atlético de Madrid e Zenit, e um empate, contra o fraquíssimo Áustria.

E, no campeonato, em apenas duas jornadas, o FC Porto viu esfumar-se uma importante vantagem de quatro pontos perante Benfica e Sporting, e lidera agora com apenas um ponto mais que os rivais.

 

Como explicar esta anormal perda de eficácia?

É claro que podemos dizer que Paulo Fonseca não está a demonstrar as qualidades esperadas, e não tem capacidade de liderança para um clube com o grau de exigência do FC Porto.

É possível, mas a verdade é que no arranque da época, a eficácia do FC Porto estava lá, e houve uma notável sequência de bons resultados.

Poderemos também dizer que os problemas de Pinto da Costa podem afetar o balneário, mas é pouco provável que exista uma ligação imediata, pois o incidente com a saúde do presidente foi no meio da série má, e não antes.

Quanto a mim, a explicação é mais profunda, e tem a ver com a qualidade dos jogadores.

Em Junho, o FC Porto vendeu dois grandes talentos, James e Moutinho, e essas saídas representaram uma perda importante, não estando os substitutos à altura.

Josué e Licá, por melhor que joguem, não valem o mesmo. Varela é intermitente, e nas alas há menos qualidade.

Quintero pode ser adorado pelos sócios, mas a verdade é que não joga muito, talvez por problemas físicos.

Lucho, por outro lado, está mais velho; e Herrera e Defour não são craques.

Por fim, há a estranha tristeza de Jackson, que parece não estar feliz nem inspirado, provavelmente porque desejava estar noutro clube desde o Verão.

Ao mesmo tempo, aquela que todos dizem ser a melhor defesa de Portugal - Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro - comete erros estranhos, parecendo os jogadores desconcentrados.

Há menos qualidade este ano no FC Porto, e mesmo a que ainda existe, que é muita, parece desligada e com falhas de confiança.

 

Um dos indicadores que aqui costumo apresentar, muito usado nas escolas de economia e gestão, é a percentagem de vitórias, ou "win percent".

A convenção internacional aplico, defende que para calcular o "win percent" se deve multiplicar por 2 o número de vitórias, e por 1 o número de empates, e depois dividir essa soma pelo total máximo de pontos que se pode obter, ou seja 2 vezes o número total de jogos.

Assim, sabemos que o FC Porto, até agora, já disputou um total de 18 jogos (10 no campeonato, 5 na Champions, 2 na Taça e 1 na Supertaça). 

Tem 11 vitórias, 5 empates e 2 derrotas. 

Tem um total de pontos de 22 (2 x 11 vitórias) mais 5 (1x5 empates), ou seja 27, em 36 possíveis (2 x 18). 

O win percent do FC Porto é portanto de 75% (27 a dividir por 36).

Há dois meses atrás era de 85% e há um mês atrás era de 76,6%.

O FC Porto tem vindo pois a piorar desde há dois meses, o que é um motivo claro de preocupação.

 

E o Benfica, como está?

O Benfica comandado por Jorge Jesus disputou até agora 17 jogos, menos 1 que o FC Porto, pois não jogou a Supertaça.

Tem 11 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, o que dá um total de 25 pontos (2x11+3) em 34 possíveis (2x17).

O Benfica tem pois um win percent de 73,5%.

Subiu bastante, há dois meses este indicador estava em 66,6% e há um mês estava em 67,8%. 

 

O Sporting de Leonardo Jardim tem uma situação um pouco diferente, pois disputou apenas 12 jogos, uma vez que não está nas competições europeias.

Venceu 8, empatou 2 e foi derrotado por 2 vezes.

Tem 18 pontos (2x8 + 2) em 24 possíveis (2 x 12).

O win percent do Sporting é pois de 75%, idêntico ao do FC Porto e um pouco acima do Benfica, mas com menos jogos.

Também desceu nos últimos tempos, estava em 85,7% há dois meses, e em 80% no início de Novembro.

 

A conclusão que estes números mostram é pois óbvia: o Benfica está em clara ascensão, depois de ter começado mal a época, o FC Porto está em evidente perda, e o Sporting também perdeu alguma eficiência.

 

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publicado às 17:24

Depois de mais uma ronda de Liga de Campeões, confirma-se o que já aqui escrevi, que tanto o FC Porto como o Benfica têm muito poucas hipóteses de fazer boa carreira na prova.

A final, que este ano se disputa na Luz, parecia no início da época uma grande motivação para ambos.

O FC Porto dizia que gostava de ganhar a prova em casa do seu maior rival, e o Benfica dizia que queria ganhar a final em sua casa!

Ambas as afirmações me pareceram sempre um pouco delirantes, e ao fim de quatro jogos na Champions, acho que muitos já têm a mesma opinião que eu.

O FC Porto está a fazer uma prova muito abaixo do que é habitual, e já perdeu dois jogos em casa, com Zenit e Atlético.

O Benfica também não está melhor, com duas derrotas, em Paris e Atenas, sendo que esta última foi com o concorrente directo para o segundo lugar, o Olympiakos.

Embora matematicamente ambas se possam ainda apurar, começa a ser difícil.

Veremos o que nos dizem as próximas jornadas, mas com a eficácia mediana que têm apresentado, dificilmente as duas equipas portuguesas podem ir muito longe na competição.

O mais certo, neste momento, é ambas caírem para a Liga Europa, onde seriam certamente candidatas claras a chegar à final.

 

E como estamos de percentagens de vitórias?

Como os meus leitores habituais sabem, esse é um indicador que uso muito, pois é muito útil para fazer comparações em economia do desporto.

No futebol, a percentagem de vitórias calcula-se dando 2 pontos a cada vitória, e 1 a cada empate, somando o total, e dividindo depois pelo número máximo de pontos que se podia obter se tivessemos vitórias nos jogos todos.

Assim, um clube com 1 vitória e 1 empate, tem uma percetagem de vitórias de (2+1/4), ou 75%.

É um critério internacional, e dá-se 2 pontos por vitória para que os números possam ser comparados com o passado, quando era essa a pontuação.

 

Qual a percentagem de vitórias do FC Porto, de Paulo Fonseca?

Entre Supertaça, Campeonato, Champions e Taça, o FC Porto já disputou 15 jogos.

Obteve 10 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, ambas na Champions.

Ou seja, somou 23 pontos em 30 possíveis, e tem portanto uma percentagem de vitórias, ou "win percent", de 76,6%

Há um mês atrás estava bem melhor, em 85%, mas desceu um bom bocado, o que mostra que os resultados estão a piorar.

 

E qual a percentagem de vitórias do Benfica, de Jorge Jesus?

O Benfica disputou 14 jogos, menos um que o FC Porto, pois não jogou a Supertaça.

Venceu 8 jogos, empatou 3, e teve 3 derrotas, uma no campeonato e duas na Champions.

Ou seja, somou 19 pontos (2x8 + 3) em 28 possíveis (2 x 14), o que dá uma percentagem de vitórias de 67,8%.

Subiu ligeiramente no último mês (estava em 66,6%), mas ainda está muito abaixo do ano passado, onde chegou aos oitenta e tal por cento.

 

Por fim, qual a percentagem de vitórias do Sporting, de Leonardo Jardim?

É preciso recordar que o Sporting tem apenas 10 jogos disputados, nove para o campeonato e um para a Taça.

Desses, venceu 7, empatou 2 e foi derrotado uma vez, no Dragão.

Ou seja, somou 16 pontos (7x2 + 2), em 20 possíveis (10 x 2), o que dá uma percentagem de vitórias de 80%.

Também desceu um pouco, no último mês estava em 85,7%, e embora apresente um valor mais elevado do que os adversários, há que levar em conta que o grau de dificuldades dos jogos foi menor, pois não disputou jogos na Europa.

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publicado às 13:00

Esta semana, ficou mais uma vez evidente que os clubes portugueses têm poucas hipóteses de chegar longe na Liga dos Campeões.

Na terça, o FC Porto foi derrotado em casa pelo cada vez mais forte Atlético de Madrid, que ganhou com justiça, e revelou ser uma equipa muito mais poderosa que a portuguesa.

Na quarta, o Benfica foi reduzido a escombros em meia hora pelo Paris Saint German de Ibrahimovic, e mostrou todas as suas evidentes fraquezas.

É certo que ambas as equipas podem aspirar a passar à fase seguinte, os oitavos de final, mas é um delírio pensar que podem ir muito mais longe do que isso.

O andamento de um Bayern, de um Borussia Dortmund, de um Arsenal, de um Real Madrid ou de um Barcelona, e até o andamento dos dois clubes com que os portugueses jogaram esta semana, é muito superior ao nosso, e não vale a pena alimentar ilusões.

Pelo simples facto da final se jogar este ano na Luz, logo os portugueses começaram a delirar.

De um lado, o Benfica, admitindo ser seu objectivo jogar a final em casa.

Do outro, o FC Porto, onde vários jogadores, como o capitão Lucho, falaram do gozo que lhes daria jogar uma final no campo do rival.

Sim senhor, e eles pensam que enganam quem?

Não seria melhor descerem à terra e deixarem-se de fantasias infantis?

A Champions não é para o nosso dente, essa é que é essa, e é quase impossível um clube português repetir a proeza do FC Porto de Mourinho.

Analisem-se só estas estatísticas simples, comparando a antiga Taça dos Campeões Europeus com a actual Liga dos Campeões.

Na antiga competição, existiram 37 finais, entre 1956 e 1992.

Os 74 clubes finalistas eram provenientes de 13 países diferentes, onde se incluíam os quatro grandes (Inglaterra, Itália, Alemanha e Espanha), mas também outros, como a Holanda, Portugal, a Jugoslávia, a Escócia, a Roménia, a França, a Grécia, a Bélgica ou a Suécia.  

Ou seja, todos estes países viveram a alegria de, pelo menos uma vez, colocar um clube nacional na final dos Campeões Europeus.

No caso português, houve oito finalistas (Benfica 7, FC Porto 1), o que dá uma proporção de 10,8 por cento de finalistas portugueses (8 em 74).

Podemos dizer, de forma simplista, que qualquer campeão português tinha uma probabilidade de 11 por cento de chegar à final!

Contudo, a partir de 1993, com a chegada da Liga dos Campeões, tudo mudou.

Em 21 anos de competição, apenas sete países tiveram finalistas na Champions, mas apenas 5 dos 42 finalistas não eram dos 4 países grandes!

Só o Ajax, o Marselha por duas vezes, o FC Porto e o Mónaco chegaram à final, os outros 37 finalistas eram sempre espanhóis, italianos, ingleses ou alemães.

No caso específico de Portugal, houve 1 finalista em 42, uma proporção de 2,5 por cento.

Portanto, entre a Taça dos Campeões Europeus e a Liga dos Campeões, a probabilidade de um clube português ir à final desceu a pique, de 11 para 2,5 por cento.

Os tubarões, que são muito mais na Champions, dominam sempre e todos os anos ganham mais dinheiro que os outros, aumentando ainda mais o fosso da desigualdade.

Sendo assim, e se os clubes portugueses desejam ganhar taças, melhor é que apostem na Liga Europa, onde a nossa possibilidade de chegar à final é muito maior.

Em 90 finais, juntando as antigas Taça das Taças e Taça UEFA, os portugueses tinham ido a três (Sporting e FC Porto nas Taças, Benfica na UEFA).

Desde que o formato mudou e há só uma competição, Liga UEFA/Europa, em onze épocas apenas, já cinco clubes portugueses estiveram na final (FC Porto 2, Sporting, Braga e Benfica).

E quem acha que financeiramente a Liga Europa é menos interessante, está a exagerar.

Em 2011/2012, o Benfica facturou 23 milhões de euros em prémios da UEFA, por ter chegado aos quartos de final da Champions.

Mas, o ano passado, com fase de grupos na Champions e depois caminhada até à final da Liga Europa, o Benfica chegou aos 22 milhões de euros de prémios, uma diferença quase irrelevante.

O caminho é pois esse: ir à fase de grupos da Champions, tentar chegar aos quartos; ou então deixar-se cair logo para a Liga Europa, tentando vencê-la.

Agora, pensar em ganhar a Champions é um puro delírio.

Os jogos do Dragão e de Paris são a prova disso. 

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publicado às 10:31

O Benfica tem uma disfunção motivacional perigosa.

O presidente delira com a Champions e o melhor plantel dos últimos 30 anos, e na Luz a equipa não consegue ganhar ao penúltimo!

A exibição contra o Belenenses foi confrangedora.

Vencendo, o Benfica podia manter a pressão sobre o FC Porto e o Sporting.

Não o conseguiu, e nem a evidência de que o golo do empate do Belenenses foi ilegal iliba a equipa.

Não se compreende o que se passa, os jogadores parecem desmotivados, e alguns andam com a cabeça na lua. 

Assim ninguém será campeão.

Mas o problema parece-me mais profundo, e a entrevista de Luís Filipe Vieira, de terça-feira à CMTV, foi um sinal disso.

Não se compreende que Vieira venha dizer que o Benfica tenha o melhor plantel dos últimos 30 anos.

Isso é no papel, sr. presidente! Dizê-lo é um erro.

Quando dizemos que os jogadores são muito bons, eles ficam convencidos disso, e baixam a intensidade.

Além disso, subimos as expectativas dos sócios e dos apoiantes, para níveis altíssimos e insustentáveis.

A última vez que Vieira falou no melhor plantel de sempre, e Jesus disse que tinha de ganhar a Liga dos Campeões, o Benfica teve o seu pior ano dos últimos quatro.

Esta época, pelos vistos, o delírio voltou a atacar as lideranças da Luz.

Para quê falar em vitórias na Champions, quando a probabilidade de isso acontecer é mínima?

O que pensaríamos nós se o presidente do Zenit, do Shaktar ou do Arsenal, dissesse que queria ganhar a Champions?

Claro que sorriríamos, e pensaríamos que não estava bom da cabeça.

Ora, porque cria Vieira essa ilusão perigosa em todos, sócios e jogadores?

Não percebe o presidente do Benfica que a probabilidade de um clube português chegar à final da Champions é mínima?

Coisas destas, de tão irrealistas, não motivam ninguém, apenas causam ilusões tontas.

E depois há o choque traumático com a realidade: um clube que quer chegar à final da Champions e tem o melhor plantel dos últimos 30 anos, não consegue vencer em sua casa o Belenenses, penúltimo classificado da Liga!

Há uma disfunção motivacional claríssima no Benfica: Vieira diz que os jogadores são tão bons, que eles se tornam convencidos, blasés, e depois não conseguem ganhar jogos fáceis.

O Benfica não tem fúria de vencer, não a Champions, mas o próximo jogo, é esse o problema.

Vive a pensar em fantasias distantes em vez de descer à terra, e lutar, todas as semanas, como um louco que quer vencer tudo.

Assim, não se vai lá.

O futebol é vencer no dia a dia, não é alimentar quimeras improváveis.

E no dia a dia, as coisas estão fracas. 

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publicado às 11:02


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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