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Por vezes, os adeptos do FC Porto gostam de atirar à cara dos benfiquistas que o Benfica é o clube do Estado Novo.

Nada mais falso. 

É verdade que o Benfica ganhou mais campeonatos que os outros durante o Estado Novo, mas também ganhou mais campeonatos que os outros durante as décadas de 70 e 80, já depois do 25 de Abril. 

Além disso, até à gloriosa década de 60, com Eusébio e Coluna, o Benfica tinha ganho os mesmos campeonatos que o Sporting, durante o Estado Novo, não era melhor ou pior que os leões.

Mas, para provar o meu ponto, apresento algumas estatísticas.

 

Os primeiros 6 campeonatos, durante a década de 30, e portanto já com Salazar como presidente do Conselho, são vencidos pelo Benfica (3) e pelo... FC Porto (3).

Na década de 40, é o Sporting o melhor. Vence 5 campeonatos, contra 4 do Benfica e 1 do Belenenses.

Na década seguinte, a de 50, é de novo o Sporting a dominar, com 5 campeonatos, contra 3 do Benfica e 2 do FC porto.

Portanto, no ano de 1960, com 26 campeonatos já disputados em pleno Estado Novo, a contabilidade era a seguinte: Benfica 10, Sporting 10, FC Porto 5 e Belenenses 1.

 

A partir daqui, o Benfica cresce muito, e o FC Porto desaparece.

Na década de 60, o Benfica vence 7 campeonatos, e o Sporting 3.

E nos quatro anos que irão até à revolução dos cravos, o Benfica vence 3 campeonatos, e o Sporting apenas 1.

Portanto, quando em Portugal se dá o 25 de Abril, existiam já 40 campeonatos disputados, e a contabilidade era a seguinte: Benfica 20, Sporting 14, FC Porto 5, e Belenenses 1.

Embora fosse o Benfica o que tinha mais vitórias, é um pouco absurdo dizer que dominou devido ao Estado Novo quando o Sporting venceu 14 títulos durante esse regime, e até aos anos 50 tinha tantas vitórias como o Benfica. 

 

E o que aconteceu depois do 25 de Abril?

Bem, o que aconteceu é que continuou o domínio do Benfica durante os vinte anos seguintes.

Entre 1974 e 1980, o Benfica vence 3 campeonatos, o FC Porto 2, e o Sporting 1.

E na década de 80, o Benfica vence 5 campeonatos, o FC Porto vence 4, e o Sporting vence 1.

Durante os primeiros 16 anos depois da revolução, o domínio do Benfica é claro, 8 campeonatos, contra 6 do FC Porto e 2 do Sporting.

 

É só nos anos 90 que se dá a grande viragem a favor do FC Porto.

Na década de 90, os azuis vencem 7 campeonatos, o Benfica 2 e o Sporting 1.

E na primeira década do novo século a tendência prossegue: 6 títulos para o FC Porto, 2 para o Benfica, 1 para o Sporting e outro para o Boavista.

Os últimos quatro anos também não alteram a equação: 3 campeonatos para o FC Porto e 1, o deste ano, para o Benfica.

Assim, a contabilidade da democracia, onde aconteceram 40 campeonatos, é muito forte para o lado azul: 22 campeonatos conquistados desde o 25 de Abril, contra 13 do Benfica, 4 do Sporting e 1 do Boavista. 

O FC Porto é sem dúvida o clube que mais venceu no regime democrático, e curiosamente o seu domínio é bem mais claro do que o do Benfica durante o Estado Novo.

Portanto, o que se pode dizer com toda a certeza é que o FC Porto era muito fraco durante a ditadura, e tornou-se muito forte com a democracia; e que os clubes de Lisboa enfraqueceram os dois, sobretudo depois dos anos 90.

 

Pela minha parte, acho que não foi por causa da democracia que o FC Porto cresceu, mas sim porque Pinto da Costa surgiu e percebe muito de futebol.

Para mais, é um pouco estranho que se tire mérito aos clubes, ou às seleções nacionais, por causa dos regimes políticos.

O Brasil, por exemplo, venceu 3 campeonatos do Mundo porque tinha Pelé, ou porque o seu regime era uma ditadura?

Nadia Comaneci era uma fantástica atleta de ginástica ou tudo se explica porque vivia debaixo da pata de Ceausescu?

A ligação desporto-política não é nada clara, nem óbvia, muito menos no futebol.

O Benfica, é sabido, sempre foi olhado com desconfiança por Salazar, que até considerava o clube de "esquerda"!

E, quem é que ganhou campeonatos durante o PREC e o Verão Quente, no auge da revolução de Abril? O Benfica (75,76 E 77)... 

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publicado às 17:18

Muitos dos meus amigos são peremptórios: acabou a era de domínio do FC Porto no futebol nacional.

A terrível época que os azuis estão a viver, talvez a pior do longo consulado de Pinto da Costa, é um prenúncio do fim.

A partir de agora, dizem muitos sportinguistas e benfiquistas, será sempre a descer.

Outros acrescentam que Pinto da Costa está velho e cansado, que já não é o mesmo, e que à volta dele não há ninguém com tanto talento para a gestão de uma equipa.

 

Pela minha parte, não embarco nesses cânticos terminais.

Apesar desta época ter sido desastrosa, o FC Porto tem ainda ativos muito bons.

O valor do plantel do FC Porto, nos sites da especialidade, ronda os 200 milhões de euros.

Podem ter de ser vendidos 2 ou 3 jogadores (Jackson, Fernando, Mangala) mas não será impossível o FC Porto descobrir novos talentos e construir uma boa equipa para o próximo ano.

Desde que escolha bem o treinador, muitos dos que lá estão e jogaram mal, podem começar a jogar melhor, e não será assim tão difícil voltarem a apresentar uma boa equipa.

 

Já por várias vezes vi fazerem o enterro do FC Porto.

Em 2002, quando não ganhava há três anos, Pinto da Costa descobriu Mourinho e foi o que se viu.

E, em 2010, ouvi muitos benfiquistas a dizer que a hegemonia azul e branca tinha chegado ao fim e o que chegou foi Villas-Boas e a sua super-equipa.

Portanto, não substimo os meus adversários, sobretudo quando eles têm um palmarés notável, seja em Portugal, seja na Europa.

Suspeito que é prematuro o enterro dos azuis e brancos e do seu chefe supremo.

É certo que a época foi muito má, a equipa entrou em espiral recessiva, mas é ainda muito cedo para falar em decadência.

 

 

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publicado às 12:16

Que grande jogo fez o Benfica!

Uma entrada fulgurante, a alta velocidade, que naturalmente empatou a eliminatória bem cedo.

Sempre em aceleração, não sabemos o que podia ter acontecido se tivessem ficado onze em campo mais de 27 minutos.

Siqueira fez um erro grosseiro, na sua segunda falta, mas não merecia o primeiro amarelo dado por Proença.

A expulsão mudou o jogo, que nunca mais foi o mesmo, e podia ter dado cabo do Benfica.

 

Podia, mas não deu.

Jesus tirou Cardozo, a equipa reequilibrou-se e voltou do intervalo ainda mais empenhada.

Às vezes, é quando estamos melhores que sofremos, e o golo de Varela foi uma surpresa desagradável.

De repente, tudo parecia perdido.

Havia uma montanha para escalar, 2 golos a marcar, com menos um jogador.

Só que este Benfica é de betão, duríssimo de demolir.

 

Só se ganha um penalty quando se joga na área do adversário, e era isso que o Benfica já estava a fazer minutos depois do empate.

Para a frente era o caminho, com força mental e atrevimento.

Enzo marcou com frieza, e a esperança voltou a nascer.

A Luz inflamou-se, puxou pela equipa, e o FC Porto acanhou-se, com a mediocridade habitual deste ano.

Mas, ninguém esperava o que aconteceu.

Todos admitiam um golo, mas nasceu uma obra de arte.

André Gomes mostrou que ali há génio, e afundou o FC Porto para sempre.

 

Uma vingança que estava prometida desde 2011, destruindo essa espinha que estava encravada na garganta dos benfiquistas.

Foi dos jogos mais fantásticos dos últimos anos, para os benfiquistas.

Vencer com 10 o FC Porto é obra!

Depois, aquilo não foi bem futebol, mas ninguém ajudou.

Pouco importa, estava ganho.

Um grande e forte Benfica derrotou um FC Porto neurótico e deprimido, sem força nem talento para mais.

Alguém disse um dia que para haver ambição é preciso haver primeiro talento, e depois confiança.

Este Benfica tem tudo: talento, confiança e ambição.

Veremos até onde chegam as suas vitórias, para depois poder dizer algo mais.  

Mas, uma coisa é já certa: Jorge Jesus, o Messias branco da Luz, já não está de joelhos.

 

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publicado às 12:50

Depois do descalabro do FC Porto ontem em Sevilha, a que Quaresma chamou "uma vergonha", a pergunta que se deve colocar é: foi boa ideia mudar de treinador?

Muitos adeptos e comentadores do FC Porto disseram que Paulo Fonseca era péssimo, e que já devia ter saído há muito tempo.

E quase todos eles elogiaram Luís Castro pela sua postura e pelas suas escolhas.

Porém, os números são implacáveis, e com 11 jogos realizados pelo FC Porto, a verdade é que Luís Castro apresenta piores resultados que o seu antecessor.

Se observarmos a percentagem de vitórias, onde cada empate vale metade de cada vitória, temos que em 11 jogos, Luís Castro tem 7 vitórias, 1 empate e 3 derrotas.

A percentagem de vitórias de Luís Castro é pois de 68,1%.

Ora, no momento em que saiu, Paulo Fonseca disputara 35 jogos com o FC Porto, tendo obtido 21 vitórias, 7 empates e 7 derrotas.

A percentagem de vitórias de Paulo Fonseca era de 70%.

Ou seja, era melhor do que a de Luís Castro é.

Valeu a pena despedir o treinador?

Não. 

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publicado às 12:15

Ontem, Pinto da Costa veio dizer que Quaresma foi vítima de "insultos racistas", e por isso perdeu a cabeça.

Além disso, o presidente do FC Porto alegou que o jogador estava a ser prejudicado por ser cigano, pois muita gente não o queria ver na Seleção Nacional.

Terá razão?

Quanto à primeira parte, se houve ou não insultos racistas, não sabemos bem, mas pela forma como Quaresma perdeu a cabeça, é possível que tenham existido.

Porém, ele não agrediu ninguém, e confusão e gritos, não sendo bonitos de ver, não são comportamentos graves.

 

A segunda acusação de Pinto da Costa é mais séria.

Quaresma é discriminado na Seleção porque é cigano?

É essa a razão porque não é convocado?

Os preconceitos existem sempre, gostemos ou não deles, mas numa sociedade civilizada, e num desporto cuja organização internacional, a FIFA, tem o combate ao racismo como objectivo, seria inaceitável que Quaresma não fosse convocado só por ser cigano.

 

Como foi a história de Quaresma na Seleção Nacional até aqui?

Um pouco como a carreira dele, com altos e baixos, mas sem nunca assentar arraiais definitivos.

Nem com Scolari, nem com Carlos Queiroz, nem com Paulo Bento, ele se saiu muito bem.

Ao contrário de Ronaldo, Nani, Pepe, Coentrão, Moutinho, Rui Patrício ou mesmo Miguel Veloso, que começaram por ser jovens talentosos, mas acabaram titulares devido à sua consistência e compromisso, Quaresma nunca o conseguiu.

De vez em quando, lá apareciam uns fogachos na Seleção, mas rapidamente o jogador se eclipsava.

 

É evidente que, na sua carreira nos clubes, as coisas também não lhe saíram bem.

Com a excepção do FC Porto (da primeira vez e agora), Quaresma falhou quase sempre.

Falhou no Barcelona, no Chelsea, no Inter, e até no Besiktas, onde começou bem.

Quaresma, pode-se dizer, passou ao lado de uma grande carreira.

 

Muitos dizem que o que o estragou foi o seu comportamento, nos balneários, nos estágios, na vida privada.

Vaidoso, conflituoso, egocêntrico, mau colega, causador de distúrbios, foram tudo acusações que se ouviram.

Mas, terá sido mesmo assim, ou tudo não passou de um enorme e colossal preconceito contra um cigano?

Talvez um pouco das duas coisas.

O comportamento do jogador muitas vezes não foi o melhor, mas também acredito que muitas vezes ele foi prejudicado pelos preconceitos que existem contra os ciganos.

E é um pouco isso que se está a passar agora.

 

Parece-me evidente que, até Janeiro, o problema de Quaresma nem se colocava para Paulo Bento.

O jogador andava perdido pelas Arábias, e não contava.

Contudo, o regresso ao FC Porto e a sua excelente forma, mostraram que ele continua cheio de talento e energia.

Porque não convocá-lo?

Será que é assim tão complicado integrá-lo num grupo estável e bem liderado por Paulo Bento?

Por outro lado, na posição de Quaresma, falta-nos gente de qualidade.

Nani está lesionado e não sabemos se recupera, Danny não conta, Ivan Cavaleiro e Mané são muitos jovens, Bruma e Rafa estão fora de combate.  

Quem tem a seleção para aquela posição, além de Cristiano e Varela?

Pois é... 

Com falhas destas, seria uma aberração Quaresma ficar de fora do Mundial, e nesse caso eu próprio começaria a acreditar que há um preconceito claro contra ele, o que é grave.

Vamos esperar pelas convocatórias, para ver o que acontece.

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publicado às 10:23

É quase sempre assim quando se muda um treinador.

Os estudos feitos em várias universidades, sobretudo inglesas, concluem que raramente uma equipa melhora quando muda de treinador.

Por vezes, há uma ligeira excitação inicial nos primeiros jogos depois da chicotada, mas logo os resultados se degradam e no final as coisas ainda ficam pior do que estavam antes da mudança de treinador.

Este ano, há dois exemplos claros: o Tottenham e o FC Porto.

Em Londres, Tim Sherwood tem resultados bem piores que André Villas-Boas, e já há adeptos dos Spurs a pedir o regresso de AVB.

A mudança não trouxe qualquer benefício à equipa, que continua desmoralizada e a praticar mau futebol.

 

O segundo exemplo é o FC Porto, onde Luís Castro veio substituir um Paulo Fonseca mal amado pelos adeptos.

Mas, já com sete jogos, o FC Porto não melhora, nem sequer houve aquele efeito positivo da chicotada.

O registo de Luís Castro é, para já, pior que o de Paulo Fonseca quando saiu.

Em 7 jogos, Luís Castro conseguiu 4 vitórias, 1 empate e 2 derrotas.

A sua percentagem de vitórias, contando os empates a valerem metade das vitórias, é de 64,2%. 

 

No momento em que saiu, Paulo Fonseca disputara 35 jogos oficiais aos comandos do FC Porto, em todas as competições.

Tinha obtido 21 vitórias, 7 empates e 7 derrotas.

A sua percentagem de vitórias era de 70%.

Portanto, a mudança de treinador não valeu de nada, pelo menos até agora.

E, desportivamente, o FC Porto piorou, pois viu o 2º lugar fugir-lhe, com as derrotas em Alvalade e na Madeira.

Veremos o que aconteçerá nas outras competições (Liga Europa, Taças de Portugal e da Liga), mas até agora Luís Castro está abaixo de Paulo Fonseca.

 

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publicado às 12:25

Ontem, o Benfica desiludiu. O resultado acabou por ser melhor do que o jogo, e nada está perdido.

Porém, 1-0 foi bom, pois o FC Porto podia ter marcado mais golos.

A estratégia do Benfica foi evidente: minimizar os esforços e os danos.

O Benfica esteve sempre com a cabeça em Braga, e não no Dragão.

O jogo que vai jogar no domingo era bem mais importante que este, e por isso Jesus poupou Enzo, Siqueira, Gaitan, Markovic, Lima, meia-equipa.

E mesmo os que jogaram não jogaram para ganhar, mas para perder o menos possível.

Salvaram-se Artur, Luisão e Garay, e de resto pouco se viu.

Salvio ainda está muito perro, Ruben Amorim esteve acanhado, Cardozo parecia um fantasma, e só Rodrigo deu umas corridas. 

 

Do outro lado, o FC Porto fez um bom jogo. Jackson empenhou-se, Quaresma é sempre inspirado, Herrera subiu muito.

Passo a passo, Luís Castro está a fazer regressar a equipa à matriz Villas-Boas/Vítor Pereira, e os jogadores estão mais confortáveis.

Licá, Carlos Eduardo, e Josué, que estão uns furos abaixo do que se exige no FC Porto, já não têm o mesmo protagonismo.

A equipa está mais coesa e parece mais motivada, mas 1-0 não é um resultado que dê garantias de nada.

Na Luz, o FC Porto terá muito mais dificuldades, isso é certo.

 

Até porque a segunda meia-final só se jogará a 16 de Abril, e nessa altura o Benfica já pode estar mais folgado.

Pelo meio, haverá 3 jogos para o campeonato, e mais a liga Europa.

O Benfica terá de ir a Braga, receber o Rio Ave, e ir a Arouca, e pelo meio jogará com o AZ Alkmaar.

Se nas próximas 3 jornadas o título ficar decidido, e se o Benfica eliminar o AZ, a 16 de Abril poderá apresentar uma equipa mais forte para defrontar o FC Porto. 

A gestão da rotatividade dos jogadores faz sentido, mas se o título se decidir mais cedo, mais cedo as outras frente se tornam mais importantes.

Ontem, foi mínimo esforço e mínimo dano. 

A 16 de Abril as coisas serão bem diferentes. 

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publicado às 11:14

Segundo um estudo CIES (Centre International des Etudes Sportifs), um observatório suíço muito credível, que trabalha com a FIFA, o FC Porto é o terceiro clube que mais dinheiro realizou com vendas de jogadores para as 5 principais ligas europeias.

Se contarmos apenas com as transferências para Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha e França (o que significa que ficam de fora a Rússia, a Turquia e a Ucrânia, que nos últimos anos também foram bons mercados compradores de jogadores), o FC Porto realizou 282,7 milhões de euros em transferências para os 5 mercados principais.

O resultado é excelente, e acredito que, se fossem também contabilizadas as vendas para a Rússia, (Hulk, Bruno Alves), provavelmente o FC Porto estaria em primeiro lugar.

 

Na lista do CIES, que diz respeito aos últimos 8 anos, o FC Porto só fica atrás do Tottenham, que vendeu 322,1 milhões de euros de jogadores; e do Real Madrid, que vendeu 303,7 milhões de euros em jogadores.

Em quarto está o Liverpool, com 239,8 milhões de vendas, e depois seguem-se 3 clubes italianos: AC Milan, com 229,5 milhões; Inter, com 224,9 milhões e a Udinese, com 220 milhões de euros de vendas de jogadores.

Mais lá para baixo na lista, em 16º lugar, está o Benfica, com vendas de 174 milhões de euros, mas também aqui se contabilizassemos a Rússia (Witsel), provavelmente o Benfica poderia estar no top 10.

 

Seja como for, o que estes resultados demonstram, no caso dos clubes portugueses, é que o modelo "import-win-export", levado à prática sobretudo pelo FC Porto, é um modelo de negócio excelente.

O que o FC Porto fez, nos últimos 20 anos, foi conseguir encontrar "talentos" por esse mundo fora, do Brasil ao Japão, passando pela Colômbia ou pela Sérvia; e comprá-los por um bom preço.

"Importar barato" foi o primeiro segredo do FC Porto, e é assim que o modelo de negócio se inicia.

Depois, o que o FC Porto faz é pagar bons salários (os mais elevados em Portugal quase todos os anos) e gerar equipas muito competitivas, capazes de vencerem em Portugal e mesmo na Europa.

Em 20 anos, foram 14 títulos nacionais; e mais 3 títulos europeus, incluindo uma Champions.

Essa competitividade da equipa valoriza os jogadores, que depois de 2 ou 3 anos no clube são vendidos, com uma choruda mais-valia.

Importar, vencer, exportar; "import-win-export", é esse o modelo de negócio do FC Porto, e tem sido muito bem sucedido.

 

Os outros clubes não têm sido tão bem sucedidos, sobretudo na parte do meio.

Ao longo dos anos, Benfica, Sporting, e mesmo os clubes mais pequenos, muitas vezes conseguem vender jogadores bem vendidos, mas dificilmente conseguem ganhar títulos.

O Benfica, por exemplo, já vende muito bem, como o estudo do CIES revela.

Porém, nem sempre compra bem, gastando dinheiro a mais, e nem sempre compreende que precisa de pagar salários altos, para conseguir vencer.

Este ano, tal como em 2010, o Benfica parece finalmente ter percebido como funciona o modelo "import-win-export", e talvez por isso está à frente do FC Porto no campeonato.

E também é verdade que o FC Porto cometeu alguns erros, seja na escolha de jogadores, seja de treinadores, que não são habituais.

Mas, ter cometido erros num ano não significa que se entrou em decadência.

O FC Porto teve um modelo muito bem sucedido muitos anos, e pode perfeitamente recuperar na próxima época. 

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publicado às 16:15

Os números desta época do Benfica começam a ser impressionantes.

A equipa tem vindo sempre a melhorar desde Outubro, e não parece estar a fraquejar, agora que chega o momento das grandes decisões.

Até agora, nas quatro competições em que está envolvido, o Benfica realizou 41 jogos, dos quais venceu 32, empatou 6 e apenas perdeu 3 (dois na Champions e um no campeonato).

A percentagem de vitórias do Benfica, onde cada empate conta metade de uma vitória, está neste momento em 85,3%.

É um número muito bom, e continua a crescer, pois a meio de Fevereiro, o Benfica de Jesus estava com 82,8% de percentagem de vitórias, e subiu.

É claro que isto pode significar pouco no final, mas com a liderança do campeonato muito sólida, com sete pontos de avanço, o Benfica tem margem e plantel para conseguir ter alto rendimento nas outras competições.

Nas taças de Portugal e da Liga, estão a chegar os grandes jogos contra o FC Porto, mais 3 provas de fogo.

E, na Liga Europa, o AZ Alkmaar não parece capaz de impedir que o Benfica chegue à meia-final.

Porém, na Luz toda a gente sabe que as alegrias de Março não servem de nada se em Maio só aparecerem tristezas.

Ninguém admitiria outra vez um cenário idêntico ao do ano passado, por isso é melhor cerrarem os dentes e lutarem até os títulos estarem ganhos.

 

Quanto ao Sporting, também melhorou um pouco no último mês e meio.

Em Fevereiro, o clube estava com uma percentagem de vitórias de 75%, o que já eram bom, mesmo sabendo que não disputou jogos europeus e que já foi eliminado das Taças nacionais.

No entanto, com um total de 29 jogos disputados, com 19 vitórias, 7 empates e 3 derrotas, o Sporting tem agora uma percentagem de vitórias de 77,5%, o que revela a melhoria que a equipa ainda consegue ter nesta altura.

Comparando com épocas anteriores, é um resultado muito bom, que pode permitir ao clube a entrada directa na Champions.

Veremos se Jardim consegue aguentar a ponta final do campeonato, mas tudo parece apontar para essa possibilidade.

 

 

O ano horribilis do FC Porto é evidente. 

Em Fevereiro, o FC Porto estava já abaixo dos rivais, com uma percentagem de vitórias de 72,7%.

Paulo Fonseca saiu, mas as coisas ainda não melhoraram muito.

Com 42 jogos disputados, o FC Porto tem agora 24 vitórias, 10 empates e 8 derrotas, o que dá uma percentagem de vitórias de 69%.

Curiosamente, se fizermos a percentagem de vitórias apenas para os jogos com Luís Castro aos comandos, o número é semelhante.

Em 5 jogos, 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota dá uma percentagem de vitórias de 70%, em linha com o resto da época.

Mudar de treinador raramente muda o essencial: o valor da equipa é mais baixo do que em outros anos, e portanto as coisas ficam mais ou menos na mesma, mesmo mudando o treinador.

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publicado às 10:52

Benfica e FC Porto são dois dos principais favoritos à vitória na Liga Europa.

Mourinho disse-o, e os oitavos de final confirmaram isso mesmo.

O FC Porto fez um grande jogo em Nápoles, empatando 2-2, e enviou para casa Benitez e Higuain.

O Benfica, que fez um grande jogo em Londres, onde venceu 3-1, ontem ainda apanhou um susto, mas acabou por empatar 2-2 e garantir que seguia em frente, o que faz sentido.

Durante 170 minutos o Benfica foi mais equipa que o Tottenham, que só acordou a 10 minutos do fim do jogo de ontem.

Podia ter empatado? Sim, podia, mas seria injusto, pois os ingleses jogaram muito pouco nos dois jogos.

 

E agora, quais são as possibilidades nos quartos de final?

Ao Benfica saiu uma das equipas teoricamente mais fáceis, o AZ Alkmaar.

Classificado no 35º lugar no ranking da UEFA, enquanto o Benfica é o 6º; e com um plantel avaliado em 43,9 milhões de euros, enquanto o do Benfica vale 190,7 milhões de euros; não há como negar que o Benfica é o favorito.

No campeonato holandês, o AZ está em sétimo, enquanto o Benfica lidera em Portugal, e com a segunda mão na Luz, parece-me que o Benfica tem todas as possibilidades de estar presente nas meias-finais. 

 

Quanto ao FC Porto, vai ter de defrontar o Sevilha, uma equipa perigosa e matreira.

Mas, o FC Porto também é favorito, sobretudo depois de duas eliminatórias épicas, em Frankfurt e Nápoles, a equipa está muito motivada e confiante nesta competição.

O Sevilha é o 29º no ranking da UEFA, enquanto o FC Porto é o 10º; e o plantel dos espanhóis vale cerca de 114 milhões de euros, enquanto o do FC Porto vale 183,2 milhões, o que ainda é uma diferença importante de qualidade.

No campeonato espanhol, o Sevilha está em 7º; enquanto os azuis estão em 3º no português.

Beto vai ter de defender muito para evitar que o FC Porto, sua antiga equipa, não siga para as meias-finais.

 

A minha previsão é que nas meias-finais da Liga Europa estejam presentes Juventus, Valência, FC Porto e Benfica, pois não acredito que o Lyon consiga derrotar os italianos, nem que o Basileia consiga eliminar o Valência.

Mas, isto é antes de começar...

 

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publicado às 12:42


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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