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Segundo a imprensa desportiva, o jogador Fernando renovou contrato com o FC Porto até 2017.

Assim termina uma longa novela, que começara há mais de um ano, quando Fernando disse que não desejava renovar e que queria ir para os outros campeonatos.

O processo arrastara-se, e como o contrato do jogador com o FC Porto terminava em Junho deste ano, o clube corria o risco de ver sair um dos seus activos mais valiosos sem receber nada em troca.

A seguir a Jackson e Mangala, Fernando é o jogador com maior valor de mercado no FC Porto, valendo cerca de 18 milhões de euros nos sites da especialidade.

Durante o mês de Janeiro, o braço de ferro entre clube e jogador esteve ao rubro.

Fernando esteve para ser vendido, junto com Mangala, ao Manchester City, mas à última da hora o FC Porto recusou a proposta.

Depois, correu a notícia que a renovação falhara, e que Fernando não mais jogaria de azul e branco até ao final da época.

Disse-se também que ele já teria assinado um pré-contrato com o City para Junho, saindo a custo zero.

 

No meio de grande especulação, o que se pode concluir é que a situação esteve quase a romper, mas à última da hora o FC Porto cedeu, e fez-lhe uma proposta de renovação irrecusável.

Fernando venceu o braço de ferro com o clube, e isso aconteceu porque o FC Porto estava numa posição de vulnerabilidade.

Se não renovasse, o clube não só perdia a possibilidade de realizar uma mais valia futura, como teria de o colocar de "castigo" até Junho, perdendo um elemento essencial do meio-campo.

Se a equipa já não anda bem, sem Fernando seria convocar o desastre.

Sentindo essa fragilidade, o jogador e o empresário esticaram a corda e ganharam.

 

Segundo se diz, Fernando vai ganhar 4 milhões de euros de salário anual, recebe um prémio de assinatura de 1,5 milhões, e ainda tem direito a 10 por cento de qualquer transferência futura.

É um fabuloso contrato para o jogador, e o mais elevado salário de sempre que um clube português paga.

Nem Hulk, nem Falcão ganharam tanto.

Porém, é provável que o jogador saia já em Junho, e portanto o custo será recuperado nessa altura com a mais valia da venda.

Poderá vir a ser um bom negócio para o FC Porto quando a venda se der, mas para já apenas foi um excelente negócio para o jogador!

 

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publicado às 10:26

Se há coisa que tem espantado nos últimos tempos no FC Porto é a gestão dos recursos humanos, leia-se jogadores.

Ao longo de décadas, o clube habituou as pessoas a uma gestão exímia, sem demasiadas turbulências.

Enquanto no Benfica e no Sporting havia casos e melodramas, no FC Porto parecia reinar sempre uma calma imperial, mesmo quando havia problemas.

Porém, nos últimos tempos, os erros sucedem-se, bem como as declarações de insatisfação de muitos jogadores.

Há os que saíram zangados e em conflitos, como Rolando, Atsu ou mais recentemente Fucile.

Há as apostas absurdas, como Liedson e Izmailov.

Há os capitães que não se sabe se vão ou não continuar no clube, como Helton ou Lucho.

Há os fenómenos que nunca explodiram e tiveram de ser emprestados, como Iturbe.

Há os que querem sair para melhor, embora admitam esperar, mesmo insatisfeitos, como Otamendi, Mangala ou Jackson.

Há os que querem sair já, por esta ou aquela razão, como Quintero ou Defour.

E há ainda Fernando, que não se sabe se vai renovar, e caso não o faça é uma perda total, pois termina o contrato em Junho e pode sair a custo zero.

No onze principal, por exemplo, tirando os laterais Danilo e Alex Sandro, o extremo Varela, e os recém-contratados Josué, Licá e Carlos Eduardo, quase todos parecem ter dúvidas se ficam ou não. 

É evidente que, nos dias que correm, é quase impossível impedir os jogadores de falar em público, mas o somatório de todas estas declarações, dúvidas, zangas e falhanços, deixa uma impressão geral de perturbação e falta de concentração.

A ideia que dá é que o compromisso dos jogadores com o clube é menor, e que muitos estão com a cabeça noutro lado e insatisfeitos.

Pelos vistos, nem a estrutura consegue estabilizar os discursos e as expectativas dos jogadores, nem o treinador os consegue focar nos jogos.

Talvez por isso, a equipa não consiga jogar muito bem, e pareça desligada.

Pela primeira vez em muitos anos, o balneário do FC Porto não parece remar todo para o mesmo lado, e isso nota-se.

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publicado às 10:24


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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oeconomistadabola@gmail.com

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