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Os grandes clubes de futebol não têm como objectivo os lucros, mas sim as vitórias.

É isso que os adeptos desejam, bem como os accionistas, ou presidentes.

O lucro não é o primeiro objectivo de um clube de futebol.

Porém, quando se ganha, muitas vezes consegue-se também dar lucro.

Está a ser o caso do Benfica, esta temporada.

Não só conseguiu vencer três títulos em Portugal, e ir à final da Liga Europa, como conseguiu dar lucros.

 

Quais foram as principais razões destes lucros? 

As receitas de bilheteira não foram maiores do que as do ano passado, até desceram um pouco.

Onde a receita cresceu muito foi nos direitos de transmissão televisiva.

A Benfica TV representou um aumento de mais de 14 milhões de euros em receitas televisivas, o que é excelente, sobretudo no ano de arranque.

E é quase certo que para o ano estas receitas vão manter-se, ou mesmo aumentar ainda, pois a taxa de mortalidade dos assinantes da Benfica TV tem sido baixa. Ou seja, quem assina fica, e isso está a permitir construir uma base sólida com poucas oscilações.

 

A segunda razão para o aumento de receitas foi a venda de jogadores (Matic, Rodrigo e André Gomes).

O presidente Luís Filipe Vieira tinha decidido em Agosto não vender, para tentar ir longe na Champions.

Porém, em Janeiro o Benfica seguiu para Liga Europa, e o clube decidiu vender, embora apenas Matic tinha saído da equipa.

O resultado das três vendas foi muito bom, e provavelmente o clube não tem necessidade de vender este Verão.

O que não quer dizer que não venda.

Garay, Gaitan, Cardozo, Enzo, todos têm muita procura, e em certos casos será impossível que fiquem no Benfica.

Como Jesus ontem reconheceu na SIC Notícias, Enzo Pérez será o mais difícil de substituir, e por isso é provável que só saia se alguém pagar os 30 milhões da cláusula de rescisão. 

Mas, se há coisa que o clube aprendeu nos últimos anos foi a substituir bem os que saiem por novos talentos, e todos acreditam que Jesus o poderá voltar a fazer, mesmo que saiam 4 ou 5 jogadores titulares.

 

Parece-me que com a Benfica TV, e com as vitórias da equipa, o Benfica chegou a um novo patamar de estabilidade e solidez.

Tem as finanças em ordem, dá lucros, e ganha títulos. 

Mesmo sendo sempre um clube vendedor, cujo modelo de negócio é "importar-ganhar-vender", os patamares de receitas que consegue no estádio, nos direitos televisivos e nos prémios da UEFA, permitem-lhe manter a qualidade do plantel às ordens do treinador.

Se conseguir substituir bem as saídas, e sobretudo se mantiver os níveis de despesa salarial com o plantel principal, o Benfica fica muito mais forte. 

Finalmente, julgo ser possível que se prolongue no Benfica um ciclo virtuoso de vitórias e lucros. 

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publicado às 11:13

Se analisarmos a época do Benfica com frieza, veremos que foi muito boa em quase todas as frentes.

Na Liga, obteve 24 vitórias, 4 empates e apenas 2 derrotas, sendo que uma delas não teve qualquer significado prático (a do Dragão).

A percentagem de vitórias no campeonato (um empate vale metade da vitória), é pois de 86,6%, com a grande importância de ter sido campeão com 7 pontos de avanço sobre o segundo classificado.

 

Na Taça de Portugal, o registo também é excelente.

Em 7 jogos, o Benfica obteve 6 vitórias e apenas 1 derrota, na primeira mão da meia-final.

Ou seja, obteve uma percentagem de vitórias de 85,7%, tendo também conquistado este troféu, no jogo de ontem com o Rio Ave.

E na Taça da Liga, o registo é ainda melhor: em 5 jogos, 4 vitórias e 1 empate, também no Dragão.

É aqui que o clube ontém a sua mais alta percentagem de vitórias: 90%.

 

Nas competições europeias, as coisas não correram tão bem, sobretudo na Champions.

Em 6 jogos, o Benfica obteve 3 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, fez 10 pontos mas não passou da fase de grupos.

A percentagem de vitórias na Champions foi a mais baixa de todas as competições: 58,3%, o que é abaixo do que se pretende para um clube como o Benfica.

Porém, na liga Europa os resultados foram bem melhores, o que também era de esperar.

Em 9 jogos, o Benfica venceu 6 e empatou 3, sendo apenas derrotado pelo Sevilha nos penalties.

A percentagem de vitórias foi bastante boa, 83,3%, mas o sabor final foi amargo, pois a taça não veio para Lisboa.

 

Se juntarmos todas as competições em jeito de balanço, podemos dizer que a equipa fez um total de 57 jogos oficiais, tendo obtido 43 vitórias, 9 empates e apenas 5 derrotas, o que dá uma percentagem global de vitórias de 83,3%, o que é notável, tendo ainda vencido 3 das 5 competições em que participou.

A época podia ainda ter sido mais brilhante?

Sim, a derrota na final europeia foi pena, mas não apaga os excelentes resultados conseguidos.

Além disso, esta época o Benfica conseguiu chegar a um local inédito, o 5º lugar no ranking de clubes da UEFA, que diz respeito aos últimos 5 anos, e apenas atrás de Real Madrid, Barcelona, Bayern e Chelsea.

Isso significa que mais uma vez será cabeça de série na próxima Champions, pelo segundo ano consecutivo, o que é excelente.

 

Mas, que ninguém pense que esta foi uma época fácil.

Em Agosto do ano passado, o Benfica estava em depressão, depois das derrotas cruéis de Maio.

No entanto, cerrou os dentes e prosseguiu a trabalhar, e conseguiu vencer as tristezas e as dores, e levantar-se para um grande ano.

Isto apesar de mais contrariedades.

Há muito tempo que não me lembrava de uma equipa tão massacrada por lesões.

Salvio, Cardozo, Ruben Amorim, Fejsa, Sílvio, Sálvio outra vez, Suleimani, Siqueira, todos eles passaram momentos dolorosos, e a equipa perdeu alguns mesmo quando precisava tanto deles...

O azar dos castigos também foi cruel, e na final de Turim ficaram de fora Enzo, Markovic e Salvio, o que muito prejudicou.

Mas, o futebol é mesmo assim, as lesões e os castigos fazem parte da vida das equipas, e embora seja duro perder tanta gente em momentos tão em importantes, a verdade é que mesmo assim o Benfica conseguiu resultados muito bons.

 

É tempo pois de dar parabéns.

A Luís Filipe Vieira pela coragem e firmeza de ter acreditado no treinador.

A Jorge Jesus pela forma como montou a equipa, e como a manteve sempre competitiva e motivada o ano todo.

E aos jogadores, a todos, pela forma espantosa como se bateram sempre, mesmo quando as contrariedades eram muitas e quando poucos acreditavam neles.

E por fim aos adeptos, a todos, mesmo os que no início não acreditaram.

Por vezes, como na vida, é preciso cairmos para depois nos levantarmos, mais fortes e ainda mais empenhados, e só por fim vencer.  

 

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publicado às 12:19

Há noites em que tudo conspira para não sermos felizes.

Já íamos para Turim sem 3 príncipes da bola (Enzo, Markovic, Salvio), e sem 2 escudeiros reais (Fejsa e Sílvio), e aos quinze minutos ainda ficamos mais frágeis, sem um jogador que já tinha amarelado dois sevilhanos, um por cada corrida que dera.

Jesus ainda insistiu com ele, mas via-se que Suleimani já não podia mais. 

Saiu e o Benfica passou a ficar ainda mais estranho, com Maxi na ala.

 

Na primeira parte, a equipa parecia perdida, excepto no fim, quando ainda teve duas hipóteses de marcar.

Depois, entrou em cena a dificuldade dos avançados, desinspirados na hora dos matadores.

Mas, foi mais uma ou duas vezes Beto que salvou os de Sevilha.

Se houve penalties ou não, não sei, ao vivo é difícil de ver, é tudo tão rápido, mas parece-me que o árbitro foi mais um elemento da conspiração.

E, por cada minuto que passava, o Sevilha sentia-se mais forte, pois sabia que nos penalties teria mais hipóteses.

Há equipas que já jogam com essa vantagem, e ontem foi um caso assim.

 

Portanto, a maldição começou a mexer com os jogadores, e com o público do Benfica, e quando fomos para os penalties, os de Sevilha já faziam a festa antes deles serem marcados, e os da Luz pareciam calados, amedrontados.

O receio cola-se e espalha-se como um vírus, e das bancadas chegou à relva.

E tudo acabou mais uma vez sem glória, porque não fomos capazes de marcar um golo, nem mostrar força mental suficiente para vencer as contrariedades.

Um dia, a maldição de Bela Guttman irá terminar, mas para que esse dia chegue é fundamental uma força tremenda, quase sobre-humana, para ultrapassar esse medo profundo que existe no coração dos benfiquistas.

Talvez essa maldição só acabe quando alguém que eu conheço bem for presidente do Benfica.

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publicado às 15:13

Hoje, há duas pessoas que estão de parabéns: Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira.

O ano passado, Jesus acabou a época esfrangalhado, desolado, e batido.

Tinha feito um excelente trabalho, mas em apenas 3 jogos tinha perdido o título, a Liga Europa e a Taça de Portugal.

Pior: tinha ajoelhado no Dragão, situação que muitos viram como uma humilhação.

Ainda se lembram como estava o coração dos benfiquistas o ano passado?

Pois é, a grande maioria dos adeptos estava enfurecida com Jorge Jesus e queria vê-lo partir.

E não eram só os adeptos, também na SAD e nas televisões muitos diziam que a hora da saída tinha chegado.

 

Fui dos poucos que, em público e em privado, defendi fortemente a continuação de Jorge Jesus.

Não fazia qualquer sentido quebrar o seu vínculo com o Benfica, pois o trabalho tinha sido excelente.

Não foi outro treinador que levou o Benfica a uma final europeia, nem foi outro treinador que o levou do 26º até ao 6º lugar no ranking da UEFA.

Não se atira fora com um treinador que tem feito um excelente trabalho com jogadores, valorizando-os, e que qualificou sempre o clube para a Champions.

Portanto, tal como o Bayern de Munique, que um ano antes também tinha perdido tudo e manteve Heynckes; o Benfica fez muito bem em manter Jesus.

Parabéns pois a Luís Filipe Vieira pela coragem e pela capacidade de decisão, evitando o que era mais fácil, e segurando o treinador nas horas mais duras.

 

Muhammed Ali, o campeão do boxe, disse um dia que "não se mede o carácter de um homem pelo número de vezes que cai no chão, mas pelo número de vezes que se levanta do chão e continua a lutar".

Assim foi com Jesus: caiu, foi vaiado e insultado, mas levantou-se do chão e voltou a lutar.

Acima de tudo, não perdeu a sua convicção e a sua disponibilidade para o trabalho.

Com empenho, recuperou a equipa, e aprendeu com os erros.

 

Se há ano em que é possível dizer que Jesus evoluiu como treinador é este.

Nos anos anteriores, o Benfica era uma cavalaria vertiginosa a caminho da baliza, mas expunha-se muito e defendia menos bem.

Este ano, o Benfica mudou um pouco o seu DNA, já não é tão sôfrego a procurar a baliza, defende melhor, faz mais circulação de bola, mantém a posse, e está uma grande equipa.

Além disso, Jesus conseguiu um feito notável: mudam os jogadores mas a equipa joga da mesma forma.

Entra um, sai outro, mudam 3, 5 ou 6 jogadores, e não se nota.

Um por todos, todos por um, o lema do clube, raramente foi tão verdade numa equipa, e isso é mérito de Jesus.

 

É claro que os jogadores merecem tudo, foram enormes este ano, e todos sem excepção contribuíram para a vitória.

Mas, antes deles, há duas pessoas e essas merecem mesmo os parabéns, sobretudo porque tudo foi tão difícil no ano passado.

Para forjar o carácter dos grandes homens, as grandes derrotas são tão essenciais como as grandes vitórias.

Foi na dor que Vieira e Jesus se ergueram, e foi com a dor que se tornaram invencíveis este ano.

Como diz Fernando Pessoa: "Quem quer passar o Bojador, tem de passar além da dor".

Eles passaram e depois venceram!

Parabéns a ambos por este título tão saboroso e merecido!

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publicado às 11:27

Que grande jogo fez o Benfica!

Uma entrada fulgurante, a alta velocidade, que naturalmente empatou a eliminatória bem cedo.

Sempre em aceleração, não sabemos o que podia ter acontecido se tivessem ficado onze em campo mais de 27 minutos.

Siqueira fez um erro grosseiro, na sua segunda falta, mas não merecia o primeiro amarelo dado por Proença.

A expulsão mudou o jogo, que nunca mais foi o mesmo, e podia ter dado cabo do Benfica.

 

Podia, mas não deu.

Jesus tirou Cardozo, a equipa reequilibrou-se e voltou do intervalo ainda mais empenhada.

Às vezes, é quando estamos melhores que sofremos, e o golo de Varela foi uma surpresa desagradável.

De repente, tudo parecia perdido.

Havia uma montanha para escalar, 2 golos a marcar, com menos um jogador.

Só que este Benfica é de betão, duríssimo de demolir.

 

Só se ganha um penalty quando se joga na área do adversário, e era isso que o Benfica já estava a fazer minutos depois do empate.

Para a frente era o caminho, com força mental e atrevimento.

Enzo marcou com frieza, e a esperança voltou a nascer.

A Luz inflamou-se, puxou pela equipa, e o FC Porto acanhou-se, com a mediocridade habitual deste ano.

Mas, ninguém esperava o que aconteceu.

Todos admitiam um golo, mas nasceu uma obra de arte.

André Gomes mostrou que ali há génio, e afundou o FC Porto para sempre.

 

Uma vingança que estava prometida desde 2011, destruindo essa espinha que estava encravada na garganta dos benfiquistas.

Foi dos jogos mais fantásticos dos últimos anos, para os benfiquistas.

Vencer com 10 o FC Porto é obra!

Depois, aquilo não foi bem futebol, mas ninguém ajudou.

Pouco importa, estava ganho.

Um grande e forte Benfica derrotou um FC Porto neurótico e deprimido, sem força nem talento para mais.

Alguém disse um dia que para haver ambição é preciso haver primeiro talento, e depois confiança.

Este Benfica tem tudo: talento, confiança e ambição.

Veremos até onde chegam as suas vitórias, para depois poder dizer algo mais.  

Mas, uma coisa é já certa: Jorge Jesus, o Messias branco da Luz, já não está de joelhos.

 

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publicado às 12:50

Saiu a fava ao Benfica, e lá teremos a Juventus em Lisboa no dia 24 de Abril!

Será que o clube italiano é mesmo mais forte que o Benfica?

Vamos comparar item a item, para ver quais as fraquezas e forças de cada equipa.

 

No ranking da UEFA, o Benfica está em 6º, enquanto a Juventus está apenas em 17º lugar.

Isto significa que, nos últimos 5 anos, o Benfica teve resultados europeus bem melhores que o clube italiano, que não chegou a qualquer meia-final, enquanto o Benfica já vai na terceira meia-final em 4 anos.

 

Quanto ao valor de mercado dos plantéis das 2 equipas, a Juventus leva vantagem. 

Os italianos têm o 9º plantel mais valioso do mundo, com um valor de mercado de 353 milhões de euros, enquanto o Benfica está em 21º lugar, com um plantel avaliado em 190 milhões de euros.

Os jogadores mais valiosos do lado italiano serão Pogba (valor de mercado de 45 milhões); Vidal (44 milhões), Marchisio (28 milhões); Chiellini (24 milhões) e Tevez (22 milhões).

Do lado do Benfica, os mais valiosos são Garay (20 milhões); Gaitan (18 milhões); Salvio (17 milhões) e Cardozo (14 milhões). 

 

Com um plantel tão valioso, é pois natural que na despesa salarial com jogadores seja também a Juventus que leva a palma. 

Os italianos gastam cerca de 120 milhões de euros por ano em salários, enquanto o Benfica se fica pelos 48 milhões.

Pilro, Pogba e Arturo Vidal são os mais bem pagos, mas há que contar também com Buffon, Tevez e Llorente. 

No entanto, no que toca a treinadores, é o Benfica que leva vantagem.

Jorge Jesus é o 11º mais bem pago do mundo, com um salário de 4 milhões de euros por ano, enquanto Conte está em 18º lugar, com um salário anual de 3 milhões de euros.

 

Por fim, no ranking das receitas, é também a Juventus que lidera.

O clube italiano gera 272,4 milhões de euros em receitas anuais, estando em 9º lugar na lista da Deloitte, enquanto o Benfica gera 109 milhões de euros de receitas, estando em 26 º lugar no mesmo ranking.

Mas, há um ponto em que o Benfica leva vantagem: o seu estádio.

A Luz cheia leva 63 mil espectadores, enquanto o novo estádio da Juventus em Turim leva apenas 41 mil espectadores. 

Veremos se na primeira mão o factor casa ajuda o Benfica, mas olhando para as diferenças económicas há que considerar que a Juventus é a favorita.

 

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publicado às 11:25

Desde o início da época que o Benfica tem vindo a melhorar muito, e neste momento os seus resultados já são melhores do que os de FC Porto e Sporting.

Apesar de ter tido a equipa fustigada por lesões de vários jogadores (Sálvio, Cardozo, Siqueira, Ruben Amorim), o que não aconteceu aos rivais, e apesar de todos se queixarem da falta de "nota artística" no estilo de jogo dos encarnados, a verdade é que, pé ante pé, jogo a jogo, o Benfica tem vindo a crescer.

 

Vou mais uma vez usar aqui o indicador da percentagem de vitórias para comparar a performance dos três clubes grandes e dos três treinadores.

A percentagem de vitórias calcula-se dando 2 pontos a cada vitória, e um a cada empate, e depois dividindo essa soma por 2 pontos em todos os jogos, o máximo que se poderia obter.

Assim, se um clube tiver 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota, terá 6 pontos pelas vitórias (3x2), mais 1 pelo empate, ou seja 7. O máximo que poderia obter seriam 10 (2x5 jogos) e portanto a percentagem de vitórias é de 70 por cento (7/10).

Este indicador é útil, pois assim podemos comparar resultados com o passado, quando as vitórias valiam apenas 2 pontos, e inclui os empates, que em futebol podem ser determinantes.

 

E qual é a percentagem de vitórias de Jorge Jesus até agora?

O Benfica realizou 24 jogos. Venceu 17 (10 para o campeonato, 3 na Champions, 3 na Taça de Portugal e 1 na Taça da Liga).

Depois tem 4 empates (3 no campeonato, e 1 na Champions).

Quanto a derrotas, há 3, 1 no campeonato e 2 na Champions.

Portanto o Benfica tem 38 pontos (17x2 + 4), em 48 pontos possíveis (2 x 24).

Ora, 38/48 dá que o Benfica de Jesus tem uma percentagem de vitórias de 79,1%.

O Benfica tem vindo sempre a subir desde o início da época, a tendência é pois ascendente.  

 

Quanto ao FC Porto, os resultados são um pouco diferentes, para pior.

Os azuis realizaram até agora 25 jogos, mais 1 do que o Benfica, que foi a Supertaça. 

Têm 15 vitórias (10 no campeonato, 1 na Champions e 3 na Taça de Portugal).

Têm 6 empates (3 no campeonato, 2 na Champions e 1 na Taça da Liga), e têm 4 derrotas (1 no campeonato e 3 na Champions).

Assim, o FC Porto tem 36 pontos (2x15 + 6) em 50 pontos possíveis (2x25).

Paulo Fonseca e os azuis têm portanto uma percentagem de vitórias de 72%, ou seja 36/50.

Depois de começar muito bem a época, o FC Porto caiu muito, mas no último mês estabilizou, o que promete um grande jogo para domingo na Luz.

 

Por fim, mostrem-se os resultados do Sporting de Leonardo Jardim.

O Sporting disputou apenas 17 jogos, pois não está nas competições europeias.

Tem 11 vitórias (10 para o campeonato e 1 na Taça de Portugal), 4 empates (3 no campeonato e 1 na Taça da Liga) e 2 derrotas (1 no campeonato e 1 na Taça de Portugal).

Assim, tem 26 pontos (10x2 + 4) em 34 possíveis (17x2).

Leonardo Jardim apresenta pois uma percentagem de vitórias de 76,4%, ou seja de 26/34.

Os resultados do Sporting têm sido bastante estáveis desde o início da época, mas o facto de ter menos jogos que os rivais é preciso ser levado em consideração.

 

Em conclusão: depois de um arranque aos soluços, o Benfica está em claro ascendente, e Jesus ultrapassou os outros rivais em resultados. Pode não jogar um futebol bonito, mas vai ganhando e é neste momento o que está mais forte.

Será que vai dar para vencer o FC Porto na Luz?

 

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publicado às 11:13

O FC Porto tem tido uma anómala sequência de maus resultados.

Nos últimos cinco jogos, por exemplo, obteve 4 empates e apenas uma vitória, para a Taça, com o Guimarães.

Não conseguiu ganhar nem na Champions, empates com Zenit fora e com o Áustria de Viena em casa, nem no campeonato, empates com o Belenenses no Restelo e no Dragão com o Nacional.

Embora ainda não esteja arredado da Champions, é evidente que os resultados são muito abaixo do que se esperava.

No Dragão, o FC Porto não conseguiu ganhar nenhum dos 3 jogos, acumulando duas derrotas, com Atlético de Madrid e Zenit, e um empate, contra o fraquíssimo Áustria.

E, no campeonato, em apenas duas jornadas, o FC Porto viu esfumar-se uma importante vantagem de quatro pontos perante Benfica e Sporting, e lidera agora com apenas um ponto mais que os rivais.

 

Como explicar esta anormal perda de eficácia?

É claro que podemos dizer que Paulo Fonseca não está a demonstrar as qualidades esperadas, e não tem capacidade de liderança para um clube com o grau de exigência do FC Porto.

É possível, mas a verdade é que no arranque da época, a eficácia do FC Porto estava lá, e houve uma notável sequência de bons resultados.

Poderemos também dizer que os problemas de Pinto da Costa podem afetar o balneário, mas é pouco provável que exista uma ligação imediata, pois o incidente com a saúde do presidente foi no meio da série má, e não antes.

Quanto a mim, a explicação é mais profunda, e tem a ver com a qualidade dos jogadores.

Em Junho, o FC Porto vendeu dois grandes talentos, James e Moutinho, e essas saídas representaram uma perda importante, não estando os substitutos à altura.

Josué e Licá, por melhor que joguem, não valem o mesmo. Varela é intermitente, e nas alas há menos qualidade.

Quintero pode ser adorado pelos sócios, mas a verdade é que não joga muito, talvez por problemas físicos.

Lucho, por outro lado, está mais velho; e Herrera e Defour não são craques.

Por fim, há a estranha tristeza de Jackson, que parece não estar feliz nem inspirado, provavelmente porque desejava estar noutro clube desde o Verão.

Ao mesmo tempo, aquela que todos dizem ser a melhor defesa de Portugal - Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro - comete erros estranhos, parecendo os jogadores desconcentrados.

Há menos qualidade este ano no FC Porto, e mesmo a que ainda existe, que é muita, parece desligada e com falhas de confiança.

 

Um dos indicadores que aqui costumo apresentar, muito usado nas escolas de economia e gestão, é a percentagem de vitórias, ou "win percent".

A convenção internacional aplico, defende que para calcular o "win percent" se deve multiplicar por 2 o número de vitórias, e por 1 o número de empates, e depois dividir essa soma pelo total máximo de pontos que se pode obter, ou seja 2 vezes o número total de jogos.

Assim, sabemos que o FC Porto, até agora, já disputou um total de 18 jogos (10 no campeonato, 5 na Champions, 2 na Taça e 1 na Supertaça). 

Tem 11 vitórias, 5 empates e 2 derrotas. 

Tem um total de pontos de 22 (2 x 11 vitórias) mais 5 (1x5 empates), ou seja 27, em 36 possíveis (2 x 18). 

O win percent do FC Porto é portanto de 75% (27 a dividir por 36).

Há dois meses atrás era de 85% e há um mês atrás era de 76,6%.

O FC Porto tem vindo pois a piorar desde há dois meses, o que é um motivo claro de preocupação.

 

E o Benfica, como está?

O Benfica comandado por Jorge Jesus disputou até agora 17 jogos, menos 1 que o FC Porto, pois não jogou a Supertaça.

Tem 11 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, o que dá um total de 25 pontos (2x11+3) em 34 possíveis (2x17).

O Benfica tem pois um win percent de 73,5%.

Subiu bastante, há dois meses este indicador estava em 66,6% e há um mês estava em 67,8%. 

 

O Sporting de Leonardo Jardim tem uma situação um pouco diferente, pois disputou apenas 12 jogos, uma vez que não está nas competições europeias.

Venceu 8, empatou 2 e foi derrotado por 2 vezes.

Tem 18 pontos (2x8 + 2) em 24 possíveis (2 x 12).

O win percent do Sporting é pois de 75%, idêntico ao do FC Porto e um pouco acima do Benfica, mas com menos jogos.

Também desceu nos últimos tempos, estava em 85,7% há dois meses, e em 80% no início de Novembro.

 

A conclusão que estes números mostram é pois óbvia: o Benfica está em clara ascensão, depois de ter começado mal a época, o FC Porto está em evidente perda, e o Sporting também perdeu alguma eficiência.

 

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publicado às 17:24

Depois de mais uma ronda de Liga de Campeões, confirma-se o que já aqui escrevi, que tanto o FC Porto como o Benfica têm muito poucas hipóteses de fazer boa carreira na prova.

A final, que este ano se disputa na Luz, parecia no início da época uma grande motivação para ambos.

O FC Porto dizia que gostava de ganhar a prova em casa do seu maior rival, e o Benfica dizia que queria ganhar a final em sua casa!

Ambas as afirmações me pareceram sempre um pouco delirantes, e ao fim de quatro jogos na Champions, acho que muitos já têm a mesma opinião que eu.

O FC Porto está a fazer uma prova muito abaixo do que é habitual, e já perdeu dois jogos em casa, com Zenit e Atlético.

O Benfica também não está melhor, com duas derrotas, em Paris e Atenas, sendo que esta última foi com o concorrente directo para o segundo lugar, o Olympiakos.

Embora matematicamente ambas se possam ainda apurar, começa a ser difícil.

Veremos o que nos dizem as próximas jornadas, mas com a eficácia mediana que têm apresentado, dificilmente as duas equipas portuguesas podem ir muito longe na competição.

O mais certo, neste momento, é ambas caírem para a Liga Europa, onde seriam certamente candidatas claras a chegar à final.

 

E como estamos de percentagens de vitórias?

Como os meus leitores habituais sabem, esse é um indicador que uso muito, pois é muito útil para fazer comparações em economia do desporto.

No futebol, a percentagem de vitórias calcula-se dando 2 pontos a cada vitória, e 1 a cada empate, somando o total, e dividindo depois pelo número máximo de pontos que se podia obter se tivessemos vitórias nos jogos todos.

Assim, um clube com 1 vitória e 1 empate, tem uma percetagem de vitórias de (2+1/4), ou 75%.

É um critério internacional, e dá-se 2 pontos por vitória para que os números possam ser comparados com o passado, quando era essa a pontuação.

 

Qual a percentagem de vitórias do FC Porto, de Paulo Fonseca?

Entre Supertaça, Campeonato, Champions e Taça, o FC Porto já disputou 15 jogos.

Obteve 10 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, ambas na Champions.

Ou seja, somou 23 pontos em 30 possíveis, e tem portanto uma percentagem de vitórias, ou "win percent", de 76,6%

Há um mês atrás estava bem melhor, em 85%, mas desceu um bom bocado, o que mostra que os resultados estão a piorar.

 

E qual a percentagem de vitórias do Benfica, de Jorge Jesus?

O Benfica disputou 14 jogos, menos um que o FC Porto, pois não jogou a Supertaça.

Venceu 8 jogos, empatou 3, e teve 3 derrotas, uma no campeonato e duas na Champions.

Ou seja, somou 19 pontos (2x8 + 3) em 28 possíveis (2 x 14), o que dá uma percentagem de vitórias de 67,8%.

Subiu ligeiramente no último mês (estava em 66,6%), mas ainda está muito abaixo do ano passado, onde chegou aos oitenta e tal por cento.

 

Por fim, qual a percentagem de vitórias do Sporting, de Leonardo Jardim?

É preciso recordar que o Sporting tem apenas 10 jogos disputados, nove para o campeonato e um para a Taça.

Desses, venceu 7, empatou 2 e foi derrotado uma vez, no Dragão.

Ou seja, somou 16 pontos (7x2 + 2), em 20 possíveis (10 x 2), o que dá uma percentagem de vitórias de 80%.

Também desceu um pouco, no último mês estava em 85,7%, e embora apresente um valor mais elevado do que os adversários, há que levar em conta que o grau de dificuldades dos jogos foi menor, pois não disputou jogos na Europa.

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publicado às 13:00

Há muitas maneiras diferentes de medir a performance de um treinador, mas nas escolas de economia do Desporto, há uma que é objectiva e aceite por todos.

É a percentagem de vitórias, ou "win percent".

Em desportos como o basquetebol ou o futebol americano, é simples, pois não existem empates. Ou se ganha, ou se perde.

Assim, se em 8 jogos, o treinador tiver ganho 6 e perdido 2, tem uma percentagem de vitórias de 75%, ou 6/8.

Mas, no futebol a coisa é mais complicada, pois o resultado dos jogos pode ser um empate. 

Ora, a percentagem de vitórias tem de levar em conta os empates, porque eles podem decidir a pontuação final dos clubes.

Não é a mesma coisa ter 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota, ou ter 6 vitórias e 2 empates. 

Assim, criou-se uma convenção internacional para o futebol que diz que a percentagem de vitórias se deve calcular dando 2 pontos às vitórias, 1 ponto aos empates, e depois divindindo essa soma pela máxima pontuação possível de obter, o número de jogos vezes dois pontos.

Escolheu-se dar 2 pontos às vitórias porque assim é possível fazer uma comparação histórica com o passado, quando as vitórias valiam apenas 2 pontos e não 3, o que me parece correcto. 

Nesse caso, uma equipa com 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota, teria uma percentagem de vitórias de: 6 vezes 2, mais 1 vezes 1, a dividir por um total de 8 vezes 2.

A fórmula seria ((6X2) + (1X1)/(8X2)), o que daria uma percentagem de vitórias de 81,25%, ou 13 pontos em 16 possíveis.

No caso em que a equipa tenha 6 vitórias e 2 empates, teríamos 14 pontos em 16 possíveis, ou uma percentagem de vitórias de 87,5%.

Portanto, ter mais empates, com o mesmo número de vitórias, dá um "win percent" mais elevado.

E é com este critério que se pode medir o trabalho de um treinador.

Qual é o "win percent" dos 3 principais treinadores portugueses até agora?

Paulo Fonseca disputou 10 jogos, 7 para o campeonato, 2 para a Champions e 1 na Supertaça.

Desses, venceu 8, empatou 1 e perdeu 1. Ou seja, em vinte pontos possíveis, conseguiu 17 (16 pelas 8 vitórias, mais 1 pelo empate).

O "win percent" de Paulo Fonseca, neste momento da época, é pois de 17/20, ou 85%, o que é muito bom.

E quanto a Leonardo Jardim, qual é o seu "win percent"?

O Sporting apenas disputou os 7 jogos do campeonato, tendo 5 vitórias e 2 empates.

Conseguiu pois 12 pontos em 14 possíveis, o que dá um "win percent" de 85,7%.

Leonardo Jardim está pois ainda melhor que Paulo Fonseca, embora se deva ressalvar que disputou menos 3 jogos.

Mas, é um resultado bastante bom. 

E quanto a Jorge Jesus?

O Benfica disputou 9 jogos, 7 para o campeonato e 2 para a Champions. Tem 5 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. 

Portanto, o Benfica tem 12 pontos em 18 possíveis, o que dá um "win percent" de 66,6%.

Jorge Jesus está pois bastante abaixo de Paulo Fonseca e de Leonardo Jardim.

E qual o "win percent" habitual de Jorge Jesus nas épocas anteriores? 

Na primeira época, em que foi campeão, o "win percent" foi de 86,6%.

Na segunda, a sua pior, o "win percent" foi de 71%.

Na terceira, foi de 80%; e na última época, apesar de não ter ganho qualquer título, chegou aos 88%, o melhor resultado de sempre!

É certo que ainda só estamos no início da época, e estes resultados ainda se podem alterar muito.

Contudo, com apenas 66,6% de vitórias, Jesus está numa situação complicada.

Ou o Benfica começa a ganhar jogos sem parar, ou se esta média se mantiver, dificilmente festejará no final.

Nenhuma grande equipa, em Portugal, pode ficar baixo dos 80% e vencer alguma coisa...

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publicado às 11:15


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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