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Os grandes clubes de futebol não têm como objectivo os lucros, mas sim as vitórias.

É isso que os adeptos desejam, bem como os accionistas, ou presidentes.

O lucro não é o primeiro objectivo de um clube de futebol.

Porém, quando se ganha, muitas vezes consegue-se também dar lucro.

Está a ser o caso do Benfica, esta temporada.

Não só conseguiu vencer três títulos em Portugal, e ir à final da Liga Europa, como conseguiu dar lucros.

 

Quais foram as principais razões destes lucros? 

As receitas de bilheteira não foram maiores do que as do ano passado, até desceram um pouco.

Onde a receita cresceu muito foi nos direitos de transmissão televisiva.

A Benfica TV representou um aumento de mais de 14 milhões de euros em receitas televisivas, o que é excelente, sobretudo no ano de arranque.

E é quase certo que para o ano estas receitas vão manter-se, ou mesmo aumentar ainda, pois a taxa de mortalidade dos assinantes da Benfica TV tem sido baixa. Ou seja, quem assina fica, e isso está a permitir construir uma base sólida com poucas oscilações.

 

A segunda razão para o aumento de receitas foi a venda de jogadores (Matic, Rodrigo e André Gomes).

O presidente Luís Filipe Vieira tinha decidido em Agosto não vender, para tentar ir longe na Champions.

Porém, em Janeiro o Benfica seguiu para Liga Europa, e o clube decidiu vender, embora apenas Matic tinha saído da equipa.

O resultado das três vendas foi muito bom, e provavelmente o clube não tem necessidade de vender este Verão.

O que não quer dizer que não venda.

Garay, Gaitan, Cardozo, Enzo, todos têm muita procura, e em certos casos será impossível que fiquem no Benfica.

Como Jesus ontem reconheceu na SIC Notícias, Enzo Pérez será o mais difícil de substituir, e por isso é provável que só saia se alguém pagar os 30 milhões da cláusula de rescisão. 

Mas, se há coisa que o clube aprendeu nos últimos anos foi a substituir bem os que saiem por novos talentos, e todos acreditam que Jesus o poderá voltar a fazer, mesmo que saiam 4 ou 5 jogadores titulares.

 

Parece-me que com a Benfica TV, e com as vitórias da equipa, o Benfica chegou a um novo patamar de estabilidade e solidez.

Tem as finanças em ordem, dá lucros, e ganha títulos. 

Mesmo sendo sempre um clube vendedor, cujo modelo de negócio é "importar-ganhar-vender", os patamares de receitas que consegue no estádio, nos direitos televisivos e nos prémios da UEFA, permitem-lhe manter a qualidade do plantel às ordens do treinador.

Se conseguir substituir bem as saídas, e sobretudo se mantiver os níveis de despesa salarial com o plantel principal, o Benfica fica muito mais forte. 

Finalmente, julgo ser possível que se prolongue no Benfica um ciclo virtuoso de vitórias e lucros. 

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publicado às 11:13

Se analisarmos a época do Benfica com frieza, veremos que foi muito boa em quase todas as frentes.

Na Liga, obteve 24 vitórias, 4 empates e apenas 2 derrotas, sendo que uma delas não teve qualquer significado prático (a do Dragão).

A percentagem de vitórias no campeonato (um empate vale metade da vitória), é pois de 86,6%, com a grande importância de ter sido campeão com 7 pontos de avanço sobre o segundo classificado.

 

Na Taça de Portugal, o registo também é excelente.

Em 7 jogos, o Benfica obteve 6 vitórias e apenas 1 derrota, na primeira mão da meia-final.

Ou seja, obteve uma percentagem de vitórias de 85,7%, tendo também conquistado este troféu, no jogo de ontem com o Rio Ave.

E na Taça da Liga, o registo é ainda melhor: em 5 jogos, 4 vitórias e 1 empate, também no Dragão.

É aqui que o clube ontém a sua mais alta percentagem de vitórias: 90%.

 

Nas competições europeias, as coisas não correram tão bem, sobretudo na Champions.

Em 6 jogos, o Benfica obteve 3 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, fez 10 pontos mas não passou da fase de grupos.

A percentagem de vitórias na Champions foi a mais baixa de todas as competições: 58,3%, o que é abaixo do que se pretende para um clube como o Benfica.

Porém, na liga Europa os resultados foram bem melhores, o que também era de esperar.

Em 9 jogos, o Benfica venceu 6 e empatou 3, sendo apenas derrotado pelo Sevilha nos penalties.

A percentagem de vitórias foi bastante boa, 83,3%, mas o sabor final foi amargo, pois a taça não veio para Lisboa.

 

Se juntarmos todas as competições em jeito de balanço, podemos dizer que a equipa fez um total de 57 jogos oficiais, tendo obtido 43 vitórias, 9 empates e apenas 5 derrotas, o que dá uma percentagem global de vitórias de 83,3%, o que é notável, tendo ainda vencido 3 das 5 competições em que participou.

A época podia ainda ter sido mais brilhante?

Sim, a derrota na final europeia foi pena, mas não apaga os excelentes resultados conseguidos.

Além disso, esta época o Benfica conseguiu chegar a um local inédito, o 5º lugar no ranking de clubes da UEFA, que diz respeito aos últimos 5 anos, e apenas atrás de Real Madrid, Barcelona, Bayern e Chelsea.

Isso significa que mais uma vez será cabeça de série na próxima Champions, pelo segundo ano consecutivo, o que é excelente.

 

Mas, que ninguém pense que esta foi uma época fácil.

Em Agosto do ano passado, o Benfica estava em depressão, depois das derrotas cruéis de Maio.

No entanto, cerrou os dentes e prosseguiu a trabalhar, e conseguiu vencer as tristezas e as dores, e levantar-se para um grande ano.

Isto apesar de mais contrariedades.

Há muito tempo que não me lembrava de uma equipa tão massacrada por lesões.

Salvio, Cardozo, Ruben Amorim, Fejsa, Sílvio, Sálvio outra vez, Suleimani, Siqueira, todos eles passaram momentos dolorosos, e a equipa perdeu alguns mesmo quando precisava tanto deles...

O azar dos castigos também foi cruel, e na final de Turim ficaram de fora Enzo, Markovic e Salvio, o que muito prejudicou.

Mas, o futebol é mesmo assim, as lesões e os castigos fazem parte da vida das equipas, e embora seja duro perder tanta gente em momentos tão em importantes, a verdade é que mesmo assim o Benfica conseguiu resultados muito bons.

 

É tempo pois de dar parabéns.

A Luís Filipe Vieira pela coragem e firmeza de ter acreditado no treinador.

A Jorge Jesus pela forma como montou a equipa, e como a manteve sempre competitiva e motivada o ano todo.

E aos jogadores, a todos, pela forma espantosa como se bateram sempre, mesmo quando as contrariedades eram muitas e quando poucos acreditavam neles.

E por fim aos adeptos, a todos, mesmo os que no início não acreditaram.

Por vezes, como na vida, é preciso cairmos para depois nos levantarmos, mais fortes e ainda mais empenhados, e só por fim vencer.  

 

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publicado às 12:19

Há anos assim, imprevistos, impossíveis de imaginar, e no entanto quase perfeitos.

Há um ano, o nosso coração encheu-se de dor com a crueldade do que nos aconteceu.

Porém, como diz Fernando Pessoa, quem quer passar além do Bojador, tem de passar além da dor.

E assim passámos, vencemos a dor com os dentes cerrados e começámos um novo ano porque não havia outra forma de ultrapassar a tristeza.

 

Mas, Deus não estava ainda satisfeito e deu-nos mais provações.

De repente, no espaço de pouco mais de um mês, morre-nos o maior mito da nossa história, e morre-nos também o maior capitão de sempre.

Eusébio e Coluna deixaram-nos sem terem visto como fomos todos capazes de vencer a adversidade e sem terem visto o nosso renascimento.

Mas, foram também eles, com a sua morte e o seu exemplo, que nos deram ainda mais força e coragem.

E que força! E que coragem!

 

Quando um dia olharmos para trás vamos-nos dar conta de que esta foi também uma das épocas mais duras de sempre para os jogadores do Benfica.

Sálvio, Cardozo, Ruben Amorim, Jardel e a sua máscara, Sílvio, Sálvio outra vez, agora Garay, um massacre permenente de lesões, um calvário de sofrimento para eles.

E, no entanto, mal caía um jogador logo outro se levantava e tomava o seu lugar.

Raramente vi no Benfica um grupo tão unido, tão solidário, tão valente.

O jogo de ontem, a primeira batalha de Turim, foi um símbolo da época.

Contra todas as contrariedades, dores, sem um ai que se ouvisse, sem um queixume, sem um momento de quebra, os jogadores combateram como os gigantes que são.

Eu só me lembrava daquela música, menos ais, menos ais, queremos muito mais! 

 

E agora olhem para estes números, olhem todos e respeitem o fantástico trabalho que este ano se fez na Luz.

52 jogos, 52 batalhas e esta é a evidência: 40 vitórias, 8 empates e apenas 4 derrotas.

Uma percentagem de vitórias absolutamente histórica de 84,6%!

Um campeonato nacional já conquistado e ainda 3 grandes finais para disputar!

Um quarteto de títulos ao nosso alcance, meu Deus, quem diria?

 

Jorge Jesus, Luís Filipe Vieira e todos os jogadores já estão de parabéns, mas isto ainda não acabou.

Para o espectáculo ser total, temos de olhar para a frente e perceber que nos faltam 5 jogos até a época acabar e são todos para ganhar.

Queremos ganhar ao Setúbal e ao FC Porto para o campeonato e queremos ganhar as 2 taças contra o Rio Ave.

Os adversários que nos desculpem, mas desta vez não há misericórdia, é tudo para ganhar e ninguém vai levantar o pé do acelerador até ao fim.

O facto de Enzo, Markovic e Salvio não poderem jogar a final da Liga Europa é uma má notícia para eles, para a equipa, mas é também uma péssima notícia para os nossos adversários nacionais.

É que, não podendo jogar em Turim, esses nossos três génios vão explodir nos 4 jogos nacionais que nos faltam!

 

Mas, se há jogo que este ano todos queremos ganhar, esse é a final europeia. 

A segunda batalha de Turim será a mais importante do ano.

A este Benfica, a estes jogadores, a este treinador, falta uma glória assim, uma vitória que nos faça brilhar aos olhos de todo o mundo.

E não me venham com a história da maldição do Bela Guttman mais uma vez!

Nunca conheci nenhuma maldição que não fosse vencida um dia por um príncipe encantado, e estes rapazes são os nossos príncipes, os senhores da Luz.

 

Que ninguém pense porém que será fácil.

O Sevilha é uma equipa perigosíssima, que o digam os nossos rivais azuis.

Nada está ganho, e o mais importante está ainda por fazer.

Chegar até aqui é lindo e merecido, mas agora é que está a chegar o momento da verdade!

Nas próximas duas semanas, tudo se pode ganhar, mas muita coisa se pode perder.

Portanto, lembrem-se do que aconteceu o ano passado, lembrem-se da dor, e concentrem-se.

Agora, chegou a hora de entrar para a História, mas para isso acontecer é preciso dar tudo e muito mais.

E ainda mais.

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publicado às 11:13

Hoje, há duas pessoas que estão de parabéns: Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira.

O ano passado, Jesus acabou a época esfrangalhado, desolado, e batido.

Tinha feito um excelente trabalho, mas em apenas 3 jogos tinha perdido o título, a Liga Europa e a Taça de Portugal.

Pior: tinha ajoelhado no Dragão, situação que muitos viram como uma humilhação.

Ainda se lembram como estava o coração dos benfiquistas o ano passado?

Pois é, a grande maioria dos adeptos estava enfurecida com Jorge Jesus e queria vê-lo partir.

E não eram só os adeptos, também na SAD e nas televisões muitos diziam que a hora da saída tinha chegado.

 

Fui dos poucos que, em público e em privado, defendi fortemente a continuação de Jorge Jesus.

Não fazia qualquer sentido quebrar o seu vínculo com o Benfica, pois o trabalho tinha sido excelente.

Não foi outro treinador que levou o Benfica a uma final europeia, nem foi outro treinador que o levou do 26º até ao 6º lugar no ranking da UEFA.

Não se atira fora com um treinador que tem feito um excelente trabalho com jogadores, valorizando-os, e que qualificou sempre o clube para a Champions.

Portanto, tal como o Bayern de Munique, que um ano antes também tinha perdido tudo e manteve Heynckes; o Benfica fez muito bem em manter Jesus.

Parabéns pois a Luís Filipe Vieira pela coragem e pela capacidade de decisão, evitando o que era mais fácil, e segurando o treinador nas horas mais duras.

 

Muhammed Ali, o campeão do boxe, disse um dia que "não se mede o carácter de um homem pelo número de vezes que cai no chão, mas pelo número de vezes que se levanta do chão e continua a lutar".

Assim foi com Jesus: caiu, foi vaiado e insultado, mas levantou-se do chão e voltou a lutar.

Acima de tudo, não perdeu a sua convicção e a sua disponibilidade para o trabalho.

Com empenho, recuperou a equipa, e aprendeu com os erros.

 

Se há ano em que é possível dizer que Jesus evoluiu como treinador é este.

Nos anos anteriores, o Benfica era uma cavalaria vertiginosa a caminho da baliza, mas expunha-se muito e defendia menos bem.

Este ano, o Benfica mudou um pouco o seu DNA, já não é tão sôfrego a procurar a baliza, defende melhor, faz mais circulação de bola, mantém a posse, e está uma grande equipa.

Além disso, Jesus conseguiu um feito notável: mudam os jogadores mas a equipa joga da mesma forma.

Entra um, sai outro, mudam 3, 5 ou 6 jogadores, e não se nota.

Um por todos, todos por um, o lema do clube, raramente foi tão verdade numa equipa, e isso é mérito de Jesus.

 

É claro que os jogadores merecem tudo, foram enormes este ano, e todos sem excepção contribuíram para a vitória.

Mas, antes deles, há duas pessoas e essas merecem mesmo os parabéns, sobretudo porque tudo foi tão difícil no ano passado.

Para forjar o carácter dos grandes homens, as grandes derrotas são tão essenciais como as grandes vitórias.

Foi na dor que Vieira e Jesus se ergueram, e foi com a dor que se tornaram invencíveis este ano.

Como diz Fernando Pessoa: "Quem quer passar o Bojador, tem de passar além da dor".

Eles passaram e depois venceram!

Parabéns a ambos por este título tão saboroso e merecido!

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publicado às 11:27

O Benfica tem uma disfunção motivacional perigosa.

O presidente delira com a Champions e o melhor plantel dos últimos 30 anos, e na Luz a equipa não consegue ganhar ao penúltimo!

A exibição contra o Belenenses foi confrangedora.

Vencendo, o Benfica podia manter a pressão sobre o FC Porto e o Sporting.

Não o conseguiu, e nem a evidência de que o golo do empate do Belenenses foi ilegal iliba a equipa.

Não se compreende o que se passa, os jogadores parecem desmotivados, e alguns andam com a cabeça na lua. 

Assim ninguém será campeão.

Mas o problema parece-me mais profundo, e a entrevista de Luís Filipe Vieira, de terça-feira à CMTV, foi um sinal disso.

Não se compreende que Vieira venha dizer que o Benfica tenha o melhor plantel dos últimos 30 anos.

Isso é no papel, sr. presidente! Dizê-lo é um erro.

Quando dizemos que os jogadores são muito bons, eles ficam convencidos disso, e baixam a intensidade.

Além disso, subimos as expectativas dos sócios e dos apoiantes, para níveis altíssimos e insustentáveis.

A última vez que Vieira falou no melhor plantel de sempre, e Jesus disse que tinha de ganhar a Liga dos Campeões, o Benfica teve o seu pior ano dos últimos quatro.

Esta época, pelos vistos, o delírio voltou a atacar as lideranças da Luz.

Para quê falar em vitórias na Champions, quando a probabilidade de isso acontecer é mínima?

O que pensaríamos nós se o presidente do Zenit, do Shaktar ou do Arsenal, dissesse que queria ganhar a Champions?

Claro que sorriríamos, e pensaríamos que não estava bom da cabeça.

Ora, porque cria Vieira essa ilusão perigosa em todos, sócios e jogadores?

Não percebe o presidente do Benfica que a probabilidade de um clube português chegar à final da Champions é mínima?

Coisas destas, de tão irrealistas, não motivam ninguém, apenas causam ilusões tontas.

E depois há o choque traumático com a realidade: um clube que quer chegar à final da Champions e tem o melhor plantel dos últimos 30 anos, não consegue vencer em sua casa o Belenenses, penúltimo classificado da Liga!

Há uma disfunção motivacional claríssima no Benfica: Vieira diz que os jogadores são tão bons, que eles se tornam convencidos, blasés, e depois não conseguem ganhar jogos fáceis.

O Benfica não tem fúria de vencer, não a Champions, mas o próximo jogo, é esse o problema.

Vive a pensar em fantasias distantes em vez de descer à terra, e lutar, todas as semanas, como um louco que quer vencer tudo.

Assim, não se vai lá.

O futebol é vencer no dia a dia, não é alimentar quimeras improváveis.

E no dia a dia, as coisas estão fracas. 

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publicado às 11:02

Na semana passada, a imprensa desportiva referia que Luís Filipe Vieira teria estabelecido uma meta: 75 milhões de vendas de jogadores até ao fecho do mercado, em inícios de Setembro. 

Será isso possível, com os jogadores que o Benfica tem? E faz sentido colocar um objectivo assim tão definido, um número mágico?

A mim parece-me um erro colocar um objectivo tão minucioso e tão alto. 

É que essa entidade tão vasta chamada "mercado" não é controlável por ninguém, e os seus caprichos são imprevisíveis e flutuantes.

Ninguém sabe bem o que o "mercado" pode querer até inícios de Setembro, e colocar a fasquia nos 75 milhões pode ser um pau de dois bicos.

Se o Benfica não chegar a esse valor em vendas, lá virão os críticos de Vieira dizer que ele foi demasiado ambicioso e guloso, e que agora terá de lamber as feridas, ficando mais uma vez atrás do rival FC Porto, que temos de recordar já realizou esse valor com as vendas de Moutinho e James Rodriguez.

Mas, e se acontecer?

Os que defendem essa possibilidade recordam o Agosto de 2012. Até dia 20 e tal de Agosto, o clube não tinha vendido ninguém com relevância.

Depois, em pouco mais de uma semana, vendeu Javi Garcia para o City, por 20 e tal milhões, e Witsel para o Zenit, por 40 milhões.

Se o ano passado se conseguiram 60 e tal milhões em menos de quinze dias, porque não este ano?

E quem poderão ser os jogadores que, somando os seus valores de vendas, cheguem a 75 milhões?

A imprensa desportiva falava em cinco jogadores: Matic, Salvio, Garay, Gaitan e Cardozo.

Analisemos primeiro aqueles cuja saída não seria muito danosa para a qualidade da equipa.

Garay, por exemplo, pode valer 20 milhões, mas há notícias de que o Manchester United queria dar apenas 15 a pronto, pagando o resto ao longo de vários anos.

Aqui, o Benfica pode realizar entre 15 a 20 milhões, mas metade será sempre para o Real Madrid, e portanto não deve ir às contas da Luz.

Quanto a Cardozo, já se viu que os 15 milhões são difíceis, mas talvez 12 sejam possíveis.

Resta Gaitan, que nos sites que avaliam os jogadores não passa dos 15 milhões. Vendê-lo por 20 seria pois um excelente negócio, embora se trate de um jogador que não faz claramente a diferença, nem marca muitos golos.

Em resumo, e sem grandes danos para a qualidade da equipa, o Benfica pode realizar, numa estimativa muito benéfica, no máximo 45 milhões com estes jogadores (10 por metade do passe de Garay, 20 por Gaitan e 15 por Cardozo).

Ou, numa estimativa mais sensata, 35 milhões de euros (7,5 por Garay, 15 por Gaitan e 12,5 por Cardozo).

Agora, se vender ou Matic ou Salvio, os valores poderão subir consideravelmente.

Salvio poderá valer entre 25 e 30 milhões, é um excelente extremo, jovem, que marca muitos golos por ano. 

Matic ainda poderá ter um potencial maior. É um grande médio, fez uma época fantástica, e também marca golos.

Embora nos sites de avaliação de jogadores o seu valor não chegue aos 25 milhões, é possível que bem negociado vá até aos 35 ou 40 milhões, sobretudo se os compradores forem clubes milionários a contruir ainda equipas, como o PSG ou o Mónaco.

É pois perfeitamente admissível atingir um valor de 75 milhões, ou até mais, se todos os cinco jogadores forem vendidos.

Mas, e esse é o ponto, alguém acredita que o Benfica vai vender 5 jogadores destes na mesma época?

E como ficaria Jorge Jesus, que perderia de uma assentada 5 titulares da equipa?

Parece-me que, mais do que definir um objectivo mágico para o total de milhões que se obtém em vendas, Vieira se deve preocupar em vender bem quem já tem substituto à altura. 

São os casos de Garay (há Lisandro), Cardozo (há Lima, Rodrigo e talvez Funes Mori), e Gaitan (há Markovic, Ola John, Suleimani). 

Depois, é escolher um dos outros dois: ou Salvio, e perde-se força no ataque, ou Matic, e perde-se no meio-campo.

Vender os cinco ao mesmo tempo é que me parece demais. 

É certo que, nos escombros da venda de Javi e Witsel, Jesus construiu uma equipa que foi muito longe e chegou a ser brilhante na época passada.

Mas, fazê-lo de novo sem Matic, Salvio ou Cardozo, é muito difícil. Seria mesmo um milagre...

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publicado às 15:20

O "caso Cardozo" ameaçava tornar-se um sério melodrama, e por isso teve de se lhe colocar um ponto final.

Ontem, o jogador falou à Benfica TV, e pediu desculpa a treinador, colegas e adeptos, pelos seus excessos na final da Taça de Portugal.

Foi um acto necessário, que só pecou por tardio.

70 dias para pedir desculpa, é muito dia. 

Um triste episódio que podia ter sido resolvido logo em Maio, uma ou duas semanas depois de ter acontecido, prolongou-se pelo Verão, e tornou-se uma telenovela um pouco patética.

Julgo que o Benfica não obrigou Cardozo a pedir desculpas porque estava convencido da sua venda. Como ela não se deu, é preciso meter o contador a zero outra vez. 

E, com este pedido de desculpas, as coisas mudam mesmo.

Perdoado e arrependido, Cardozo pode perfeitamente treinar-se com os colegas, ser integrado na equipa e jogar, caso Jesus o entenda.

Seja ou não vendido até ao fecho do mercado, estará em actividade, e não num exílio forçado em Sesimbra, ou noutro local qualquer.

É disparatado ter um jogador como Cardozo nas suas fileiras e não o usar, e foi isso que os adeptos quiseram dizer, com os seus assobios no final do jogo com o São Paulo.

Embora na época passada Cardozo tenha marcado menos golos que Lima no campeonato, o mito do Tacuara goleador fulgurante continua vivo na Luz, sobretudo quando a equipa fica a zero.

Com este pedido de desculpas, voltou o juízo a todos, e a situação regressará ao normal.

O que não se pode dizer, como disse o empresário, é que havia o risco do jogador desvalorizar por causa de estar parado. Isso não é verdade.

Cardozo não é um menino imberbe, de méritos desconhecidos. Marca muitos golos por ano, há muitos anos. É o melhor goleador estrangeiro da história do Benfica.

Não é por falhar um mês de treinos que perde valor. Se algum valor perdeu, foi por se ter comportado mal, à vista de todos, com recriminações inaceitáveis.

Isso sim, tira valor, pois os clubes não gostam de "troublemakers" nos seus plantéis.

Não se pode portanto dizer que a transferência para o Fenerbahçe falhou por causa do "melodrama da Taça de Portugal". As razões foram outras.

O presidente do Benfica não quis correr riscos financeiros e fez bem.

O Fenerbahçe está envolvido em graves suspeitas, e só se inscreveu na Liga dos Campeões porque há um recurso que suspendeu o seu castigo.

Mas, a qualquer momento pode ir borda fora, e há o risco de não pagar uma compra de um jogador como Cardozo.

Apesar de tudo, eram pelo menos 13 milhões de euros.

É dinheiro, e sem serem dadas as garantias bancárias, fez bem Luís Filipe Vieira em roer a corda.

Com tanto risco financeiro de levar um calote, mais vale Cardozo ficar na Luz do que em Istambul.

Até porque o dinheiro de uma venda de Cardozo é mais-valia financeira na quase totalidade para o Benfica.

O Benfica pagou bem por ele há seis anos, cerca de 11 milhões, mas o passe do jogador já foi amortizado.

A amortização desportiva foi em golos, a amortização financeira foi à contabilidade em seis exercícios. O activo intangível foi amortizado.

Assim, qualquer dinheiro que entrar, é lucro direto para o clube.

E será possível vender o jogador ainda este ano?

Se for por 10 milhões, não me parece impossível. Por 13, acho difícil. E por 15 parece-me uma fantasia pouco lúcida.

Contudo, mercado é mercado, e por vezes a especulação transforma o impossível em possível.

Sim, é verdade, mas pelo andar da carruagem, e o pedido público de perdão aponta nesse sentido, o mais certo é Cardozo continuar na Luz mais uma temporada. 

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publicado às 12:07

Nas minhas aulas de Economia do Desporto, cadeira que lecciono na Universidade Católica, a estudantes de economia e gestão, examinei este ano o "case study" da Benfica TV, pois é um projecto muito original, corajoso, mas também financeiramente arriscado.

A Benfica TV é original, pois não existe no futebol europeu ou mundial nenhum caso de clubes que vendam os direitos televisivos dos jogos em casa a si próprios. Existem alguns clubes - Manchester United, Chelsea, Real Madrid, Barcelona - que têm televisões próprias (acessíveis de graça também em Portugal), mas nenhuma delas transmite jogos ao vivo e em casa.

A razão é simples: todos esses clubes recebem fortunas colossais dos operadores de Tv (ou da Liga, no caso inglês) pelos seus direitos televisivos, e portanto não têm qualquer incentivo para fazer transmissões directas nos seus próprios canais.

No entanto, é precisamente esse o problema em Portugal, e foi isso que levou o Benfica a avançar para uma televisão própria.

Até à época que terminou em Junho, o Benfica ganhava apenas cerca de 8 milhões de euros em direitos pela transmissão dos jogos em casa, uma quantia baixíssima.

Só para efeitos de comparação, diga-se que o Granada, uma das menos cotadas equipas que disputa a Liga espanhola, ganhou em 2013 cerca de 12 milhões de euros. E o Valência, a terceira equipa de Espanha, ganhou 42 milhões de euros.

Sentindo-se injustiçado, o Benfica decidiu não renovar o contrato com a Olivedesportos/PPTV, a empresa que nas últimas décadas tem dominado o mercado de direitos televisivos em Portugal.

Foi uma decisão corajosa, e ainda por cima com o apoio esmagador da maioria dos sócios do Benfica, que há muito desejavam esta separação de uma empresa que, mal ou bem, identificam como "aliada" do rival maior do norte, o FC Porto.

Durante algum tempo, o Benfica ainda esperou que aparecesse um concorrente da Olivedesportos, para furar o monopólio desta, mas tal não veio a acontecer. Paes do Amaral ainda tentou, mas desistiu da ideia.

Apesar dos esforços do presidente da Liga, Mário de Figueiredo, que tenta lutar pela contralização na Liga dos direitos televisivos, a verdade é que o mercado está atrofiado pelo monopólio da Olivedesportos/PPTV, na compra dos direitos; e também pela SportTV, na venda aos consumidores finais.

Politicamente, a entrada da Benfica TV no jogo é uma oportuna decisão política, pois liberta o Benfica do jugo da Olivedesportos, e fura o monopólio desta pela primeira vez, o que é salutar para todos.

No entanto, há riscos importantes no projecto da Benfica TV, sobretudo financeiros, e é importante analisá-los com minúcia, para que se possa perceber a dimensão da aposta de Luís Filipe Vieira.

Passando a Benfica TV a um "canal premium", com uma mensalidade de 9,9 euros, a televisão da Luz passa a ser concorrencial com a SportTV, mas é evidente que precisava de mais do que apenas 2 jogos em casa do Benfica por mês. E os campeonatos gregos ou brasileiro não têm um poder de atração muito grande.

Assim, o Benfica teve de subir a parada e disparou um tiro certeiro e ambicioso: comprou os direitos da Premier League para os próximos 3 anos, por cerca de 3 milhões de euros por ano.

É uma aposta forte, ainda por cima coincidindo com o regresso de Mourinho a Inglaterra. Só faltava Ronaldo regressar a Manchester para ser ainda mais certeira.

Porém, será suficiente para criar "value for money"? Sem jogos da Champions League, sem jogos da Liga Europa, sem jogos do campeonato português tirando os que se passem na Luz, conseguirá o Benfica tornar a Benfica TV numa mina de ouro?

Para apreciar esse objectivo, teremos de fazer contas. Se o Benfica conseguir chegar a 8 milhões de euros por ano de receita líquida (já deduzidos os custos), ficará exactamente na mesma, ou seja, ganhará o mesmo que ganhou em 2012/2013. 

Acima desse valor, o Benfica estará a ganhar mais dinheiro do que nas últimas épocas. Mas ganhará mais do que podia ganhar? Recorde-se que a última oferta feita pela Olivedesportos/PPTV foi de 22,5 milhões de euros por ano, oferta essa que foi rejeitada pelo Benfica, conforme comunicado enviado à CMVM há uns meses atrás.

É portanto esse o julgamento que deve ser feito.

Abaixo de 8 milhões de receita líquida, a Benfica TV é um mau negócio.

Entre 8 e 22,5 milhões de euros de receita líquida, a Benfica TV é um bom negócio, mas não tão bom como a última oferta da Olivedesportos.

Acima de 22,5 milhões de euros de receita líquida por ano, a Benfica TV é um excelente negócio para o Benfica.

 

Estabelecido este critério para avaliar, vamos agora tentar calcular qual o número de assinantes que o Benfica precisa para atingir cada uma destas metas.

Quais são os custos da Benfica TV? Além dos referidos 3 milhões de euros pelos direitos da Premier League, há os outros direitos dos outros campeonatos, os custos de transmissão dos jogos na Luz, os custos com o pessoal necessário para a empresa funcionar, e coisas assim.

Embora eu não tenha acesso a esses números, parece-me razoável estimar que os custos da Benfica TV andarão à volta de 6 milhões de euros por ano.

E quais são as receitas?

Serão essencialmente as receitas dos assinantes da Benfica TV, que pagarão 9,9 euros mensais, e ainda alguma receita publicitária adicional que se consegue devido à transmissão dos jogos. Embora não seja fácil de calcular este valor, é sabido que a receita publicitária nos "canais premium" de desporto não é muito elevada, e por isso parece razoável estimar que no máximo a receita publicitária será 10 por cento da receita total. 

Há ainda um problema adicional: é que nem toda a receita das subscrições vai para a Benfica TV, pois os operadores (MEO, Zon, etc) ficam com uma parte da receita até um determinado nível de assinantes. Mais uma vez, não tenho acesso a essa cláusula, mas podemos estimar que metade da receita poderá ficar nos operadores até que sejam atingidos os 30 mil assinantes em cada operador. 

Assim sendo, qual será a receita líquida da Benfica TV com 100 mil assinantes, o número que o clube já atingiu?

O valor total da receita será de 100 mil vezes 9,9 euros, ou seja 990 mil euros por mês. Se multiplicarmos por 12 meses, temos 11,88 milhões de euros por ano. 

Contudo, para os primeiros 60 mil assinantes, a receita para a Benfica TV será apenas de metade, pois metade irá para o operador, e só os restantes 40 mil assinantes vão directos para receita da Benfica TV.

A receita total neste caso será apenas de 8,316 milhões de euros por ano (60 mil assinantes vezes metade de 9,9 euros vezes 12 meses; e 40 mil assinantes vezes 9,9 euros vezes 12 meses).

A somar a esse valor teremos ainda a receita dos anúncios na Benfica TV, cerca de 10 por cento dos 11,88 milhões, ou 1, 188 milhões. Portanto a receita total final dará cerca de 9,5 milhões de euros.  

Subtraindo a este valor os 6 milhões de euros em custos, teremos uma receita final líquida de apenas 3,5 milhões de euros, o que é muito abaixo dos 8 milhões que o clube recebia até ao final da última época. 

Portanto, com 100 mil assinantes, a Benfica TV ainda não é bom negócio para o clube, pois dá menos de metade da receita líquida que o clube recebia da Olivedesportos. 

Quantos assinantes precisa então a Benfica TV de ter para chegar aos 8 milhões de euros de receita líquida? 

Pelas minhas contas, são apenas precisos mais 37131 assinantes por mês para o Benfica chegar a uma receita líquida de 8 milhões de euros por ano.

Ou seja, com 137131 assinantes mensais a Benfica TV passa a ser um negócio melhor do que a situação do ano de 2012/2013.

Não parece muito difícil de atingir esse número pois não? Se o clube conseguiu 100 mil assinantes em menos de um mês, conseguir mais 37 mil não será certamente muito complicado.

Porém, convém lembrar que essa era a situação na qual o Benfica achava que ganhava pouco por ano. E convém lembrar que o Benfica rejeitou uma oferta de 22,5 milhões de euros por ano.

Qual é o número de assinantes necessários para que o Benfica ganhe mais do que essa última oferta da Olivedesportos, de 22,5 milhões de euros por ano de receita líquida?

Se os parâmetros que usei nas contas se mantiverem, a partir de 250 mil assinantes, mais coisas menos coisa, a Benfica TV é um excelente negócio para o clube e ultrapassa claramente a última oferta da Olivedesportos.

Em resumo, segundo estas minhas estimativas, e volto a dizer que não tenho acesso directo a todos os números do negócio, e por isso esta é apenas uma estimativa pessoal com base em certos princípios gerais, o que se pode concluir é o seguinte:

 

- Abaixo dos 137 mil assinantes a Benfica TV é um mau negócio.

- Entre os 137 mil e os 250 mil assinantes, a Benfica TV representa uma melhoria da situação do clube face ao passado recente mas não ultrapassa a última oferta da Olivedesportos.

- Acima dos 250 mil assinantes, a Benfica TV é um excelente negócio para o clube, e será uma aposta vencedora de Luís Filipe Vieira.

  

A pergunta seguinte que se deve fazer é: e é possível a Benfica TV ultrapassar os 250 mil assinantes?

Na actual conjuntura económica, não será fácil. Com a economia ainda em recessão, há muitos benfiquistas que terão dificuldade em assinar a Benfica TV, mesmo vivendo longe de Lisboa e do estádio da Luz.

Acresce que, e esse é um dos principais riscos do negócio, por 9,9 euros os benfiquistas poderão ver 2 jogos no conforto das suas casas e podem ir menos ao estádio.

Os economistas chamam a isto o "efeito de substituição" e a Benfica TV torna-se assim numa concorrente do próprio estádio da Luz. Talvez por isso, o Benfica já baixou o preço médio dos lugares anuais cativos e provavelmente irá baixar também os preços gerais dos bilhetes, principalmente para os sócios, para evitar que eles fiquem em casa a ver na televisão.

Existem ainda dois riscos adicionais. O primeiro tem a ver com o "risco da performance" da equipa. Se Jorge Jesus não entrar bem na época, ou se o Benfica perder muitos pontos na primeira parte do campeonato, o número de assinantes tenderá a estagnar ou mesmo a diminuir ao longo da época. Por causa disso, deverá também a Benfica TV apostar noutros mercados, por exemplo os ingleses a viverem em Portugal, que assinarão por causa da Premier League.

Finalmente, há um risco evidente, que é o "risco de marca".

Os clubes de futebol têm consumidores muito fiéis dos seus produtos, mas raramente conseguem atrair consumidores de outros clubes. Só uma pequena parte dos assinantes da Benfica TV serão adeptos de outros clubes portugueses, e é quase certo que sportingusitas, portistas e outros, jamais assinarão o canal.

Assim, uma importante parte do mercado está excluída à partida, e o crescimento da base de assinantes tem um limite natural difícil de ultrapassar.


A minha conclusão final, que partilhei com os meus alunos de Economia do Desporto, é pois a de que a Benfica TV é um projecto original e muito corajoso, que vai alterar drásticamente o mercado de direitos televisivos em Portugal, mas tem riscos financeiros que não podem ser desprezados.

Chegar aos 150 mil assinantes parece-me perfeitamente possível, mas chegar aos 250 mil parece-me difícil para já, até porque a SportTV também reagiu e vai lançar um canal "low cost" para evitar a fuga de assinantes.

Veremos como correm os próximos meses, e prometo voltar ao tema quando a situação se tornar mais clara.

 

 

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publicado às 10:32


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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