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Na semana passada, a imprensa desportiva referia que Luís Filipe Vieira teria estabelecido uma meta: 75 milhões de vendas de jogadores até ao fecho do mercado, em inícios de Setembro. 

Será isso possível, com os jogadores que o Benfica tem? E faz sentido colocar um objectivo assim tão definido, um número mágico?

A mim parece-me um erro colocar um objectivo tão minucioso e tão alto. 

É que essa entidade tão vasta chamada "mercado" não é controlável por ninguém, e os seus caprichos são imprevisíveis e flutuantes.

Ninguém sabe bem o que o "mercado" pode querer até inícios de Setembro, e colocar a fasquia nos 75 milhões pode ser um pau de dois bicos.

Se o Benfica não chegar a esse valor em vendas, lá virão os críticos de Vieira dizer que ele foi demasiado ambicioso e guloso, e que agora terá de lamber as feridas, ficando mais uma vez atrás do rival FC Porto, que temos de recordar já realizou esse valor com as vendas de Moutinho e James Rodriguez.

Mas, e se acontecer?

Os que defendem essa possibilidade recordam o Agosto de 2012. Até dia 20 e tal de Agosto, o clube não tinha vendido ninguém com relevância.

Depois, em pouco mais de uma semana, vendeu Javi Garcia para o City, por 20 e tal milhões, e Witsel para o Zenit, por 40 milhões.

Se o ano passado se conseguiram 60 e tal milhões em menos de quinze dias, porque não este ano?

E quem poderão ser os jogadores que, somando os seus valores de vendas, cheguem a 75 milhões?

A imprensa desportiva falava em cinco jogadores: Matic, Salvio, Garay, Gaitan e Cardozo.

Analisemos primeiro aqueles cuja saída não seria muito danosa para a qualidade da equipa.

Garay, por exemplo, pode valer 20 milhões, mas há notícias de que o Manchester United queria dar apenas 15 a pronto, pagando o resto ao longo de vários anos.

Aqui, o Benfica pode realizar entre 15 a 20 milhões, mas metade será sempre para o Real Madrid, e portanto não deve ir às contas da Luz.

Quanto a Cardozo, já se viu que os 15 milhões são difíceis, mas talvez 12 sejam possíveis.

Resta Gaitan, que nos sites que avaliam os jogadores não passa dos 15 milhões. Vendê-lo por 20 seria pois um excelente negócio, embora se trate de um jogador que não faz claramente a diferença, nem marca muitos golos.

Em resumo, e sem grandes danos para a qualidade da equipa, o Benfica pode realizar, numa estimativa muito benéfica, no máximo 45 milhões com estes jogadores (10 por metade do passe de Garay, 20 por Gaitan e 15 por Cardozo).

Ou, numa estimativa mais sensata, 35 milhões de euros (7,5 por Garay, 15 por Gaitan e 12,5 por Cardozo).

Agora, se vender ou Matic ou Salvio, os valores poderão subir consideravelmente.

Salvio poderá valer entre 25 e 30 milhões, é um excelente extremo, jovem, que marca muitos golos por ano. 

Matic ainda poderá ter um potencial maior. É um grande médio, fez uma época fantástica, e também marca golos.

Embora nos sites de avaliação de jogadores o seu valor não chegue aos 25 milhões, é possível que bem negociado vá até aos 35 ou 40 milhões, sobretudo se os compradores forem clubes milionários a contruir ainda equipas, como o PSG ou o Mónaco.

É pois perfeitamente admissível atingir um valor de 75 milhões, ou até mais, se todos os cinco jogadores forem vendidos.

Mas, e esse é o ponto, alguém acredita que o Benfica vai vender 5 jogadores destes na mesma época?

E como ficaria Jorge Jesus, que perderia de uma assentada 5 titulares da equipa?

Parece-me que, mais do que definir um objectivo mágico para o total de milhões que se obtém em vendas, Vieira se deve preocupar em vender bem quem já tem substituto à altura. 

São os casos de Garay (há Lisandro), Cardozo (há Lima, Rodrigo e talvez Funes Mori), e Gaitan (há Markovic, Ola John, Suleimani). 

Depois, é escolher um dos outros dois: ou Salvio, e perde-se força no ataque, ou Matic, e perde-se no meio-campo.

Vender os cinco ao mesmo tempo é que me parece demais. 

É certo que, nos escombros da venda de Javi e Witsel, Jesus construiu uma equipa que foi muito longe e chegou a ser brilhante na época passada.

Mas, fazê-lo de novo sem Matic, Salvio ou Cardozo, é muito difícil. Seria mesmo um milagre...

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publicado às 15:20


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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