Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Lá por fora, a janela de transferências deste Janeiro não foi propriamente empolgante.

Não houve grandes transferências e a única que mereceu grande destaque foi a de Mata, do Chelsea para o United.

 

Quanto ao resto, a animação foi muito dada pelo Benfica, que vendeu três jogadores, conseguindo um total de 70 milhões de euros.

Foi um excelente aproveitamento de mercado, por várias razões.

Em primeiro lugar, era sabido que Matic queria mesmo ir para o Chelsea, onde regressa pela porta grande, e não valia a pena tentar mantê-lo cá contrariado.

O preço, 25 milhões de euros, foi bom e era por esse valor, ou semelhante, que ele estava avaliado nos sites da especialidade.

É claro que a equipa fica menos forte, e que o valor do plantel diminui, mas parece-me que não havia outra solução que não a venda, e que existem substitutos para o lugar, talvez não tão bons, mas suficientes para o Benfica não se ressentir em campo.

Além disso, o Benfica conseguiu a proeza de vender muito bem Rodrigo, a um fundo de investimento, conseguindo que ele fique a jogar no clube até ao final da época. São 30 milhões de euros, sem perda do jogador já, o que é excelente, pois entra dinheiro e não há perda de eficiência na equipa.

O negócio é por valores muito elevados, que ainda podem crescer mais 10 milhões se na próxima época Rodrigo atingir certos objectivos, e há que dar os parabéns à gestão do Benfica por um negócio destes, por um valor muito superior ao que Rodrigo está avaliado nos sites da especialidade.

No transfermarket.com, por exemplo, não vale mais de 10 milhões, e portanto vendê-lo por 30 só pode ser fantástico.

O mesmo se passa com André Gomes, vendido por 15 milhões ao mesmo fundo, e que também continuará na Luz até ao final da época.

O valor é bom, embora eu tenha pena, pois gostava de ver André Gomes titular na Luz durante um ou dois anos, o que já não acontecerá. 

Para já é isto que há a dizer, embora ainda não se saiba se Garay sairá ou não para a Rússia, cujo mercado só fecha no final de Fevereiro.

 

Faz sentido vender tanta gente em Janeiro?

O Benfica, disse-o Luís Filipe Vieira, tinha feito a opção arriscada de não vender ninguém em Agosto, para tentar um brilharete na Liga dos Campeões, cuja final se joga este ano na Luz.

Contudo, isso não aconteceu. O Benfica ficou um pouco aquém das expectativas, e acabou por cair para a Liga Europa. Por isso, em Janeiro havia mesmo que vender.

A virtude destas vendas foi que a equipa enfraquece apenas ligeiramente, enquanto se as vendas tivessem sido em Agosto, provavelmente o Benfica precisava de se ter reforçado mais.

Assim, podemos dizer que o modelo "import-win-export" do Benfica, que tinha sido suspenso em Agosto, funcionou muito bem em Janeiro. 

 

E como foi o mercado para o FC Porto?

Apesar das excitações de última hora, com avião para em Pedras Rubras e tudo, a verdade é que ninguém saiu.

O FC Porto optou por não vender os seus activos mais valiosos (Mangala, Jackson, Fernando), na esperança de continuar a lutar pelas competições onde ainda está envolvido.

O único reforço foi Quaresma, que tem talento mas não parece chegar para inverter o estado semi-depressivo que se começa a instalar no Dragão.

Houve também a saída importantíssima de Lucho, que enfraquece o meio-campo; a estranha resolução do caso Izamailov (que ressuscitou de repente); e há a dúvida sobre Fernando, que ainda não renovou contrato, e veremos o que se passa nos próximos tempos, pois se ele não renova poderá dar-se um imbróglio, uma vez que a tradição no Dragão é encostar à boxe quem não renova...

Embora ainda não se saiba o que se vai passar com Otamendi, que pode sair para Rússia, a verdade é que em Janeiro o FC Porto não conseguiu inverter as expectativas, e a equipa não saiu reforçada.

A derrota contra o Marítimo ainda vinca mais essa sensação, consolidando a ideia que este é um ano perdido, de transição e renovação, onde muitas situações parecem mal geridas.

 

Por fim, vamos ao Sporting.

Não houve saídas importantes, o que é bom, e houve vários reforços, o que também é importante para o clube.

Elias esteve com um pé fora, mas acabou por ficar. Se jogar, é uma mais-valia, pois é um excelente jogador.

Heldon foi bem comprado, e é um bom jogador, que marca muitos golos. Veremos é se tem arcaboiço para jogar no grande.

Quanto a Shikabala, parece-me uma aposta arriscada, com um ego muito exagerado, e que não é certo que se integre no estilo de Alvalade.

Seja como for, o Sporting reforçou-se bem, e pode aspirar a manter-se na corrida do título, sobretudo porque apenas lhe faltam 13 jogos para o final da época, embora possam ser 15 de ficar na Taça da Liga.

São poucos jogos, Benfica e FC Porto terão bem mais, e isso pode ajudar o Sporting a estar mais fresco a partir de Março, quando se entrar na recta final. 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:30


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


Contacto

oeconomistadabola@gmail.com

Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D