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Ontem, Pinto da Costa veio dizer que Quaresma foi vítima de "insultos racistas", e por isso perdeu a cabeça.

Além disso, o presidente do FC Porto alegou que o jogador estava a ser prejudicado por ser cigano, pois muita gente não o queria ver na Seleção Nacional.

Terá razão?

Quanto à primeira parte, se houve ou não insultos racistas, não sabemos bem, mas pela forma como Quaresma perdeu a cabeça, é possível que tenham existido.

Porém, ele não agrediu ninguém, e confusão e gritos, não sendo bonitos de ver, não são comportamentos graves.

 

A segunda acusação de Pinto da Costa é mais séria.

Quaresma é discriminado na Seleção porque é cigano?

É essa a razão porque não é convocado?

Os preconceitos existem sempre, gostemos ou não deles, mas numa sociedade civilizada, e num desporto cuja organização internacional, a FIFA, tem o combate ao racismo como objectivo, seria inaceitável que Quaresma não fosse convocado só por ser cigano.

 

Como foi a história de Quaresma na Seleção Nacional até aqui?

Um pouco como a carreira dele, com altos e baixos, mas sem nunca assentar arraiais definitivos.

Nem com Scolari, nem com Carlos Queiroz, nem com Paulo Bento, ele se saiu muito bem.

Ao contrário de Ronaldo, Nani, Pepe, Coentrão, Moutinho, Rui Patrício ou mesmo Miguel Veloso, que começaram por ser jovens talentosos, mas acabaram titulares devido à sua consistência e compromisso, Quaresma nunca o conseguiu.

De vez em quando, lá apareciam uns fogachos na Seleção, mas rapidamente o jogador se eclipsava.

 

É evidente que, na sua carreira nos clubes, as coisas também não lhe saíram bem.

Com a excepção do FC Porto (da primeira vez e agora), Quaresma falhou quase sempre.

Falhou no Barcelona, no Chelsea, no Inter, e até no Besiktas, onde começou bem.

Quaresma, pode-se dizer, passou ao lado de uma grande carreira.

 

Muitos dizem que o que o estragou foi o seu comportamento, nos balneários, nos estágios, na vida privada.

Vaidoso, conflituoso, egocêntrico, mau colega, causador de distúrbios, foram tudo acusações que se ouviram.

Mas, terá sido mesmo assim, ou tudo não passou de um enorme e colossal preconceito contra um cigano?

Talvez um pouco das duas coisas.

O comportamento do jogador muitas vezes não foi o melhor, mas também acredito que muitas vezes ele foi prejudicado pelos preconceitos que existem contra os ciganos.

E é um pouco isso que se está a passar agora.

 

Parece-me evidente que, até Janeiro, o problema de Quaresma nem se colocava para Paulo Bento.

O jogador andava perdido pelas Arábias, e não contava.

Contudo, o regresso ao FC Porto e a sua excelente forma, mostraram que ele continua cheio de talento e energia.

Porque não convocá-lo?

Será que é assim tão complicado integrá-lo num grupo estável e bem liderado por Paulo Bento?

Por outro lado, na posição de Quaresma, falta-nos gente de qualidade.

Nani está lesionado e não sabemos se recupera, Danny não conta, Ivan Cavaleiro e Mané são muitos jovens, Bruma e Rafa estão fora de combate.  

Quem tem a seleção para aquela posição, além de Cristiano e Varela?

Pois é... 

Com falhas destas, seria uma aberração Quaresma ficar de fora do Mundial, e nesse caso eu próprio começaria a acreditar que há um preconceito claro contra ele, o que é grave.

Vamos esperar pelas convocatórias, para ver o que acontece.

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publicado às 10:23

Segundo a imprensa desportiva, o Benfica terá já vendido os direitos económicos de André Gomes, por 15 milhões de euros.

No entanto, essa venda terá sido feita ao empresário Jorge Mendes, e não a nenhum clube específico, ficando agora a responsabilidade de encontrar um novo clube nas mãos do empresário.

Fala-se no Mónaco, no Liverpool, no Manchester City, mas ainda não é certo que o jogador saia para um desses clubes, e que o faça ainda em Janeiro.

 

Mas, será que esta venda fez sentido para o Benfica?

Nesta questão, há um claro dilema entre o curto prazo e o médio prazo.

Tratando-se de um jogador que não é titular e joga pouco na equipa principal, não há prejuízo desportivo com a sua saída já.

O Benfica não fica mais fraco sem ele, como ficou sem Matic. 

E o benefício financeiro é evidente: são 15 milhões de euros por um jogador formado no clube, que custou muito pouco em salários até agora.

Portanto, a curto prazo, a venda faz sentido, pois entra dinheiro e não há perda de qualidade da equipa.

 

Porém, se pensarmos no médio prazo, a 3 anos, fará sentido vender um jogador que poderia ser titular do Benfica e valorizar-se muito?

Com a idade e o talento que tem, André Gomes poderia ser titular no próximo ano, e fazer mais uma ou duas épocas na Luz.

Se tudo corresse bem, daqui a 2 ou 3 anos, poderia valer cerca de 25 milhões de euros, ou mesmo mais.

Os salários que o Benfica lhe teria de pagar teriam de ser deduzidos a esse valor de venda, mas talvez valesse a pena.

 

É este o ponto central, o dilema mais importante da formação.

Os jogadores devem vender-se jovens, aos 20,21, ou devem jogar 3 anos no clube, e só ser vendidos aos 24,25 anos?

Há um problema de risco, pois ninguém sabe se as coisas vão correr bem, e se daqui a 2 ou 3 anos um jogador vai mesmo valorizar tanto.

Podem existir lesões, divergências com os treinadores, desmotivação, e não é certo que tudo corra bem.

Mas, mesmo assim, não valerá a pena correr o risco e manter os jogadores talentosos que foram formados no clube mais tempo, retirando com isso resultados desportivos e financeiros?

Pela minha parte, tenho pena que o Benfica venda tão cedo jogadores. Como tenho pena que Bruma ou Ilori tenham saído do Sporting.

Compreendo perfeitamente as necessidades financeiras dos clubes, bem como os desejos de jogadores e empresários, mas a verdade é que me parece cedo demais.

 

Quando olhamos para o que aconteceu a muitos jogadores portugueses que saíram cedo demais, vemos que a norma é eles não terem triunfado à primeira.

Hugo Viana, Simão, Quaresma, Manuel Fernandes, Bruma, Ilori, e muitos outros, foram vendidos muito jovens, e não conseguiram firmar-se nos clubes, acabando depois por regredir na carreira.

Cristiano Ronaldo e Nani são as boas excepções, mas talvez fosse melhor os jogadores ficarem mais algum tempo nos clubes, ajudando-os a ganhar títulos, e só depois serem vendidos.

O meu receio é que André Gomes seja mais um a entrar para a lista dos que não triunfam lá fora à primeira, e tenho pena, pois gostava que ele fosse titular do Benfica nos próximos anos.

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publicado às 11:01


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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