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A demissão de Sandro Rossel da presidência do Barcelona pode vir a mudar significativamente o mercado de transferências de jogadores de futebol.

Logo que Neymar chegou ao clube da Catalunha, muitos estranharam o baixo valor oficial da compra, cerca de 56 milhões de euros.

Neymar é um enorme talento, e não parecia possível que Bale valesse 90 milhões e o brasileiro apenas 56.

Nas semanas seguintes, a especulação manteve-se, e começaram a surgir notícias de que o salário oficial do jogador não era o divulgado.

A imprensa tinha dito que ele iria ganhar 7 milhões por ano, mas depois descobriu-se que existia um contrato paralelo, com uma empresa do pai do jogador e do próprio, de mais 8 milhões por ano, o que elevava o salário real para os 15 milhões.

A especulação continuou, e Rossel não a conseguiu travar.

A notícia seguinte foi ainda mais grave: o Santos recebera pouco, havia mais algumas comissões, mas a verdadeira bomba surgiu quando se soube que o Barcelona teria pago um valor extra de 35 milhões de euros à empresa de pai e filho, o que fazia o custo total da transferência subir para os tais 90 milhões.

O problema foi que isso não foi declarado no Transfer Matching System da FIFA, e terá mesmo obrigado Rossel a assinar contratos falsos, com valores fictícios e coisas assim.

Mal um sócio do Barcelona colocou a questão em tribunal, percebeu-se que Rossel estava em apuros, e ontem tomou voluntariamente a decisão de se demitir, passando a pasta ao seu actual vice.

Se Rossel cometeu ou não um crime, se verá no processo que se irá seguir, mas do ponto de vista desportivo, o caso é mais um que cheira a esturro, e que demonstra que os negócios de transferências têm de ser mais transparentes, para que não existam alçapões escondidos por onde circula muito dinheiro duvidoso.

Aliás, a FIFA já ontem declarou que pondera introduzir novas regras nas transferências, obrigando todo o dinheiro de qualquer negócio a ser depositado primeiro numa instituição bancária, para melhor ser controlado.

É uma das muitas hipóteses que se podem discutir, tal como a intervenção de empresas de terceiros, que não sejam clubes, nestes negócios.

As chamadas TPO (Third Parties Others), que são empresas cujos titulares muitas vezes não são conhecidos, intervêm muito, sobretudo na América Latina e na Europa do Sul, e a FIFA já avisou que provavelmente as vai proibir.

É evidente que, casos como o de Neymar, não dão saúde nenhuma ao fabuloso mercado de transferências, mas também é preciso ter cuidado para não matar o negócio.

Transparência precisa-se, mas com bom senso, pois o futebol não seria o mesmo sem as fabulosas transações que se conseguem fazer.  

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publicado às 09:51


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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