Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



É evidente que Platini tem razão, quando diz que a FIFA estendeu o prazo de votação para a Bola de Ouro para beneficiar Ronaldo. 

Todos nós, no próprio dia, percebemos isso.

Ainda por cima depois da fabulosa exibição de Ronaldo contra a Suécia, a notícia de que o prazo ia ser estendido parecia vir mesmo encomendada para possibilitar a vitória de Ronaldo.

Como português, fiquei contente, pois quero muito que Ronaldo vença o prémio, e considero que ele é neste momento o melhor do mundo.

Porém, pareceu-me evidente que Blatter estava a tomar esta decisão para emendar a mão depois da imbecilidade que fez.

Quando Blatter gozou Ronaldo, não esperava os efeitos que essa ação provocou.

O mundo do futebol ficou indignado, e não foram só os portugueses.

Para mais, como sempre parece acontecer quando é hostilizado, Ronaldo ainda se motivou mais, e jogou como nunca.

As graçolas de Blatter fizeram ricochete, e ele viu-se na obrigação de pedir desculpa, e de tentar começar a amaciar a sua relação com Ronaldo, fazendo-lhe grandes elogios públicos.

Mas, a mão não estava ainda emendada. Portanto, Blatter viu na possibilidade criada pelas grandes exibições de Cristiano uma oportunidade, e decidiu esticar o prazo da votação para o prémio.

Assim, quase certamente Cristiano ganhará, e assim Blatter poderá mostrar que não valem nada as graçolas, o que conta são os prémios.

Foi isso que Platini quis dizer, e tem razão.

Mas, como portugueses, que nos importa isso? Por nós, encantados da vida. Desde que o Ronaldo ganhe! 

O prémio é que sai um pouco chamuscado destas polémicas...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:23

A Pepsi cometeu um erro grave e imperdoável para uma grande marca internacional.

Ao entrar numa campanha negativa, contra Cristiano Ronaldo e contra Portugal, a Pepsi fez uma coisa que nenhuma marca antes tinha feito: atacar uma celebridade e ofender um país.

Até esta semana, a relação das grandes marcas com as celebridades desportivas, e com os países, era sempre positiva.

Há grandes marcas que se associam a grandes jogadores, e que ganham muito com isso; e há grandes marcas que se associam com países (Sagres, etc) e que também ganham muito com isso.

Essa associação faz sentido, e costuma ser "win-win", boa para a marca e boa para as celebridades ou países.

No entanto, não conheço exemplos de marcas que realizaram campanhas negativas contra celebridades ou países.

Ou antes, não conhecia, pois foi isso que a Pepsi fez.

O erro foi de palmatória, e teve consequências imediatas.

A Pepsi desceu brutalmente na consideração dos portugueses, e a opinião pública tem agora uma péssima imagem da marca.

Se vai haver ou não consequências graves em termos de vendas, não sabemos ainda, mas como a Pepsi já vendia pouco, os danos não serão catastróficos.

O que nos leva a suspeitar que jamais a Pepsi sueca teria feito uma campanha destas contra um jogador francês, inglês, alemão, espanhol ou italiano.

Alguém acredita que a Pepsi fizesse isto a Ribery, Rooney, Ozil, Iniesta ou Balotelli? 

Nesses casos, haveria danos muito mais graves, pois são mercados grandes, muito maiores do que o português.

Mas, como se tratava de Portugal, mercado pequeno, a Pepsi não se incomodou e insultou, não só o capitão da seleção, como todos os portugueses.

Para azar da Pepsi, o insulto veio num momento de enorme exaltação nacional, pois Portugal fez um jogaço e eliminou a Suécia.

O erro foi também de timing. 

Como agravante, a Pepsi elegeu como alvo um jogador que, neste momento, é o melhor do mundo, e que está a jogar brutalidades.

Ou seja, Ronaldo nunca foi tão genial e tão consensual, e por isso atacá-lo, nos dias que correm, faz sempre ricochete.

Que o diga Blatter, que teve de pedir-lhe desculpa depois daquela comédia pífia, e que o diga agora a Pepsi.

O pior para a marca é que nada valem as desculpas apresentadas, o erro grave está feito.

É por estas e por outras que a Pepsi é uma marca em decadência mundial há muitos anos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:08


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


Contacto

oeconomistadabola@gmail.com

Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D