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Se analisarmos a época do Benfica com frieza, veremos que foi muito boa em quase todas as frentes.

Na Liga, obteve 24 vitórias, 4 empates e apenas 2 derrotas, sendo que uma delas não teve qualquer significado prático (a do Dragão).

A percentagem de vitórias no campeonato (um empate vale metade da vitória), é pois de 86,6%, com a grande importância de ter sido campeão com 7 pontos de avanço sobre o segundo classificado.

 

Na Taça de Portugal, o registo também é excelente.

Em 7 jogos, o Benfica obteve 6 vitórias e apenas 1 derrota, na primeira mão da meia-final.

Ou seja, obteve uma percentagem de vitórias de 85,7%, tendo também conquistado este troféu, no jogo de ontem com o Rio Ave.

E na Taça da Liga, o registo é ainda melhor: em 5 jogos, 4 vitórias e 1 empate, também no Dragão.

É aqui que o clube ontém a sua mais alta percentagem de vitórias: 90%.

 

Nas competições europeias, as coisas não correram tão bem, sobretudo na Champions.

Em 6 jogos, o Benfica obteve 3 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, fez 10 pontos mas não passou da fase de grupos.

A percentagem de vitórias na Champions foi a mais baixa de todas as competições: 58,3%, o que é abaixo do que se pretende para um clube como o Benfica.

Porém, na liga Europa os resultados foram bem melhores, o que também era de esperar.

Em 9 jogos, o Benfica venceu 6 e empatou 3, sendo apenas derrotado pelo Sevilha nos penalties.

A percentagem de vitórias foi bastante boa, 83,3%, mas o sabor final foi amargo, pois a taça não veio para Lisboa.

 

Se juntarmos todas as competições em jeito de balanço, podemos dizer que a equipa fez um total de 57 jogos oficiais, tendo obtido 43 vitórias, 9 empates e apenas 5 derrotas, o que dá uma percentagem global de vitórias de 83,3%, o que é notável, tendo ainda vencido 3 das 5 competições em que participou.

A época podia ainda ter sido mais brilhante?

Sim, a derrota na final europeia foi pena, mas não apaga os excelentes resultados conseguidos.

Além disso, esta época o Benfica conseguiu chegar a um local inédito, o 5º lugar no ranking de clubes da UEFA, que diz respeito aos últimos 5 anos, e apenas atrás de Real Madrid, Barcelona, Bayern e Chelsea.

Isso significa que mais uma vez será cabeça de série na próxima Champions, pelo segundo ano consecutivo, o que é excelente.

 

Mas, que ninguém pense que esta foi uma época fácil.

Em Agosto do ano passado, o Benfica estava em depressão, depois das derrotas cruéis de Maio.

No entanto, cerrou os dentes e prosseguiu a trabalhar, e conseguiu vencer as tristezas e as dores, e levantar-se para um grande ano.

Isto apesar de mais contrariedades.

Há muito tempo que não me lembrava de uma equipa tão massacrada por lesões.

Salvio, Cardozo, Ruben Amorim, Fejsa, Sílvio, Sálvio outra vez, Suleimani, Siqueira, todos eles passaram momentos dolorosos, e a equipa perdeu alguns mesmo quando precisava tanto deles...

O azar dos castigos também foi cruel, e na final de Turim ficaram de fora Enzo, Markovic e Salvio, o que muito prejudicou.

Mas, o futebol é mesmo assim, as lesões e os castigos fazem parte da vida das equipas, e embora seja duro perder tanta gente em momentos tão em importantes, a verdade é que mesmo assim o Benfica conseguiu resultados muito bons.

 

É tempo pois de dar parabéns.

A Luís Filipe Vieira pela coragem e firmeza de ter acreditado no treinador.

A Jorge Jesus pela forma como montou a equipa, e como a manteve sempre competitiva e motivada o ano todo.

E aos jogadores, a todos, pela forma espantosa como se bateram sempre, mesmo quando as contrariedades eram muitas e quando poucos acreditavam neles.

E por fim aos adeptos, a todos, mesmo os que no início não acreditaram.

Por vezes, como na vida, é preciso cairmos para depois nos levantarmos, mais fortes e ainda mais empenhados, e só por fim vencer.  

 

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publicado às 12:19

Os números desta época do Benfica começam a ser impressionantes.

A equipa tem vindo sempre a melhorar desde Outubro, e não parece estar a fraquejar, agora que chega o momento das grandes decisões.

Até agora, nas quatro competições em que está envolvido, o Benfica realizou 41 jogos, dos quais venceu 32, empatou 6 e apenas perdeu 3 (dois na Champions e um no campeonato).

A percentagem de vitórias do Benfica, onde cada empate conta metade de uma vitória, está neste momento em 85,3%.

É um número muito bom, e continua a crescer, pois a meio de Fevereiro, o Benfica de Jesus estava com 82,8% de percentagem de vitórias, e subiu.

É claro que isto pode significar pouco no final, mas com a liderança do campeonato muito sólida, com sete pontos de avanço, o Benfica tem margem e plantel para conseguir ter alto rendimento nas outras competições.

Nas taças de Portugal e da Liga, estão a chegar os grandes jogos contra o FC Porto, mais 3 provas de fogo.

E, na Liga Europa, o AZ Alkmaar não parece capaz de impedir que o Benfica chegue à meia-final.

Porém, na Luz toda a gente sabe que as alegrias de Março não servem de nada se em Maio só aparecerem tristezas.

Ninguém admitiria outra vez um cenário idêntico ao do ano passado, por isso é melhor cerrarem os dentes e lutarem até os títulos estarem ganhos.

 

Quanto ao Sporting, também melhorou um pouco no último mês e meio.

Em Fevereiro, o clube estava com uma percentagem de vitórias de 75%, o que já eram bom, mesmo sabendo que não disputou jogos europeus e que já foi eliminado das Taças nacionais.

No entanto, com um total de 29 jogos disputados, com 19 vitórias, 7 empates e 3 derrotas, o Sporting tem agora uma percentagem de vitórias de 77,5%, o que revela a melhoria que a equipa ainda consegue ter nesta altura.

Comparando com épocas anteriores, é um resultado muito bom, que pode permitir ao clube a entrada directa na Champions.

Veremos se Jardim consegue aguentar a ponta final do campeonato, mas tudo parece apontar para essa possibilidade.

 

 

O ano horribilis do FC Porto é evidente. 

Em Fevereiro, o FC Porto estava já abaixo dos rivais, com uma percentagem de vitórias de 72,7%.

Paulo Fonseca saiu, mas as coisas ainda não melhoraram muito.

Com 42 jogos disputados, o FC Porto tem agora 24 vitórias, 10 empates e 8 derrotas, o que dá uma percentagem de vitórias de 69%.

Curiosamente, se fizermos a percentagem de vitórias apenas para os jogos com Luís Castro aos comandos, o número é semelhante.

Em 5 jogos, 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota dá uma percentagem de vitórias de 70%, em linha com o resto da época.

Mudar de treinador raramente muda o essencial: o valor da equipa é mais baixo do que em outros anos, e portanto as coisas ficam mais ou menos na mesma, mesmo mudando o treinador.

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publicado às 10:52

Ontem, no derby, foi evidente a superioridade do Benfica, que ganhou bem e mostrou uma competência e uma capacidade muito fortes.

A forma como a equipa acelera e ataca é vertiginosa, e a forma como defende, que era o ponto fraco no início da época, está cada vez mais eficiente, concentrada e compacta.

Acho que ninguém já terá dúvidas hoje da previsão que aqui fiz em Dezembro, de que o Benfica é o mais forte candidato ao título este ano, e que só não será campeão se cometer erros disparatados nos pequenos jogos.

Além de estar mais forte e muito eficaz, o Benfica tem dois adversários que têm problemas. 

O FC Porto está abalado e instável, e o Sporting tem ainda alguma imaturidade para se manter ao mesmo nível.

 

É evidente que, como Jesus e o presidente já disseram, o campeonato é o objectivo primordial.

Perdida a possibilidade, bastante fantasiosa, de chegar à final da Champions que será na Luz, é claro que todos querem ser campeões nacionais.

Mas, parece-me que estando a equipa a jogar tão bem, e tendo demonstrado uma superioridade tão evidente nos confrontos com FC Porto e Sporting, julgo que o Benfica deve aspirar também a vencer as outras duas competições nacionais, Taça de Portugal e Taça da Liga.

Na primeira, teremos duas mãos, uma no Dragão, outra na Luz, e considero que o Benfica tem capacidade para eliminar o FC Porto e estar presente no Jamor.

O mesmo se passa na Taça da Liga, seja contra quem for a meia-final. 

Embora estes jogos não devam desconcentrar o Benfica do objectivo campeonato, é possível ir às duas finais, a equipa tem soluções para isso, e no final do mês ainda haverá Salvio, já recuperado da lesão.

 

Por fim, a Liga Europa.

Ao contrário do presidente Luís Filipe Vieira, eu nunca achei possível o Benfica chegar à final da Champions, mas acho muito possível chegar à final da Liga Europa outra vez.

Há equipas muito boas, mas o Benfica é uma delas.

No site Euro Club Index, onde são calculadas as probabilidades das equipas vencerem a Liga Europa, o Benfica aparece em 3º lugar, com 10,3% de probabilidade de ser o vencedor.

Acima do Benfica, só a Juventus, com 19,6% de probabilidade de ser a vencedora, e o Tottenham, com 13,2% de probabilidade de vencer a Liga Europa.

Atrás da equipa da Luz, estão o FC Porto, com 9%, o Shakhtar Donetsk, com 8%, e o Nápoles, com 7%.

Portanto, não há razão nenhuma para Benfica e FC Porto não aspirarem a ir o mais longe possível, e nenhum deve deixar de tentar.

Até porque, e ao contrário do que se costuma dizer, não há uma diferença financeira tão grande entre as duas competições.

Em 2011/2012, o Benfica chegou aos quartos-de-final da Champions, onde foi eliminado pelo Chelsea, e recebeu em prémios da UEFA a quantia de 22,3 milhões de euros.

Em 2012/2013, o Benfica fez a fase de grupo da Champions, e seguiu para a Liga Europa, chegando à final, e faturando um total de prémios da UEFA de 21,7 milhões de euros, apenas menos 600 mil euros que no ano anterior.

Ou seja, atingir a final da Liga Europa vale quase tanto como os quartos-de-final da Champions, e é por isso que esse objetivo deve ser tentado.

 

Em conclusão: a jogar como tem jogado, o Benfica deve atacar em todas as frentes ao mesmo tempo, e não se concentrar apenas numa.

É assim com todas as grandes equipas da Europa, nunca desistem de objetivos, principalmente quando têm qualidade para aspirar a alcançá-los. 

 

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publicado às 11:50


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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