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Foi uma noite muito boa para os clubes portugueses na Liga Europa.

O Benfica fez um jogo enorme em Londres, vencendo o Tottenham por 1-3.

É muito difícil virar uma eliminatória depois de perder em casa, e ainda para mais quando se atravessa uma crise de confiança.

Ontem, o Tottenham mostrou todas as suas debilidades.

Tem bons jogadores, mas não é uma boa equipa.

Os jogadores não acreditam nas jogadas que fazem, e cometem erros atrás de erros.

Em comparação, o Benfica foi uma equipa concentrada, confiante, segura, e letal perto da baliza.

Em seis ou sete remates, fez 3 golos, e nunca deixou os ingleses controlar o jogo.

Talvez agora o dono do Tottenham já tenha percebido que mudar de treinador não resolveu nada.

André Villas-Boas foi despedido só por causa de duas duras derrotas por goleada, mas tinha melhor percentagem de vitórias do que Tim Sherwood.

Que não parece ter talento ou conhecimento para dar a volta às aflições.

Só uma calamidade impedirá o Benfica de seguir em frente.

 

O FC Porto também esteve bem, e a vitória contra o Nápoles é justa mas é curta.

No entanto, o 1-0 é um resultado dificílimo de virar, e a maior parte das equipas que ganha 1-0 na primeira mão segue em frente.

O San Paolo é um estádio com um ambiente terrível, mas o FC Porto tem experiência nessas situações, e pode aguentar a pressão.

Luís Castro está a conseguir estabilizar a equipa, e duas vitórias aumentaram a confiança dos jogadores.

Se o FC Porto jogar mais ligado, com um meio-campo mais consistente e compacto, será um osso muito duro de roer para o Nápoles.

Benitez, é certo, tem muito mais experiência, e adora provas a eliminar, onde é bem mais forte do que nos campeonatos.

E a equipa tem armas poderosas, desde Higuain a Hamsik, passando por Calejon e Zapata.

Será certamente um jogo muito interessante e bem disputado, mas para já a vantagem é do FC Porto.

 

Quanto aos adversários, alguns apontamentos curiosos:

- O Valência está praticamente apurado, mas a Juventus, que todos dizem ser o clube mais forte da Liga Europa, não conseguiu melhor que empatar em casa, 1-1, com a Fiorentina. A segunda mão, em Florença, não será fácil para a equipa de Conte, que apesar de dominar o campeonato, não consegue bons resultados nas competições europeias.

- Se a Juventus cair, Benfica e FC Porto, se passarem, ganham o estatuto de principais favoritos, ao lado do Valência e da Fiorentina.

- Dos outros clubes, os únicos perigosos são o Lyon, e o imprevisível Red Bull Salzburg, que tem sido uma excelente surpresa este ano.

Será que a Red Bull dá mesmo asas ao clube austríaco? E até onde pode ele voar?

 

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publicado às 10:30

Ontem, Benfica e FC Porto fizeram o que se esperava, e seguiram em frente na Liga Europa.

Na Luz, o Benfica confirmou que é claramente mais forte do que o PAOK, vencendo com facilidade.

Em Frankfurt, o jogo foi espectacular, o FC Porto esteve com um pé fora, mas recuperou epicamente, e o empate 3-3 garantiu a passagem.

É na Liga Europa que os clubes portugueses mais podem ter sucesso, pois a Champions está fora do nosso alcance neste momento.

Quem tem visto os jogos percebe que equipas como o Real Madrid, o Bayern, o Barcelona, o Paris Saint Germain, o Dortmund, o Chelsea ou o Atlético de Madrid estão noutra galáxia.

Mesmo o City ou o Arsenal, já para não falar no Zenit e no Schalke, não têm qualquer hipótese de seguir em frente.

Repare-se que o FC Porto teve muitas dificuldades contra o 13º da Bundesliga, o Eintracht; mas o Real Madrid goleou o Schalke em Gelsenkirchen por 6-1.

Há uma diferença colossal entre certas equipas europeias e as nossas, e por isso é preferível ser bom na Liga Europa em vez de ser humilhado na Champions.

 

Agora, seguem-se dois adversários muito fortes. Para o FC Porto, o Nápoles; para o Benfica, o Tottenham.

Comparem-se as qualidades em ambos os confrontos, para estimar as probabilidades das equipas portuguesas.

Em termos de ranking da UEFA, o FC Porto é o 11º, enquanto o Nápoles é o 31º. 

Nos últimos cinco anos, o FC Porto é uma equipa mais habituada do que a italiana a jogar bem na Europa.

Porém, se olharmos apenas para o coeficiente desta época, o Nápoles está à frente, pois fez uma fase de grupos da Champions bem melhor.

Quanto a treinadores, os italianos levam vantagem: Benitez é muito mais experiente que Paulo Fonseca, já venceu uma Champions e uma Liga Europa, com Liverpool e Chelsea.

Em termos de valor do plantel, segundo o site transfermarkt, o do Nápoles vale 253 milhões de euros, e tem jogadores muito bons como Reina, Hamsik, Higuain, Callejón, embora a defesa não seja muito forte.

Já o FC Porto, tem um plantel avaliado em 183 milhões de euros, com Jackson, Mangala e Fernando.

É difícil dizer quem é mais forte, e internamente estão ambos em 3º nas respectivas ligas, um pouco abaixo do que se esperava.

Segundo o Euro Club Index, o Nápoles tem mais possibilidades de chegar à final (8,8%) do que o FC Porto (5,5%), mas a diferença é curta.

Será uma eliminatória imprevisível, com uma pequena vantagem para os italianos, pois jogam a segunda mão em casa.

 

No caso do Benfica e dos ingleses, as coisas são também equilibradas.

No ranking da UEFA, o Benfica é o 6º classificado, enquanto o Tottenham está apenas em 19º lugar.

No ano passado, os Spurs ficaram-se pelos quartos-de-final da liga Europa, tendo sido eliminados pelo Basileia, enquanto o Benfica chegou à final de Amesterdão.

No que toca a treinadores, parece-me que o Benfica tem clara vantagem, pois Jesus é muito mais experiente e bem sucedido do que Tim Sherwood.

Já quanto ao valor dos plantéis, são os ingleses têm vantagem.

No transfermarkt, o clube inglês tem uma equipa avaliada em 271 milhões de euros, com jogadores como Lloris, Vertonghen, Dembelé, Eriksen, Lamela, Lennon, Soldado ou Adebayor

Quanto ao Benfica, tem uma equipa avaliada em 190 milhões de euros, com jogadores como Garay, Salvio, Gaitan, Cardozo ou Markovic.

Porém, segundo o Euro Club Index, o Benfica tem mais possibilidades de chegar à final que o Tottenham, 12,4% contra 6% dos ingleses, o que demonstra uma certa vantagem encarnada.

Será também uma eliminatória muito equilibrada e empolgante, embora me pareça que o Benfica é ligeiramente favorito, até porque joga a segunda mão na Luz.

 

 

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publicado às 10:16

Já se esperava há umas semanas, mas desta vez foi mesmo! Depois de perder 0-5 em casa com o Liverpool, André Villas-Boas foi despedido de treinador do Tottenham.

A razão foi a do costume: os resultados estavam muito àquem do esperado pelo chairman do clube, Daniel Levy, e sobretudo havia duas humilhantes derrotas já este ano, uma por 6-0, contra o Manchester City, e a já referida goleada em casa, aplicada pelo Liverpool.

 

Esta é já a segunda má experiência que AVB tem em Inglaterra, e provavelmente ser-lhe-á fatal, golpeando a sua carreira prematuramente num dos melhores mercados de futebol do mundo.

Há dois anos, no final de uma espectacular época ao serviço do FC Porto, onde venceu quase tudo (Supertaça, Campeonato, Liga Europa e Taça de Portugal) AVB tinha sido contratado pelo Chelsea, seguindo as pisadas de José Mourinho, com quem trabalhou muitos anos.

Porém, as coisas nunca lhe correram bem e meses mais tarde Abrahamovic mostrar-lhe-ia a porta da rua, dando-lhe de caminho uma choruda indemnização.

Para quem pagara 15 milhões de euros aos FC Porto por um treinador, talvez tenha sido uma decisão muito precipitada.

O Chelsea de AVB não estava assim tão mal e o seu substituto, Roberto Di Mateo, acabaria por vencer a primeira Champions do clube em Maio.

Só que Abrahamovic não tem paciência, nem os adeptos tinham muita com AVB. Para mais, dizia-se dele que não tinha mão nas grandes estrelas, Lampard, Drogba e companhia.

 

Depois desse primeiro fiasco, muitos esperaram um regresso a Portugal, e chegou a falar-se que o seu adjunto Vítor Pereira iria à vida, regressando AVB.

Não seria assim. No final da época, o Tottenham aparecia, apostando no jovem treinador português.

Apesar de ter perdido Modric logo no início da época, AVB faria uma boa temporada, ficando à porta da Champions, em 5º lugar.

É verdade que muitas das vitórias dependeram de um génio chamado Bale, mas havia certamente também mérito de AVB.

Só que a vida de um treinador é cada vez mais imprevisível, e em Inglaterra, por exemplo, há cada vez mais despedimentos prematuros na Premier League.

 

Quais as razões para mais esta saída involuntária de AVB?

Em primeiro lugar, é óbvio, estão os maus resultados. As goleadas humilham e desmoralizam, além de tirarem pontos.

Com o sexto maior orçamento da Premier League, o Tottenham está em 7º classificado, com o mesmo número de pontos do 6º, o Newcastle, e à frente do Manchester United.

É sobretudo em casa que as coisas têm corrido mal, com 3 derrotas em 8 jogos.

Os sócios protestam, o ambiente degradou-se, e quando é assim é certo e seguro que o primeiro a partir é o treinador.

Mas, há quem diga que o plantel foi mal construído, que houve divergências entre AVB e Daniel Levy, e que este não contratou os jogadores pedidos pelo treinador.

 

É uma explicação habitual, que protege o treinador, mas a verdade é que o investimento foi considerável, e talvez as expectativas tenham subido demais.

Sem qualquer título conquistado, e apesar de uma boa carreira na Liga Europa, AVB ficou à merce dos resultados, e a goleada do Liverpool foi-lhe fatal.

De qualquer forma, em termos de percentagens de vitórias, AVB não ia nada mal.

Com 44 vitórias, 20 empates e 16 derrotas em 80 jogos, a sua percentagem de vitórias era de 67,5% e é o segundo melhor treinador de sempre do Tottenham, apenas abaixo de Frank Brettell, que tem uma percentagem de 68,2%, mas obtida em 1898! 

É certo que não entra na lista dos 10 melhores de sempre da Premier League, onde Mourinho ainda lidera, com 81,3% de percentagem de vitórias, mas não se pode dizer que estes fossem maus resultados.

AVB sai, não porque tenha maus resultados gerais, mas porque teve maus resultados específicos que humilharam o clube, as já referidas goleadas.

 

 

E como será o futuro próximo de AVB?

Para já, a única vantagem para o treinador português é a choruda indemnização que irá receber. Fala-se em 9 milhões de euros.

AVB é, neste momento, um homem rico. De insucesso em insucesso, a sua conta bancária tem crescido exponencialmente. 

Regressará ele ao FC Porto, à sua cadeira de sonho? É possível.

A carreira de Paulo Fonseca nos dragões tem sido irregular, e depois de um bom princípio a equipa desceu muito de qualidade, teve uma Champions muito fraca e perdeu a liderança do campeonato.

Pinto da Costa não costuma mudar de treinador, as últimas duas vezes que o fez deram maus resultados, e não foi campeão.

Mas, se Paulo Fonseca perder na Luz, e ficar ainda mais para trás no campeonato, não me admirava que AVB o substituísse.

Não poderia ganhar os 4,5 milhões de euros que o Tottenham lhe pagava, mas ganharia mais que Paulo Fonseca e daria uma alegria aos sócios dragões, que o adoram.

A acontecer alguma coisa, deverá ser em Janeiro.

É um dos meses do ano em que há sempre muitos despedimentos no futebol internacional!

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publicado às 10:28

Nas últimas semanas, muitas foram as notícias sobre a eminente transferência de Gareth Bale do Tottenham para o Real Madrid.

Embora não existisse unanimidade, os valores apontavam para a astronómica soma de 100 a 120 milhões de euros. 

Em certos casos, dizia-se que esse valor incluíria o passe de outros jogadores do Real Madrid (Di Maria, Coentrão, etc), e que poderia diminuir para cerca de 80 milhões, se eles fossem incluídos no negócio.

Seja como for, a imprensa do futebol parecia dar como adquirido que iria ser batido o recorde de transferências, no valor de 94 milhões de euros e ainda na posse de de Cristiano Ronaldo, quando em 2009 se mudou do Manchester United para o Real Madrid. 

Como é evidente, aquilo que sei é o que vem escrito na imprensa, e portanto não faço ideia se Bale será ou não transferido este ano, e a ser porque valor se fará a operação.

Porém, parece-me interessante investigar a questão do valor da transferência. Será que Bale vale 120 milhões? Ou mesmo 100 milhões de euros?

Qual o valor de mercado do jogador? E como se chega a esse valor?

A empresa brasileira Pluri Consultoria, que publica todos os anos uma lista dos 60 mais valiosos jogadores de futebol do mundo, considerou que no final da época de 2012 o jogador Gareth Bale era o 17º mais valioso do mundo, com um valor de mercado de 39 milhões de euros.

E, em Abril último, já perto do final da época de 2013, o site alemão TransferMarket colocava Bale apenas um lugar acima, no 16º lugar, com um valor de 42 milhões de euros, semelhante ao de Mário Gotze, Sergio Busquets, Juan Mata ou Frank Ribery. 

Portanto, e apesar da excelente época 2012/2013 que fez, Bale não subira muito o seu valor para os obervadores de mercado, não passando da quinta posição entre os jogadores que actuam na Premier League inglesa, atrás de Rooney, Kun Aguero, Van Persie e David Silva. 

Como explicar então que um jogador que em Abril estava avaliado em 42 milhões possa em Agosto valer 100 ou mesmo 120 milhões?

Para analisar o valor de mercado de um jogador é preciso avaliar as suas características: a sua performance, a sua integração numa equipa, e o potencial gerador de receitas para o clube.

Comecemos pela "performance". Bale tem 24 anos, feitos a 16 de Julho, e está portanto na idade perfeita para dar um salto na carreira, quase a atingir a maturidade como jogador mas ainda com uma força física impressionante. 

É normalmente nesta idade que acontece um pulo salarial e Bale já ganha perto de 5 milhões de euros por ano. Se ficar no Tottenham esta época, terá provavelmente direito a um aumento de salário substancial.

Dotado de um estupendo pé esquerdo, Bale evoluiu de defesa-esquerdo para extremo-esquerdo, e depois para extremo à solta, a quem o treinador dá inteira liberdade para vaguear por onde quer.

É muito rápido, forte e possante, e começou por ser notado pela forma eficaz como batia livres, marcando muitos golos.

No entanto, nas últimas duas épocas, sobretudo na última, marca cada vez mais golos em andamento, embora quase só com o pé esquerdo. 

Em Abril de 2006, tornou-se no segundo mais jovem jogador de sempre a estrear-se no Southampton, com apenas 16 anos e 275 dias. Marcou nessa época dois golos, ambos de livre directo.

Ao todo, realizou 45 jogos com a camisola do Southampton, tendo facturado 5 golos, e em Maio de 2007 foi vendido ao Tottenham, por cerca de 10 milhões de euros. 

Já nos Spurs, começaram os problemas sérios. Uma rotura de ligamentos no tornozelo direito impediu-o de jogar mais esse ano, e mesmo a época seguinte, 2008-2009, ficou seriamente comprometida, tendo Bale jogado muito pouco.

Os problemas continuaram: em Junho de 2009 foi operado ao joelho e perdeu a pré-época. Mas a parte final dessa temporada já correu bastante bem, e renovou com o Tottenham em Maio de 2010.

A partir daqui é quase sempre a subir.

O número de golos marcados aumenta: serão 11 no final da época, seguindo-se 12 na época seguinte, 2011-12.

Embora jogasse a extremo-esquerdo cada vez mais vezes, só no início da última época é que muda defitivamente de número e de posição. Troca o 3 pelo 11 e declara que não mais será um "defesa-esquerdo". 

A mudança definitiva faz explodir a sua importância na equipa. Já com André Villas-Boas como treinador, marca um total de 26 golos e anda literalmente com os colegas às costas, levando-os ao quinto lugar na Premier League.

No entanto, e apesar de vários títulos individuais, Bale nunca venceu qualquer título por equipas, nem sequer uma taça. E na Europa, o Tottenham não passou dos quartos-de-final da Liga Europa...

Para complicar a situação, a velha lesão no tornozelo direito voltou a dar problemas, afastando Bale durante alguns jogos.

O seu estilo espectacular de corrida é a sua imagem de marca, bem como os poderosos pontapés, mas o tornozelo direito é o seu calcanhar de Aquiles, por assim dizer.

Para além disso, Bale também não tem grande sorte com a Seleção Nacional pela qual joga. O seu País de Gales não será nunca um concorrente à altura de um Europeu ou de um Mundial de Futebol, o que significa que ele não pode aproveitar esses palcos para se valorizar. 

Harry Redknapp, que o lançou como extremo-esquerdo, é um dos seus principais apreciadores, e considera-o "um talento impressionante, que tem melhorado sempre, um jogador de classe mundial, logo atrás dos Messis e dos Ronaldos". 

Sim, é evidentemente um excelente jogador, mas ao ponto de valer 120 milhões de euros?

Terá Bale um potencial grande de atração de novas receitas? É que encher as bancadas de White Hart Lane não é exactamente o mesmo de enchê-las no Santiago Bernabéu. 

Também não parece provável que as audiências televisivas do Real dêem um pulo muito grande só por causa de Bale, ou que o número de camisolas vendidas com o seu número seja muito espantoso na Ásia ou na América.

Bale ainda não é uma estrela mundial, e não tem uma imagem fantástica e "cool", que possa ser rentabilizada, como se passou com Beckham.

Por outro lado, e esse pode ser um problema grande, a presença de Bale, se o Real pagar por ele os tais 100 ou 120 milhões, poderá desestabilizar a hierarquia salarial da equipa.

Será que ele vai ganhar mais do que Ronaldo ou do que Ozil, o segundo jogador mais valioso do Real? Ficará à frente de Casillas? 

E como lidará Cristiano com a ideia de que já não é o recorde de transferências do mundo? Não será esse um factor de instabilidade adicional para o seu ego susceptível, ainda por cima sabendo todos nós que Cristiano marca por ano o dobro dos golos de Bale?

Bale é um excelente jogador e também profissional, e a sua vida pessoal, bem como o seu comportamento fora do campo não acusam qualquer falha preocupante. Porém, 100 milhões é muito dinheiro, e atendendo a que o potencial de receitas que Bale pode gerar é inferior às que gerou até agora Ronaldo, não se compreende bem como pode o Real admitir pagar tanto dinheiro por ele.

Bem sei que cada transferência é uma história, uma narrativa original, e há sempre um elemento muito especulativo no mercado de transferências, mas mais do que 80 milhões por Bale parece-me um mau negócio.

Até porque há o tal tornozelo, que já deu problemas graves...

Por fim, temos de considerar a dimensão do "fair play financeiro" da UEFA.

Arsene Wenger, treinador do Arsenal, já veio a público dizer que se a transferência de Bale se realizar por 120 milhões de euros então o "fair play financeiro" não existe.

Ele sabe do que fala.

Uma das críticas que os clubes ingleses fazem à UEFA é a de que ela permite que em Espanha existam 2 clubes (Real e Barça) que ganham muito mais que os outros clubes europeus em direitos televisivos, e que gastam fortunas em jogadores, sem depois levarem as perdas efectivas às suas contas, pois nem Real nem Barça são sociedades comerciais, e podem realizar muita "contabilidade criativa"...

É um ponto relevante, mas a UEFA não deu qualquer resposta.

 

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publicado às 15:15


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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